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É falso que autoridades francesas estão sendo acusadas criminalmente por ‘proibir hidroxicloroquina’
11.07.2020 - 19h29
Rio de Janeiro - RJ
Circula pelas redes sociais um texto dizendo que o ex-primeiro-ministro da França, Edouard Philippe, e outras autoridades serão acusados criminalmente pela “PGR” [Procuradoria-Geral da República] daquele país. Segundo a legenda, eles teriam causado milhares de mortes ao proibir o uso da hidroxicloroquina em tratamentos contra o novo coronavírus oferecidos por médicos da família, liberando a sua aplicação apenas em hospitais, entre outras ‘incompetências durante a crise’. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
“A PGR francesa acusará o Ministério demitido sexta, incluindo o Ministro da Saúde e o agora ex-primeiro 1° Ministro Eduardo Filipe como responsáveis por MILHARES DE MORTES de Covid-19 por PROIBIR o uso de HIDROXICLOROQUINA pelos médicos da família do SUS francês e apenas permitir o uso em HOSPITAIS, entre outras Incompetências durante a crise”
Texto em post publicado no Facebook que, até as 11h de 10 de julho de 2020, tinha 128 compartilhamentos
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. O Tribunal de Justiça da República (Cour de Justice de la République, ou CJR, na sigla em francês), corte que pode julgar atos do governo, abriu uma investigação judicial para apurar a gestão da pandemia pelo ex-primeiro ministro Edouard Philippe, e pelos ex-ministros da Saúde Olivier Verán e Agnès Buzyn. Não há, no entanto, qualquer pronunciamento oficial do CJR dizendo que essa apuração envolve as restrições ao uso da hidroxicloroquina na França, que continuam em vigor.
A reportagem da BBC citada no post não fez nenhuma referência ao medicamento ao noticiar o caso. Veículos franceses também não citaram qualquer conexão entre a investigação e decisões oficiais sobre o uso dessa droga contra a Covid-19. Segundo Libération, Le Monde, L’Express e Le Figaro, foram recebidas 90 reclamações sobre o modo como governo conduziu a pandemia. Dessas, apenas nove foram aceitas. O teor das reclamações, no entanto, não foi divulgado pela CJR, nem noticiado pela imprensa.
No post que circula pelas redes sociais, o autor cita nos comentários uma reportagem do site Afrik, que supostamente revelaria que as autoridades francesas estariam sendo acusadas por proibir a hidroxicloroquina. Mas o texto apenas menciona o remédio e as restrições determinadas pelo governo ao relembrar o desenrolar da epidemia. Ou seja, não diz que essa se trata de uma das nove queixas analisadas pela CJR, muito menos afirma que as autoridades foram denunciadas criminalmente – o que ainda não ocorreu.
Trata-se, até o momento, de uma investigação em estágio inicial. O procedimento foi aberto oficialmente na última terça-feira (7). O ex-primeiro-ministro, que renunciou ao cargo em 3 de julho, afirmou que fornecerá todas as informações solicitadas para explicar as decisões tomadas durante a pandemia. A apuração está sendo conduzida pelo procurador-geral francês, François Molins.
O uso de hidroxicloroquina na França apenas em testes clínicos foi recomendado em 26 de maio pelo Conselho Superior de Saúde Pública. Essa orientação continua valendo, mesmo após Philippe ter deixado o cargo. O órgão concluiu que nenhum estudo científico havia comprovado a eficácia do medicamento, além de haver efeitos colaterais potencialmente graves. Até esta sexta-feira (10), morreram 29.886 pessoas de Covid-19 no país, que registrou 160.783 casos confirmados da doença.
Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.
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Maiquel Rosauro
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