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Lupa
É falso que FBI apreendeu máscaras importadas da China contaminadas com novo coronavírus
22.04.2020 - 14h02
Rio de Janeiro - RJ
Circula pelas redes sociais um vídeo que mostra agentes do Federal Bureau of Investigation (FBI), dos Estados Unidos, usando máscaras e transportando caixas para o interior de um caminhão. Em várias delas pode-se ler a inscrição “N95”, denominação de um tipo de máscara de proteção indicada como equipamento de segurança para equipes médicas que atendem casos de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. De acordo com a legenda, a operação do FBI ocorreu para coletar máscaras importadas da China que teriam testado positivo para o SARS-Cov-2, como o vírus é oficialmente denominado. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
“FBI retirou todas as máscaras que vieram da china que testaram positivo para covide.19? Raça de víboras…Estão vendo gente não usem nada que vem da china..”
Legenda de vídeo no Facebook que, até as 11h de 22 de abril de 2020, tinha mais de 9,2 mil compartilhamentos
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. O vídeo não mostra agentes do FBI recolhendo máscaras contaminadas pelo novo coronavírus na China. Na verdade, as imagens retratam a apreensão de material hospitalar que estava sendo estocado ilegalmente em Nova York, nos Estados Unidos. O homem responsável pelo crime, chamado Baruch Feldheim, de 43 anos, foi preso sob acusação de mentir sobre o armazenamento irregular e também por tossir na direção dos agentes do FBI, dizendo ter Covid-19.
O caso ocorreu em 29 de março, de acordo com informações divulgadas pelo Departamento de Justiça dos EUA. O vídeo já circulava pela internet em 1º de abril, em sites como o Reddit e o YouTube, com a referência correta ao caso. As acusações feitas contra Feldheim estão relacionadas a uma decisão de 25 de março deste ano. Naquela data, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (HHS) proibiu o armazenamento de equipamentos de segurança necessários para profissionais de saúde enfrentarem o novo coronavírus, como máscaras N95 e respiradores.
Feldheim ofereceu mil máscaras N95 a um médico por meio de uma conversa no WhatsApp em 18 de março, ao preço de 12 mil dólares. Isso representaria um ágio de 700% no valor normalmente cobrado. Ao chegar ao local, uma loja de reparos em carros em Irvington, Nova Jersey, o médico também viu caixas de produtos de limpeza e desinfecção e material cirúrgico acumulados. Feldheim disse ao médico que precisaria mudar o estoque de lugar. A partir dessas informações, o FBI descobriu que ele passou a fazer a negociação de venda dos produtos, sempre em valor acima do mercado, em sua casa, no distrito do Brooklyn, em Nova York.
No dia 29 de março, os agentes federais abordaram Feldheim na calçada em frente a sua casa. Eles pediram que o homem mantivesse uma distância segura ao ser questionado. Foi aí que o homem tossiu na direção deles, sem cobrir a boca, e disse estar contaminado pelo novo coronavírus. Ele também mentiu ao negar ter estocado e vendido os produtos de saúde em sua casa. Feldheim foi detido. De acordo com reportagem do The New York Times, foram apreendidas 192 mil máscaras N95, 130 mil máscaras cirúrgicas e cerca de 600 mil luvas no local. Todo o material foi destinado para profissionais de saúde em Nova York e Nova Jersey.
Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.
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