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Rodrigo Maia considera concorrer à Presidência e cai em contradição
11.01.2018 - 06h00
Rio de Janeiro - RJ
A corrida presidencial parece ter ganhado mais um postulante. Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) passou todo o ano de 2017 negando a possibilidade de concorrer ao Planalto. Mas bastou o ano começar e, em entrevista ao jornal O Globo, o deputado afirmou ver “uma avenida aberta”.
Se disputar a Presidência, será apenas a segunda vez que Rodrigo Maia concorrerá para um cargo executivo. Em 2012, ele concorreu à prefeitura do Rio e teve 3% dos votos válidos (95.328 votos). A Lupa checou posicionamentos do parlamentar sobre o tema.
“Não vejo problema em discutir o assunto (candidatura à Presidência)”
Rodrigo Maia ao jornal O Globo, no dia 09/01/2018
Há menos de um mês, Rodrigo Maia refutou a possibilidade de ser candidato a presidente. “Agradeço muito a lembrança dos meus aliados, mas eu já disse a todos que eu sou candidato a deputado federal”, afirmou em Fortaleza (CE), durante evento do governo estadual.  No mesmo dia, Maia voltou a dizer que disputaria a eleição para Câmara. “Se conseguir renovar meu mandato de deputado, continuarei ajudando o Brasil nas grandes reformas e também o meu Estado”, declarou.
Antes da entrevista ao jornal O Globo, publicada na última terça-feira, o presidente da Câmara havia dito ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, que, “no momento”, a chance de ele ser escolhido como candidato do DEM à Presidência é “zero”. A declaração foi exibida na madrugada de segunda-feira (08).
O movimento de Maia em direção ao Planalto – pelo menos na colocação de seu nome entre os postulantes ao cargo – vai de encontro aos posicionamentos mais recentes do parlamentar. No último dia 20, o deputado afirmou à GloboNews que “não nega a pretensão de disputar uma eleição presidencial”, mas destacou que 2018 talvez não seja o seu momento. “Se o meu poder político se transformar em poder eleitoral, é óbvio que eu disputaria a eleição. Eu acho que não será nessa. Mas no momento que eu tiver chance, (…) não tenho dúvidas de que eu disputaria a eleição”.
A assessoria de Rodrigo Maia informou que o deputado “não admitiu ser candidato” e sim que seu nome é cogitado pelo DEM por conta da “posição que ocupa como presidente da Câmara”.

“O DEM está trabalhando para isso. O que não quer dizer que ele (Cesar Maia) vai aceitar (ser candidato a governador)”
Rodrigo Maia ao jornal O Globo, em 09/01/2018
Há três meses, ao mesmo jornal O Globo, Rodrigo Maia era mais enfático ao defender a candidatura do pai ao governo do Rio. “O DEM terá candidato (próprio): Cesar Maia”, declarou, no dia 4 de outubro. Cesar Maia é vereador pelo DEM carioca desde 2012, quando foi eleito com 44.095 votos. Quatro anos depois, com 71.468 votos, foi o terceiro vereador mais votado do município. Antes, Cesar Maia foi prefeito do Rio após vencer em três eleições: 1992, 2000 e 2004.
Procurado, Maia informou que ele e o DEM querem que Cesar Maia se candidate ao governo do Rio em 2018.

“Eu já respondi, já depus. (…) Os processos serão arquivados”
Rodrigo Maia ao jornal O Globo, em 09/01/2018
Rodrigo Maia é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal originados a partir de delações de executivos da Odebrecht. Ambos ainda estão em tramitação.
Em um deles (4437), Maia, os senadores pelo PMDB Romero Jucá (RR), Eunício Oliveira e Renan Calheiros (AL) e o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) são investigados por supostamente terem recebido propina para facilitar a tramitação e a aprovação de medidas favoráveis à empreiteira. Em setembro do ano passado, o ministro Edson Fachin negou o pedido de Maia para separar a sua investigação da dos outros políticos. No dia 22 de novembro, o STF enviou o inquérito para a Polícia Federal para “cumprimento de diligências”.
Em outro inquérito (4431), Rodrigo Maia e o pai, Cesar Maia são investigados por receberem, no total, R$ 950 mil em propinas da Odebrecht para campanhas eleitorais.
No dia 26 de dezembro de 2017, a Folha de S. Paulo revelou a existência de um relatório da PF que apontava “caixa três” nas campanhas de Maia – prática ilegal que consistiria na doação de dinheiro de empresas para o político a mando da Odebrecht. Deste modo, a empreiteira não aparecia como doadora da campanha, e as empresas parceiras, como a cervejaria Petrópolis, que fabrica a Itaipava, se beneficiariam do esquema com a construtora.
Em nota, Rodrigo Maia alega que todas “as doações recebidas em suas campanhas respeitaram à legislação vigente”, e que prestou “todos os esclarecimentos solicitados” no curso dos inquéritos.
Esta reportagem foi publicada pela edição impressa do jornal Folha de S.Paulo.
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Ítalo Rômany
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