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Afinal, o que é Bitcoin?
01.06.2022 - 07h00
Rio de Janeiro - RJ
Por Henrique Fontes, da Pace Educação

Bitcoin é um tipo de criptomoeda, isto é, uma moeda cuja criação, uso e controle são feitos exclusivamente na dimensão digital, sem vínculo algum com governos ou recursos naturais (ouro ou petróleo, por exemplo), que costumam garantir o valor das moedas tradicionais. Atualmente, entre as mais populares estão Ethereum, Dogecoin, Binance Coin e Tether.
Mas afinal, quem cria e controla as criptomoedas? E como elas funcionam? É importante conhecer essa nova modalidade para não cair em desinformações.
Como é criada?
Esse dinheiro virtual é produzido a partir de um mecanismo chamado mineração. A mineração é a resolução de problemas matemáticos muito difíceis, realizada por meio de tentativa e erro a partir do processamento do computador. Isso mesmo: da mesma maneira que mineravam ouro e faziam moedas, agora mineram dados para fazer criptomoeda. Quando alguém resolve esses problemas, mais moedas são criadas e o responsável pela solução é remunerado com uma quantia de criptomoedas. Quanto maior sua capacidade de processamento, mais rápida e eficiente é a mineração - e logo, maior a remuneração em criptomoedas.
Quem controla?
Não há um sistema de controle propriamente dito, mas sim algoritmos de consenso. Os mais comuns são a prova de trabalho e a prova de participação. A prova de trabalho cria uma competitividade para estimular a mineração, enquanto a prova de participação concede benefícios aos usuários que possuem ativos digitais. Ao fim e ao cabo, esses algoritmos são os responsáveis por dar credibilidade à moeda e impedir a possibilidade de fraudes.
Como funciona?
A forma que as criptomoedas possuem de ter lastro é a partir da mineração. Milhares de usuários tentam solucionar as equações matemáticas necessárias para criar cada vez mais moedas, de modo que sejam devidamente remunerados.
As moedas virtuais, porém, ainda não são amplamente utilizadas como uma moeda física, como o Real ou o Dólar. El Salvador é o único país que tornou o bitcoin uma moeda oficial, mas essa não é uma realidade global. A China vem implementando sua moeda digital oficial por meio de projetos pilotos, que abrangem um número cada vez maior de cidades. Essa moeda é conhecida como e-CNY, emitida pelo Banco do Povo da China (banco central) e distribuída por nove operadores, que são os grandes bancos do país.
As transações com criptomoedas são realizadas por meio do blockchain, que é um sistema de transações com informações criptografadas em tempo real, mantendo-se o sigilo sobre as transferências.
E isso é sustentável?
O grande problema da bitcoin e de qualquer ativo digital que precise ser minerado é justamente a forma com que eles são criados. Por necessitar de tempo e um computador de alta potência, o gasto energético da mineração é colossal. De acordo com pesquisadores da Universidade de Cambridge, os processos de mineração gastam, por ano, mais de 1 bilhão de quilowatts. Esse número é equivalente ao consumo energético anual da Argentina, com 40 milhões de habitantes. Se a rede de Bitcoin fosse um país, ele seria o 24º maior consumidor de energia do mundo.
De acordo com o site Digiconomist, as emissões de carbono resultantes de um ano de processamento de bitcoins somam 92,07 quilotoneladas de carbono, que se comparam com a pegada de carbono do Chile. E esse é o grande problema. Segundo o Índice de Consumo Energético de Bitcoin, 60% dos computadores que mineram a criptomoeda consomem energia gerada por combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural. O impacto ambiental do bitcoin, desta forma, é muito grande e não tem previsão para ser reduzido, a não ser que a mineração simplesmente cesse.
"Na Mochila" apresenta materiais sobre temas que cercam nosso cotidiano, influenciam a vida em sociedade e que podem ser confusos pelo excesso de informação disponível. A abordagem é direta para facilitar a discussão em sala de aula.
Produção e Arte por Dominique Gogolevsky
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