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É falso que representantes da esquerda brasileira assinaram manifesto pela ‘internacionalização da Amazônia’
28.08.2019 - 20h23
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais que 10 representantes da esquerda brasileira teriam assinado um documento enviado ao G7 pelo presidente da França, Emmanuel Macron, pedindo a “internacionalização da Amazônia”. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:
“Lista de assinaturas no documento encaminhado ao G7 por Macron para medidas de internacionalização, (invasão), da Amazônia (…) Pasmem, vejam quem assinou o pedido para que o G7 “tomasse a Amazônia do Brésil” ”
Legenda de imagem publicada no Facebook, com 1,5 mil compartilhamentos até as 19h30 do dia 28 de agosto de 2019
Falso
A lista que aparece na imagem analisada pela Lupa não é de documento encaminhado ao G7 pelo presidente da França, Emmanuel Macron, e nem pede medidas para a internacionalização ou invasão da Amazônia. As pessoas mencionadas são signatárias de um manifesto publicado no jornal Libération em 27 de julho. O texto pede que o mandatário francês rejeite o acordo entre União Europeia (UE) e Mercosul, e que condicione o comércio entre Brasil e França à adoção de regras ambientais e trabalhistas mais duras.
O texto foi assinado por 51 pessoas, incluindo dez políticos brasileiros. São eles os deputados federais Glauber Braga (PSOL-RJ), Ivan Valente (PSOL-SP), Talíria Petrone (PSOL-RJ), David Miranda (PSOL-RJ), Paulo Pimenta (PT-RS), Gleisi Hoffmann (PT-PR), o senador Humberto Costa (PT-PE), o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, e os líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile.
Os outros 41 signatários são políticos franceses, a maioria filiada aos partidos Europe Écologie Les Verts (EELV) e La France Insoumisse (FI). Ambos fazem oposição a Macron. O texto foi publicado em 27 de julho, antes, portanto, do início dos grandes incêndios na Amazônia.
Na época, o ministro de Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, visitava o Brasil. Dois dias depois da publicação do texto, ele teria uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro (PSL). O brasileiro cancelou a reunião alegando “problemas de agenda” e, no mesmo horário, fez uma transmissão ao vivo cortando o cabelo.
O documento publicado no La Libération faz duras críticas à política ambiental de Bolsonaro. “Esperamos que Jean-Yves Le Drian tenha reservado na sua agenda uma visita às margens da floresta amazônica, onde o desmatamento conheceu uma aceleração de 88% desde 2018”, diz. Entretanto, em momento algum o texto fala em intervenção na Amazônia, ou em internacionalização do bioma.
Os políticos questionam a disposição de Bolsonaro em manter o Brasil no Acordo de Paris – e cumpri-lo. “Para se estar de acordo com os princípios do Acordo de Paris, é necessária determinação política e um engajamento sem falhas na luta contra o aquecimento climático. É isso que falta notoriamente ao governo de Jair Bolsonaro”, dizem.
Há, ainda, críticas diretas ao acordo entre UE e o Mercosul. “Além de favorecer a importação de matéria prima pela Europa, ele deve reduzir consideravelmente as barreiras aduaneiras para a exportação de produtos manufaturados [europeus]. A indústria local [no Mercosul], já frágil, será dizimada”, diz o texto. O texto aponta que o acordo deve aumentar, também, as emissões de dióxido de carbono.
Por fim, os deputados pedem que Macron “recuse o tratado de livre-comércio entre a UE e o Mercosul e condicione o comércio entre os dois países à adoção de normas mais restritivas em assuntos relacionados ao meio-ambiente e aos trabalhadores brasileiros”.
Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.
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