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É falsa imagem de tuíte em que Bolsonaro diz que povo é soberano ao pedir impeachment de governantes
11.10.2019 - 21h02
Rio de Janeiro - RJ
Circula pelas redes sociais a imagem de um tuíte atribuído ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). No texto, ele teria dito que o povo é soberano e, quando pede impeachment, é porque o governante “só faz merda”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da ​Lupa​:
“O povo é soberano, quando ele pede impeachment, é porque o governante só faz merda”
Tuíte atribuído ao presidente Jair Bolsonaro reproduzido em post do Facebook que, até as 17h de 11 de outubro de 2019, tinha mais de 10 mil compartilhamentos
Falso
A informação, analisada pela Lupa, é falsa. O tuíte não aparece na timeline de Jair Bolsonaro, e há outros indícios de que ele nunca foi publicado pelo presidente.
Ao realizar uma busca ampla no Twitter usando a frase atribuída ao presidente, o resultado é negativo em todo o período compreendido entre 2015 e 2018. Não há na rede nenhuma referência a esse post antes de 17 de maio de 2019. Nesse dia, a imagem em análise foi publicada pela primeira vez em postagens que usavam a hashtag #impeachmentBolsonaro. Isso indica que ela é recente.
Fazendo uma pesquisa avançada do Twitter, verifica-se que Bolsonaro fez apenas três publicações em janeiro de 2015 e que nenhuma delas é do dia 8.
Se Bolsonaro tivesse realmente publicado esse tuíte em janeiro de 2015, ele dificilmente teria passado despercebido por todo o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Provavelmente já teria sido comentado em outros espaços e em outras oportunidades.
Vale ressaltar ainda que, em 8 de janeiro de 2015, os deputados federais, cargo que Bolsonaro exercia na época, não estavam em atividade. O período era de recesso. Não estava em curso qualquer pedido de impeachment de Dilma – mesmo daqueles que haviam sido protocolados entre 2011 e 2014, durante seu primeiro mandato.
Em 1º de fevereiro de 2015, uma nova legislatura começou, e foi o próprio Bolsonaro quem ingressou com um pedido de impeachment de Dilma no dia 13 de março. Foi também nessa data que ele mencionou o “impeachment” no Twitter pela primeira vez.
Nesse tuíte, o então deputado reproduziu uma reportagem do jornal O Globo sobre seu movimento contrário a Dilma. À época, Bolsonaro compartilhou a mesma informação em seu Facebook, rede social que usava com mais frequência.
Naquele primeiro semestre de 2015, Bolsonaro voltou a falar de impeachment no Twitter em 27 de maio e 27 de julho, mas o tema só ficou frequente em sua timeline depois de 10 de setembro. Mesmo assim, Bolsonaro costumava divulgar links de reportagens em vez de escrever frases soltas sobre o caso, como aparece na montagem em análise.
Por fim, vale constatar que, em janeiro de 2015, nenhum dos três tuítes publicados pelo deputado chegou perto do número de interações que se vê na montagem em questão: 1.145 retuítes e 1.584 curtidas.
Os dois últimos indícios de falsidade têm a ver com a imagem em si. Todas as versões do tuíte são exatamente iguais em termos de design. Não há reproduções com resoluções ou formatos diferentes (resultante da grande quantidade de dispositivos usados para acessar e ler o Twitter no país). O termo “merda”, que teria sido digitado por Bolsonaro, também jamais foi usado por ele ao tuitar.
Procurado para comentar, o Palácio do Planalto disse que não se manifestaria sobre o caso.
Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.
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Carol Macário
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