UOL - O melhor conteúdo
Lupa
SobreElas: Mulheres negras, como Marielle Franco, são as que mais morrem no Brasil
15.03.2018 - 14h29
Quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro em 2016, Marielle Franco (PSOL) foi assassinada na noite desta quarta-feira (14). Negra e oriunda do complexo de favelas da Maré, na Zona Norte da cidade – é como o dela o perfil típico das mulheres vítimas de violência letal em todo Brasil.
Marielle usava seu mandato para lutar por causas relacionadas aos direitos humanos e denunciar a violência policial na cidade do Rio. Ela tinha 38 anos e foi morta com pelo menos quatro tiros. Anderson Pedro Gomes, de 39 anos, motorista do carro onde estava a vereadora, também morreu. Em nota, a Polícia Civil informou que trabalha para dar resposta imediata ao crime.
A Lupa reuniu alguns dados sobre homicídios de mulheres negras e sobre a atuação da parlamentar, assassinada pouco mais de um ano depois de ser empossada. Veja o resultado:

2 horas

A cada 120 minutos, uma mulher foi assassinada no Brasil em 2016, de acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Foram 4.606 mortes naquele ano.

65,3%

Este é o percentual de negras entre as mulheres mortas no Brasil em 2015, segundo o Atlas da Violência, do Ipea – um total de cerca de 3 mil mulheres negras. Dez anos antes, em 2005, elas eram 54,8% das vítimas do sexo feminino no país.

22%

É o aumento da taxa de mortalidade de mulheres negras entre 2005 e 2015, de acordo com o Atlas da Violência. Em contrapartida, a taxa de homicídios de mulheres brancas caiu 7,4% no mesmo período.

2

Duas vezes mais. Mulheres negras jovens (15 a 29 anos) têm o dobro de chance de serem mortas, no comparativo com mulheres brancas em todo Brasil, de acordo com o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência 2017. O estudo foi elaborado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) com números de 2015.

396

É o número de homicídios dolosos cometidos contra mulheres no estado do Rio em 2016, segundo o Instituto de Segurança Pública do Rio.

63,7%

É o percentual de mulheres pardas e negras dentre as quase 400 que foram mortas em 2016 no estado do Rio de Janeiro.

31,4%

Foi o percentual de votos que Marielle Franco conseguiu, sozinha, sobre todos votos para mulheres pretas e pardas para vereador no Rio de Janeiro nas eleições de 2016. De 51 candidatos eleitos, apenas dois eram mulheres não-brancas, ela própria e Tânia Bastos (PRB), que se auto-identifica como parda.
O número de mulheres negras candidatas na cidade não foi pequeno na ocasião: 255 – 15,7% do total e 49,8% das mulheres. Elas receberam, entretanto, apenas 5,5% de todos os votos. Enquanto um homem branco teve, em média, 2,6 mil votos, mulheres não-brancas receberam apenas 580.

2

Foi o número de vezes em que Marielle Franco foi interrompida durante seu último discurso na Câmara de Vereadores do Rio. No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, Marielle ocupou a tribuna para discursar sobre a data. Foi interrompida pelo vereador Ítalo Ciba (PT do B), que lhe entregou uma flor no meio de sua fala e, depois, por uma pessoa não identificada na galeria da Casa. “O que cada uma de nós já deixou de fazer ou fez com algum nível de dificuldade pela identidade de gênero, pelo fato de ser mulher? A pergunta não é retórica, ela é objetiva, é para refletirmos no dia a dia, no passo a passo de todas as mulheres, no conjunto da maioria da população, como se costuma falar, que infelizmente é sub-representada”, disse, no discurso.

16

Foram os projetos de lei propostos por Marielle Franco e que estão em tramitação na Câmara dos Vereadores. Veja alguns:
00711/2018: Criação do programa de desenvolvimento cultural do funk tradicional carioca.
00642/2017: Institui a assistência técnica pública e gratuita para projeto e construção de habitação de interesse social para as famílias de baixa renda e dá outras providências.
00555/2017: Criação do Dossiê da Mulher Carioca, para elaboração de estatísticas sobre a violência contra mulher.
00417/2017 : Criação da Campanha Permanente de Conscientização e Enfrentamento ao Assédio e Violência Sexual no município do Rio.
00082/2017: Inclui o Dia da Visibilidade Lésbica no Calendário Oficial da cidade do Rio de Janeiro.
00016/2017: Institui o programa de atenção humanizada ao aborto legal e juridicamente autorizado no âmbito no município do Rio de Janeiro.
00103/2017: Inclui o Dia da Mulher Negra no calendário oficial da cidade, em celebração a Tereza de Benguela, líder quilombola do século XVIII.
Clique aqui para ver como a Lupa faz suas checagens e acessar a política de transparência
A Lupa faz parte do
The trust project
International Fact-Checking Network
A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos.
A Lupa está infringindo esse código? FALE COM A IFCN
Tipo de Conteúdo: Reportagem
Conteúdo investigativo que aborda temas diversos relacionados a desinformação com o objetivo de manter os leitores informados.
Copyright Lupa. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.

Leia também


18.05.2024 - 12h15
Tragédia no Sul
Doações, resgates e alarmismo dominam onda de fakes sobre enchentes no RS

A crescente onda de desinformação sobre as enchentes no Rio Grande do Sul tem se caracterizado por três eixos principais: doações, resgates e alarmismo. Muitas das fakes já checadas também envolvem, em maior ou menor grau, a atuação — ou falta dela — dos governos na crise e a generalização de problemas isolados. Reportagem detalha e analisa o tema. 

Carol Macário
17.05.2024 - 14h11
Enchentes no RS
Políticos desinformam sobre tragédia no RS e atiçam base contra imprensa e opositores

Políticos têm usado as redes sociais para fazer coro à desinformação sobre a tragédia climática no RS, descredibilizar o trabalho da imprensa e atacar as instituições estatais. Levantamento da Lupa mostrou que, entre 1 e 15 de maio, parlamentares disseminaram informações descontextualizadas ou fakes já desmentidas, especialmente sobre doações.

Carol Macário
17.05.2024 - 10h01
Arco-íris sob ataque
201 projetos anti-LGBT+ chegaram às Assembleias Legislativas do Brasil desde 2020

A quarta e última reportagem da série sobre a desinformação anti-LGBT+ nas Américas mostra que 201 projetos anti-LGBT+ chegaram às Assembleias Legislativas do Brasil desde 2020. Destes, sete viraram lei – e uma dessas leis foi invalidada pelo STF. Amazonas, Rondônia, Paraíba e Espírito Santo têm restrições legais ativas contra os LGBT+

Cristina Tardáguila
16.05.2024 - 10h07
Arco-íris sob ataque
Estratégia “copia e cola” espalha projetos de lei anti-LGBT+ pelo Brasil

A linguagem não-binária, a participação de trans em esportes e todas as atividades pedagógicas relacionadas a sexo ou gênero são alvo de dezenas de projetos de lei país afora. Muitas dessas propostas chegam a ter um índice de mais de 80% de semelhança na redação. Esta é a terceira reportagem da série sobre a desinformação anti-LGBT+ nas Américas

Cristina Tardáguila
15.05.2024 - 10h06
Arco-íris sob ataque
Fakes do movimento anti-LGBT+ buscam opor educação sexual e segurança infantil

Posts que sugerem que pedófilos 'lambem os beiços em escolas primárias' e que pedem punição a pessoas trans viralizam em português, inglês e espanhol, sem levar em consideração dados factuais. Esta é a segunda reportagem da série sobre a desinformação anti-LGBT+ nas Américas

Cristina Tardáguila
Lupa © 2024 Todos os direitos reservados
Feito por
Dex01
Meza Digital