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É falso que Bill Gates criou ‘vacina não líquida’ capaz de monitorar pessoas via tecnologia 5G
08.05.2020 - 19h44
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais uma informação que afirma que Bill Gates, fundador da Microsoft, estaria criando uma vacina “não líquida”, em formato de selo, que seria capaz de controlar todos os usuários utilizando a tecnologia de distribuição de internet 5G. Isso já estaria sendo praticado na China. “Uma forma eficiente e engenhosa de controlar todos”, diz o texto. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:
“O Gates está finalizando a vacina INO-4800, não líquida, que irá salvar toda humanidade! Uma vacina em formato de selo que vai sobre a pele, pois segundo Gates é menos dolorida e mais eficiente! Cada selo (vacina) terá um código individual por pessoa”
Texto publicado no Facebook que, até as 18h do dia 08 de maio, tinha sido compartilhado 230 vezes.
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. Apesar de Bill Gates financiar pesquisas na área da saúde, incentivar formas de gerenciar resultados de testes para coronavírus e se manifestar publicamente favorável a diversos tipos de vacinas, não é verdade que desenvolve vacinas em formato de selo capazes de controlar posição e acesso das pessoas na internet.
A Fundação Bill e Melinda Gates, de fato, está financiando uma vacina para Covid-19, chamada INO-4800. Essa vacina está sendo desenvolvida pelo laboratório norte-americano Inovio e, ao contrário do que diz esse texto, ela não é em formato de selo. Trata-se de uma vacina injetável. É possível encontrar mais informações sobre essa vacina, que está no primeiro estágio de testes com humanos, no site Clinical Trial, mantido pela Biblioteca Nacional de Medicina, do governo americano.
No total, a fundação de Gates doou 100 milhões de dólares para qualificar esforços de detecção, isolamento e tratamento de infectados pelo Covid-19, em especial para desenvolver vacinas, medicamentos e formas de diagnóstico. “Este financiamento será direcionado para organizações multilaterais como a Organização Mundial da Saúde e o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. O apoio também será direcionado para autoridades nacionais de saúde pública na China e em outros países que tiveram casos confirmados”, diz em nota oficial.
A foto usada para ilustrar o texto tampouco tem qualquer relação com Gates e a vacina financiada por seu instituto. Na verdade, ela mostra uma vacina desenvolvida por pesquisadores do King’s College de Londres ainda em 2013, portanto, sem qualquer relação com a Covid-19. O objetivo dessa pesquisa era fazer uma vacina menos intrusiva e mais barata que os modelos atualmente disponíveis.

“Depois de serem todos contaminados, ops…digo, vacinados! Você só conseguirá acessar suas redes sociais, Google, contas da Microsoft entre outras, se você digitar ou escanear o código que está no selo (da vacina). Uma forma eficiente e engenhosa de controlar todos”
Texto publicado no Facebook que, até as 18h do dia 08 de maio, tinha sido compartilhado 230 vezes.
Falso
Essa informação também é falsa. Trata-se de uma teoria da conspiração envolvendo outro projeto de pesquisa patrocinado pela Fundação Bill e Melinda Gates sobre os chamados quantum dots, ou “pontos quânticos”. Trata-se de um tipo de nanopartícula com propriedades físicas e químicas capaz de armazenar informações, mas que não existe em formato de selo sobre a pele e não funciona como vacina.
A pesquisa revelou que tais partículas poderiam ser utilizadas para registrar informações de vacinação dos pacientes, acessadas por meio de um celular. Seriam como uma marcação invisível no corpo, com informações sobre vacinação. Os testes não foram feitos em humanos e têm caráter apenas teórico. A proposta é encontrar formas de equalizar os registros de vacina, em especial dos países em desenvolvimento, a fim de melhorar as condições de imunização da população.
O bioengenheiro responsável pelo estudo, Kevin McHugh, afirmou em entrevista ao site Factcheck.org que não é possível utilizar este tipo de partícula com fins de obtenção de registro de localização. “Essas marcações requerem uma linha de visão direta de uma distância de menos de 30 centímetros”, explicou McHugh.

“Ai é onde entra o 5G, a nova tecnologia e suas milhares de antenas espalhadas em todo o mundo, será responsável por lhe monitorar 24 horas por dia, na China já funciona assim! Lá foi um pouquinho pior, pois o governo ditador confiscou todos os aparelhos telefônicos da população.”
Texto publicado no Facebook que, até as 18h do dia 08 de maio, tinha sido compartilhado 230 vezes.
Falso
Embora, de fato, existam preocupações legítimas sobre o possível uso da tecnologia 5G para monitoramento de pessoas, não só por governos, mas também por entidades privadas, a tecnologia 5G nem sequer está disponível em boa parte do território chinês. Embora tenha uma das maiores redes 5G do mundo, a cobertura ainda é limitada, principalmente, às maiores cidades do país.
Além disso, não há qualquer registro de que a China tenha confiscado os aparelhos telefônicos de toda sua população.
Teorias da conspiração similares às analisadas nessa checagem foram verificadas pelos sites Snopes, BuzzFeed News, Fact-Check.org e pela agência de notícias Reuters.
Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.
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Ítalo Rômany
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