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Doria, Bolsonaro, Dias, Ciro e Manuela: presidenciáveis no Canal Livre
19.12.2017 - 07h00
Rio de Janeiro - RJ
Desde outubro, o programa de entrevistas Canal Livre, da TV Bandeirantes, faz sabatinas com possíveis presidenciáveis. João Doria, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Álvaro Dias e Manuela D’Ávila já estiveram na bancada e falaram sobre seus planos. A Lupa conferiu mais uma série de afirmações feitas por eles. Veja o resultado a seguir:
“Fui eleito em 2016 no primeiro turno (…) E eu era um outsider”
João Doria Jr., prefeito de São Paulo (SP), em 5 de novembro, em entrevista ao Canal Livre
Bem no início da segunda parte da entrevista, o prefeito João Doria é questionado sobre a possibilidade de haver alguém de fora do cenário político atual disputando a Presidência da República em 2018 e responde de forma afirmativa. “Eu nunca tinha tido disputa política. Nunca tinha tido mandato. Disputei e ganhei em São Paulo, e no maior colégio eleitoral do país. Ganhei do PT, dos demais partidos e de duas ex-prefeitas da cidade”. Logo em seguida, no entanto, faz uma afirmação que contradiz o rótulo do qual tinha se orgulhado minutos antes: “Eu ganhei a eleição aqui porque eu tinha suporte partidário. Eu não era tão outsider assim. Desde 2001 estava filiado ao PSDB”.
Procurado para comentar esta checagem, Doria não respondeu.

“Quase 40% de todo o investimento da minha campanha quem pagou fui eu”
João Doria Jr., prefeito de São Paulo (SP), em 5 de novembro, em entrevista ao Canal Livre
Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que o prefeito foi o maior doador de sua própria campanha. Ele lidera o ranking com 35,7% dos recursos injetados no pleito – o equivalente a R$ 4,4 milhões. Em seguida, está seu próprio partido, o PSDB, com R$ 2,5 milhões (que representam 19,9%) e o Democratas, partido que injetou R$ 1 milhão na campanha de Doria (8%). O quarto lugar é do empresário Rubens Ometto Silveira Mello, da Cosan Logística, que doou R$ 500 mil (4%). E, em quinto, Hugo Eneas Salomone, da Savoy Construtora e Imobiliária, com R$ 250 mil (2%). A lista completa de doadores está disponível no portal Divulgação de Contas Eleitorais, do TSE.

“Eu sou diferente de todos os candidatos que estão aí. Eu não tenho nem partido”
Deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), em entrevista concedida ao Canal Livre no dia 20 de novembro de 2017
Apesar de já ter dito que não concorrerá à Presidência da República pelo PSC, o deputado federal continua filiado à sigla, como representante do Rio de Janeiro. A informação aparece em seu site oficial, na seção biografia, e também no site da Câmara. Vale lembrar ainda que o artigo 14 da Constituição Federal estabelece as “condições de elegibilidade” e que entre elas está a filiação partidária. Isso significa que, para disputar as eleições de 2018, Bolsonaro precisará estar filiado a um partido político, assim como todos seus concorrentes.
Procurado, Bolsonaro não respondeu.

“54% dos brasileiros com idade para trabalhar está sem oportunidade para trabalhar”
Senador Álvaro Dias (Pode-PR), em entrevista concedida ao Canal Livre em 29 de outubro de 2017
De acordo com o IBGE, no terceiro trimestre de 2017 (último dado disponível), 12,4% da “força de trabalho”, composta por pessoas de 14 anos ou mais, estava desocupada – total bem inferior ao mencionado pelo senador no Canal Livre. Numa análise por faixa etária, constata-se que os dois grupos mais atingidos pela desocupação são os formados por quem têm entre 14 e 17 anos (com 41,% de desocupados) e os que têm entre 18 e 24 anos (com 26,5%).
Procurado, Álvaro Dias disse que seus números levam em conta “os que não constam das estatísticas oficiais porque não buscam emprego”. No entanto, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que mede os níveis de ocupação e desocupação, o IBGE considera essa parcela, no conceito de “população fora da força de trabalho“. De acordo com o instituto, no terceiro trimestre de 2017 (último dado disponível), 38% da população de 14 anos ou mais estava nessa condição.
Segundo o senador, o dado oficial do IBGE está “aquém da realidade”.

“No Ceará, o imposto sobre heranças é 8%. No RJ, quebrado, no RS, quebrado (…) é 4%”
Ciro Gomes (PDT-CE), em entrevista concedida ao Canal Livre em 22 de outubro de 2017
Em sua fala, Ciro sugere que a cobrança de um imposto maior sobre as heranças poderia, de alguma forma, ajudar a equilibrar as contas públicas estaduais.
O Ceará é um dos estados que praticam a alíquota máxima prevista em lei para o Imposto sobre Causa Mortis e Doação (ITCD) e, de fato, em situações de herança por morte com valor superior a cerca de R$ 150 mil cobra 8%. Sobre este valor bruto de herança, no Rio Grande do Sul, a alíquota é de 3%. E, no Rio de Janeiro, de 4%.
Mas, nos três estados, o percentual do ITCD varia em relação ao montante herdado. No Ceará, sobre valores inferiores a R$ 150 mil herdados por morte, o imposto varia entre 2% e 6%. No Rio de Janeiro, os 4% citados por Ciro são o mínimo. Conforme a Lei 7.174/2015, a tributação máxima dos fluminenses chega a 8%, para heranças de cerca de R$ 1,2 milhão. No Rio Grande do Sul, de acordo com a Fundação de Economia e Estatística do próprio Estado, a alíquota máxima é de 6%.
Procurado, Ciro Gomes não retornou.

“Nós [do PCdoB] estivemos junto com o PT em sete eleições, durante todo o processo de redemocratização”
Deputada estadual Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), em entrevista concedida ao Canal Livre em 4 de dezembro de 2017
A pré-candidatura de Manuela D’Ávila rompe com um histórico de 28 anos e sete eleições de apoio do PCdoB ao PT na disputa para a Presidência. Após o PCdoB, o PSB é o partido que mais vezes esteve ao lado dos petistas, integrando quatro coligações. PRB e PDT vêm em terceiro, com 3 parcerias em eleições presidenciais após a redemocratização. PCB, PMDB e PR têm duas eleições cada. PSTU, PPS, PV, PL, PMN, PSC, PTC, PTN, PSD, PP e Pros completam a lista, com uma eleição cada. Os dados são do Repositório de Dados Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) do estado de São Paulo.
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Ítalo Rômany
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