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É falso que Nelson Teich está ‘auditando’ números da Covid-19
24.04.2020 - 12h47
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais uma publicação afirmando que o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, estaria “auditando” os números relativos ao SARS-CoV-2, o novo coronavírus. O texto diz ainda que, por conta da ação do ministro, os números de São Paulo começaram a cair, a Globo teria parado de divulgar o número de óbitos e os estados e municípios teriam avisado que reabririam as economias. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:
“Nelson Teich está auditando todos os números divulgados pelos Estados sobre o Covid-19”Legenda da publicação no Facebook que até às 16h do dia 22 de abril de 2020 tinha mais de 3,7 mil compartilhamentos
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que a “informação de auditoria não procede”. De acordo com a pasta, os registros de casos e óbitos são repassados pelas secretarias estaduais e municipais diretamente para a área técnica que apenas consolida os dados e divulga no portal oficial do órgão.
“Resultado: 1-Números de SP começaram a cair como mágica”Legenda da publicação no Facebook que até às 16h do dia 22 de abril de 2020 tinha mais de 3,7 mil compartilhamentos
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou Nelson Teich como o novo ministro da Saúde no final da tarde do dia 16 de abril. Ele tomou posse no dia seguinte (17). Desde então, em São Paulo, o número de óbitos atingiu o maior valor diário e o número de casos confirmados o segundo maior desde o início da pandemia.
Na quinta-feira (16), foram registrados 525 novos casos de Covid-19 em São Paulo. Na sexta-feira (17), esse número subiu para 1.273 – segundo maior pico de novas confirmações desde o começo da pandemia. No sábado (18), eram 1.053 casos novos. No domingo e na segunda-feira (19 e 20), eram 373 e 313, respectivamente. Na terça-feira (21), o número voltou a subir para 805 casos no dia e, na quarta-feira (22), diminuiu para 529. Na quinta-feira (23), uma semana depois da nomeação do ministro Nelson Teich, foram registrados 826 novos casos.
O número de mortes diárias registradas também não apresenta um padrão de queda. Na quinta-feira (16), quando Nelson Teich foi nomeado ministro, eram 75 novos óbitos. No dia seguinte (17), o número se repetiu. No sábado (18), eram 63 novas mortes. No domingo e na segunda-feira (19 e 20), esse número caiu para 24 e 22, respectivamente. Na terça-feira (21), o número voltou a subir e chegou a 56 mortes registradas em um dia e, na quarta-feira (22), diminuiu para 41 óbitos. Na quinta-feira (23), foram registradas 211 mortes – o maior número desde o início da pandemia.
O número de casos e óbitos confirmados por Covid-19 depende, também, do número de testes. São Paulo, por exemplo, tinha uma fila de 30 mil testes para serem processados na semana passada. Na quarta-feira (15), ainda eram 13,4 mil na fila. No começo de abril, o estado chegou a acumular 200 corpos esperando resultados.
“Resultado: 2-A Globo parou de divulgar os números de óbitos”Legenda da publicação no Facebook que até às 16h do dia 22 de abril de 2020 tinha mais de 3,7 mil compartilhamentos
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. Desde que Nelson Teich foi anunciado como novo ministro da Saúde no dia 16 de abril, todas as edições do Jornal Nacional (16, 17, 18, 20, 21 e 22 de abril) e a edição do Fantástico, de 19 de abril, divulgaram o número de óbitos por Covid-19 no Brasil. Além disso, o portal de notícias G1, que pertence ao Grupo Globo, atualiza os números sobre o novo coronavírus diversas vezes ao dia.
Por e-mail, a assessoria de imprensa do Grupo Globo disse que “na edição de hoje, o Jornal Hoje tem uma matéria sobre o número de mortos pela Covid-19”.
“Resultado: 3-Estados e Prefeituras avisaram que vão reabrir suas economias”Legenda da publicação no Facebook que até às 16h do dia 22 de abril de 2020 tinha mais de 3,7 mil compartilhamentos
Exagerado
Alguns estados e municípios, de fato, anunciaram a reabertura de algumas atividades comerciais e outros, inclusive, já reabriram. Entretanto, isso varia de estado para estado e de município para município. Alguns estados, como São Paulo, condicionaram sua reabertura à manutenção de índices altos de isolamento. Outros, como Ceará e a Amazonas,  a suspensão do funcionamento de estabelecimentos comerciais não essenciais.
Nesta quarta-feira (22), o governo de São Paulo anunciou a possibilidade da reabertura gradual de comércios e serviços não essenciais a partir do dia 11 de maio. “Até o dia 10 de maio, não haverá nenhuma alteração na quarentena. Os critérios daquilo que virá a partir do dia 11 serão diferenciados e de acordo com dados científicos apurados em cada cidade e pelas regiões do Estado”, afirmou o governador João Doria (PSDB). “Definiremos gradualmente os protocolos para essa volta responsável e segura à normalidade econômica, mas protegendo vidas”, acrescentou.
No começo de abril, o governo do Rio de Janeiro permitiu a abertura do comércio de 30 municípios que não tinham casos de Covid-19. Nesta quarta-feira (21), oito cidades que reabriram o comércio tinham confirmado os primeiros casos da doença. Além disso, o governador Wilson Witzel (PSC) está estudando a reabertura de shoppings e comércios com limitação de horários e de pessoas.
No Ceará, o governador Camilo Santana (PT) prorrogou o decreto que instituiu o isolamento social por tempo indeterminado. O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), também prorrogou a suspensão do funcionamento de estabelecimentos comerciais não essenciais até 30 de abril.
Em outros pontos do país, porém, as medidas, de fato, foram relaxadas. Em Florianópolis, capital de Santa Catarina, o comércio foi reaberto na segunda-feira (20). É permitido um número máximo de pessoas dentro dos estabelecimentos e clientes e funcionários devem utilizar máscara.
Em Cuiabá, capital do Mato Grosso, a prefeitura autorizou a reabertura, a partir de segunda-feira (27), do comércio atacadista, mercados, padarias, açougues, entre outros. Mas shoppings, academias, bares e restaurantes vão continuar fechados.
“Resultado: 4-Mandetta diz que achatamos a curva”Legenda da publicação no Facebook que até às 16h do dia 22 de abril de 2020 tinha mais de 3,7 mil compartilhamentos
Verdadeiro, mas...
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que o Brasil chegou a picos de adesão às medidas de isolamento social de 79% e que os governadores conseguiram “quebrar a inclinação em espiral” da pandemia. “Nós domamos a curva. Falavam que o Brasil chegaria a 700 mil óbitos em 30 dias. Nós achatamos a curva”, afirmou.
Porém, Mandetta foi cauteloso ao falar sobre o futuro e defendeu o isolamento social.”Conseguimos evitar a famosa espiral aguda [de contaminação e morte]. Sem isolamento, teríamos entrado em uma espiral trágica.”, disse. “Por quanto tempo vamos conseguir domar [a pandemia]? Depende” complementou.
Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.
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Evelyn Fagundes
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