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É falso que imagem ‘prova’ que primeira voluntária não tomou vacina contra Covid-19 em SP
22.07.2020 - 17h42
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais um vídeo que mostra a primeira voluntária recebendo a dose da vacina contra a Covid-19, produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan. O vídeo, de cerca de um minuto, está sendo compartilhado com legendas que dizem que a voluntária está fingindo tomar a vacina e que, portanto, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), estaria criando uma “farsa” com o anúncio dos testes. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:
“Gente é sério isso? No fim do procedimento a agulha está com o protetor? Eu vi isso? E cade o algodão? Me parece mais uma farsa do ditador cor de rosa”
Legenda de imagem publicada no Facebook que, até as 16h do dia 22 de julho de 2020, tinha sido compartilhada por mais de 8,1 mil pessoas
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. Embora o vídeo que circule nas redes seja, de fato, uma encenação, há outros registros que mostram o momento no qual a vacina é aplicada. Em vídeo publicado pelo portal UOL, é possível ver a agulha entrando na pele da médica Stefania Teixeira Porto, primeira voluntária brasileira a ser vacinada com a Coronavac – potencial vacina contra a Covid-19 que está sendo testada no Brasil. Em sua conta oficial no Flickr, a Secretaria de Comunicação do Governo de São Paulo (Secom) publicou foto que também mostra, de forma nítida, o momento da aplicação.
A cena foi filmada e fotografada duas vezes. Primeiro, a vacina de fato foi aplicada – como é possível ver nos vídeos e imagens citados acima. É importante reparar que, nesse momento, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), não aparece no quadro. Depois, a aplicação foi reencenada para fins de registro fotográfico, desta vez com a presença do governador na sala.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, por causa “dos protocolos de segurança e prevenção à Covid-19” só foi permitida a entrada na sala de profissionais de vídeo e fotografia da Secom durante a aplicação da vacina. Depois, “foi organizada uma simulação para os respectivos registros audiovisuais”.

Testes

Na terça-feira (21), a Coronavac começou a ser testada em São Paulo, no Hospital das Clínicas da USP. A vacina, que está sendo desenvolvida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, está na terceira fase de estudos clínicos. Ao todo, nove mil profissionais de saúde, em vários estados do Brasil, serão voluntários nesse teste. O Instituto Butantan, do governo paulista, assinou acordo para produzir a vacina no Brasil caso ela se mostre segura e eficaz contra a Covid-19.
Entre os recrutados, metade receberá duas doses da vacina num intervalo de 14 dias e a outra metade receberá duas doses de placebo, ou seja, sem efeito. Essas pessoas serão monitoradas pelos centros de pesquisa por meio de exames. A estimativa é de concluir todo o estudo em até três meses.
Além da Coronavac, a ChAdOx1 nCoV-19, outra candidata a vacina contra a Covid-19 que está sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca, também está sendo testada no Brasil. Nesta terça-feira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou testes de uma terceira vacina no país, a BNT162 da farmacêutica Pfizer.
A Lupa já fez uma checagem similar. No início de julho, circulou um boato de que a “primeira-ministra da Austrália” teria fingido tomar a vacina desenvolvida pelo laboratório norte-americano Novavax contra o novo coronavírus. Na verdade, o vídeo que circulava nas redes sociais mostrava a primeira-ministra do estado australiano de Queensland tomando vacina contra gripe. Assim como neste caso, a cena foi repetida a pedido de um fotógrafo, para captar melhores imagens.
Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.
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Gabriela Soares
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