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Lupa
É falso que Doria proibiu cloroquina nos hospitais de São Paulo
01.04.2020 - 20h43
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), proibiu o uso de cloroquina nos hospitais do estado para o tratamento de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
“Doria proibe, a cloroquina nos hospitais de São Paulo…… Quer que o povo brasileiro morra mesmo ! Doria comunistas, junto com todos os governadores e prefeitos canalhas…”
Imagem publicada no Facebook que, até as 19h40 do dia 1º de abril de 2020, tinha sido compartilhada por cerca de 800 pessoas
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), não proibiu a utilização de cloroquina no tratamento de pessoas infectadas com Covid-19 em hospitais paulistas. A decisão de autorizar ou não o uso de um medicamento para uma determinada doença não cabe aos governadores dos estados, e sim à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), uma autarquia vinculada ao Ministério da Saúde.
Em nota, assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde de São Paulo disse que “o medicamento Cloroquina poderá ser utilizado como um auxílio no tratamento dos casos graves da COVID-19”, seguindo regra publicada na última sexta-feira (27) pelo Ministério da Saúde. Entretanto, até o momento, “não há remédio e nem vacina com eficácia [comprovada]” para a doença.
A cloroquina e a hidroxicloroquina são dois medicamentos originalmente desenvolvidos para a malária, mas que, ao longo do tempo, começaram a ser usados para tratar outras doenças, como lúpus e artrite reumatoide. Pesquisas preliminares indicam que esses medicamentos podem ter eficácia no tratamento da Covid-19, assim como outras substâncias.
Entretanto, ainda são necessários mais testes para concluir com segurança que esses medicamentos são, de fato, eficientes no tratamento da doença. O uso terapêutico está sendo feito de forma experimental, apenas em pacientes em situação grave. No Brasil, os Hospitais do Coração (HCor), Albert Einstein e Sírio-Libanês coordenam uma pesquisa com 1,3 mil pacientes para verificar a eficácia da hidroxicloroquina. O estudo deve ficar pronto em cerca de dois ou três meses.
Vale lembrar que a automedicação não deve ser realizada em nenhuma hipótese, visto que ambas as drogas, principalmente a cloroquina, podem causar efeitos colaterais graves. Essas substâncias tampouco ajudam a prevenir a doença.
Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.
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Gabriela Soares
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