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CNN não noticiou que Moro recebia propina para ‘deter processos’ de doleiro na Lava Jato
24.08.2020 - 19h03
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais que a CNN Brasil revelou que o ex-juiz Sérgio Moro recebia cerca de R$ 50 mil por mês para atrasar os processos do doleiro Dario Messer, na Operação Lava Jato, para que ele não fosse preso. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:
“A CNN acaba de noticiar para todo o brasil. Sergio Morro recebia cerca de 50 mil por mês pra deter os processos do doleiro para ele não ser preso. E agora juizéco? #MOROPROPINA”
Legenda de imagem publicada no Facebook que, até as 16h do dia 24 de agosto de 2020, tinha sido compartilhada por mais de 670 pessoas
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. Em 13 de agosto, a CNN noticiou que o doleiro Dario Messer acusou o subprocurador da República Januário Paludo, ex-integrante da Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba, de receber cerca de US$ 50 mil por mês para protegê-lo das investigações. Não há nenhuma citação ao ex-juiz e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro, responsável por julgar as ações apresentadas pela operação em Curitiba até 2018. Paludo nega as acusações.
Dario Messer foi condenado pela Justiça Federal a 13 anos e 4 meses de reclusão na semana passada, por participação em um esquema de tráfico de pedras preciosas no mercado negro revelado pela Operação Marakata, desdobramento da Lava Jato no Rio. A homologação da delação premiada foi feita pelas 2ª e 7ª Varas Federais Criminais, e prevê a recuperação de até R$ 1 bilhão aos cofres públicos.
A reportagem da CNN menciona ainda que a denúncia de que o subprocurador recebeu propina foi descartada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A denúncia, portanto, acabou não entrando no acordo final de delação premiada do doleiro. À CNN, o órgão disse que “não comenta assuntos relacionados a acordos de colaboração”.
O subprocurador Januário Paludo, em nota enviada à emissora, informou que a PGR e a Corregedoria-Geral do Ministério Público Federal se pronunciaram pelo arquivamento da denúncia por ser ela “absolutamente infundada”. “A leitura da mensagem de Messer leva a crer que nem ele sabia a quem estava se referindo e que a conversa estava inserida em um contexto de obtenção de vantagens entre doleiros em detrimento do próprio grupo que faziam parte. Da minha parte, não recebi vantagem alguma e refuto qualquer insinuação nesse sentido”, complementa.
Em novembro do ano passado, o UOL publicou uma reportagem que revelava mensagens interceptadas pela Polícia Federal de Dario Messer, trocadas com a namorada, no qual afirmava o pagamento de propinas ao subprocurador. “Sendo que esse Paludo é destinatário de pelo menos parte da propina paga pelos meninos todo mês”, dizia a diálogo. Os “meninos” citados por Messer, segundo a Polícia Federal, eram Claudio Fernando Barbosa de Souza, o Tony, e Vinicius Claret Vieira Barreto, o Juca. Ambos trabalharam com Messer em operações de lavagem de dinheiro investigadas pela Lava Jato do Rio.
Na ocasião, a Operação Lava Jato, em Curitiba, publicou nota repudiando as suposições. “O doleiro Dario Messer é alvo de investigação na Lava Jato do Rio de Janeiro, razão pela qual não faz sequer sentido a suposição de que um procurador da força-tarefa do Paraná poderia oferecer qualquer tipo de proteção”, dizia o texto.
Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.
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