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Marcelo Freixo diz que saiu do PT ‘bem antes’ do mensalão. Checamos
20.09.2016 - 18h08
Rio de Janeiro - RJ
Em entrevista ao RJTV 1ª edição, o candidato do PSOL à Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, foi questionado sobre o apoio que deu à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) no segundo turno das eleições de 2014. Ao explicar que seu voto foi um veto ao candidato Aécio Neves (PSDB) e destacar que não concorda com a corrupção que enxerga no PT, Freixo disse:
“Bem antes do mensalão, na hora em que o PT foi governar com Renan Calheiros, com Collor, com Sarney, foi a hora em que eu saí e disse: isso não me representa. E nós saímos e fundamos o PSOL”.
Falso
De acordo com cadastro de filiações disponível para consulta no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marcelo Freixo se desfiliou do PT em 26 de setembro de 2005.
O primeiro episódio do mensalão ocorreu em maio de 2005, quando a revista Veja divulgou um vídeo que mostrava o então diretor dos Correios, Maurício Marinho, recebendo propina e apontando o então deputado Roberto Jefferson (PTB) como o chefe de um esquema de corrupção na instituição.
Ou seja, a desfiliação de Freixo do PT aconteceu quatro meses depois da primeira denúncia ligada ao mensalão – e não “bem antes do mensalão” como disse o candidato.
Nesse período – entre a primeira denúncia e a saída de Freixo do partido, Roberto Jefferson declarou que eram feitas compras de votos pelo PT no Congresso (junho), a CPI dos Correios foi instaurada (junho) e o publicitário Marcos Valério foi apontado como articular financeiro do esquema. Roberto Jefferson prestou depoimento no Conselho de Ética e afirmou que seis ministros sabiam da compra de votos. José Dirceu foi apontado como chefe do esquema e renunciou ao cargo de ministro da Casa Civil. O então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o então presidente do partido, José Genuíno, também renunciaram. Lula fez um pronunciamento público se dizendo “traído”.
O PSOL informa, em seu próprio site, que surgiu a partir de um descontentamento de três parlamentares que eram do PT – Luciana Genro, Babá e João Fontes – com a aprovação da reforma da previdência do setor público. Eles foram expulsos do Partido dos Trabalhadores e deram origem ao PSOL, efetivamente ativo desde 1º de setembro de 2005. Freixo entrou no PSOL ainda naquele mês.
Atualização quinta-feira (22) às 12h03: O candidato enviou nota afirmando que “não ter me desfiliado não significa não ter me afastado. Me afastei completamente de todas as atividades partidárias, núcleos e militância.”

Ao falar sobre doação de campanha, Freixo afirmou que o PSOL não aceita doações de empresas desde a eleição de 2014, ou seja, antes mesmo de a lei eleitoral proibir esse repasse. Para reafirmar a posição do partido, o candidato disse:
“Só o PSOL fez isso (não aceitou doações de empresas) em 2014”
Verdadeiro, mas...
Em 2014, o PSOL lançou a campanha “Não recebo 1 real, estou na rua por ideal“, destacando que não aceitaria doação de grandes empresas, empreiteiras e bancos.
Na Prestação de Contas das eleições de 2014, disponibilizadas no site do TSE, é possível ver que o candidato do PSOL na época, Tarcísio Motta, realmente não recebeu doações de empresas.
Porém, outras duas candidaturas também não tiveram aporte deste tipo. Foram elas as de Ney Nunes, do PCB, e Dayse Oliveira, do PSTU. Esta última só recebeu doação do comitê de seu partido.
O Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais as doações de empresas a campanhas em setembro de 2015.
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Ítalo Rômany
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