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É falso que Covid-19 significa ‘certificado de identificação da vacinação com inteligência artificial’
01.09.2020 - 18h42
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais um vídeo gravado por um médico italiano identificado como Dr. Roberto Petrella. Na gravação, o profissional afirma que a sigla Covid-19 seria um nome para um plano internacional de controle da população. Ele também diz que cerca de 90% das pessoas testadas terão resultado positivo para a doença e que a França teria imposto testagem obrigatória em todas as escolas.  Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
“Italianos, atenção. Covid-19 significa certificado de identificação da vacinação com inteligência artificial e 19 é o ano que foi criado. Covid-19 não é o nome do vírus. É o nome do plano internacional de controle e a redução da população”
Trecho de vídeo publicado no Facebook que, até o dia 1º de setembro, tinha sido compartilhada por 8,6 mil pessoas.
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. A Organização Mundial da Saúde (OMS) possui um manual de boas práticas para a nomeação de novas doenças que afetam seres humanos. O documento foi publicado em 2015 em colaboração com a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) e com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Seguindo estes termos, o nome Covid-19 é uma abreviação para as palavras em inglês “CoronaVirus” (Covi) e “Disease” (d), traduzido como “doença do coronavírus”.
O número 19 está relacionado com o ano em que este tipo de vírus foi identificado, e não criado. Diversos estudos já comprovaram que, assim como outros patógenos, o novo coronavírus tem origem natural e não foi desenvolvido artificialmente em laboratório.
Além disso, segundo a OMS, o nome do vírus que causa a Covid-19 (SARS-Cov-2) é uma sigla para as palavras em inglês “severe acute respiratory syndrome coronavirus 2”, ou síndrome respiratória aguda grave 2. Até hoje, ao menos sete tipos de coronavírus que afetam seres humanos já foram identificados desde a década de 1960. O nome do novo coronavírus foi escolhido por sua semelhanças genéticas com o vírus que provocou um surto de SARS em 2002, o SARS-CoV.
Roberto Petrella é um médico italiano conhecido por se posicionar ativamente contra a vacinação compulsória contra o vírus HPV. Em 2019, ele foi expulso da Ordem dos Médicos de Teramo, na Itália. Diversas agências de checagem internacionais já verificaram trechos deste vídeo (aqui e aqui) e de outros conteúdos produzidos por ele, incluindo as italianas Open e Bufale.net.

“As pessoas testadas aparecem cada vez mais positivos nos testes. Cerca de 90% vão dar positivo”
Trecho de vídeo publicado no Facebook que, até o dia 1º de setembro, tinha sido compartilhada por 8,6 mil pessoas.
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. De acordo com dados disponíveis no site Our World In Data, a taxa de testes de Covid-19 com resultado positivo raramente ultrapassou 50% nos países. A “taxa positiva” é calculada a partir da divisão do número de resultados positivos pelo número total de testes. É uma forma de calcular, por exemplo, se um país está realizando testagens suficientes para ser assertivo na avaliação do impacto que a doença teve no local.
Apesar da grande diferença na forma e quantidade de testes realizados em cada país, em nenhum caso avaliado este número chegou a 90%. Países como Austrália, Coréia do Sul e Uruguai têm uma taxa de testes positivos de cerca de 1%. No caso de Argentina, México este número já chegou a ultrapassar os 50%. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma taxa menor de 5% que permaneça por duas semanas é um indicador de que a pandemia está sobre controle em um país.

“No dia 11 de maio, nenhuma televisão, nem jornal, ou transmissão italiana/Berlusconi difundiu a notícia anunciou que na França testes em massa estavam sendo IMPOSTOS em todas as escolas. Foram cerca de 700 mil testes por semana! No entanto, infelizmente ninguém deu essa notícia”
Trecho de vídeo publicado no Facebook que, até o dia 1º de setembro, tinha sido compartilhada por 8,6 mil pessoas.
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. O número citado pelo médico italiano se refere a testagens da população francesa em geral, e foi amplamente divulgado por meios de comunicação italianos na época.
No dia 28 de abril, o então primeiro-ministro francês Edouard Philippe anunciou os planos do governo de realizar 700 mil testes por semana a partir do dia 11 de maio, data em que o país aliviou as medidas de isolamento social e reabriu as escolas. Contudo, o esforço da testagem em massa englobava toda a população, e não somente instituições de ensino.
De acordo com o protocolo sanitário de reabertura das escolas do governo da França, apenas o uso de máscaras seria compulsório para crianças acima de 11 anos. Além disso, pela lei do país, nenhuma escola poderia ser autorizada a testar ou vacinar crianças sem o consentimento dos pais.
Também é falso que nenhuma rede italiana de notícias tenha noticiado as decisões tomadas pelo governo francês. O anúncio do primeiro ministro sobre a reabertura das escolas foi noticiado pela rede estatal de televisão e rádio Radiotelevisione Italiana (RAI); pelos maiores jornais do país, o La Repubblica e o Corriere Della Sera; e por outros portais de notícias (aqui, aqui, aqui e aqui).
Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.
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Gabriela Soares
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