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É falso que adjuvantes de vacinas causem doenças
26.10.2020 - 18h22
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais o vídeo em que um enfermeiro faz uma série de declarações sobre o método de desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19, principalmente sobre a CoronaVac, produzida pela parceria entre a farmacêutica chinesa Sinovac Biotech e o Instituto Butantan. São afirmações sobre a administração de placebo, adjuvantes e outras tecnologias empregadas no processo de produção do imunizante. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
“Os adjuvantes podem causar Alzheimer, podem causar fibromialgia, podem causar uma série de fatores de doenças”
Trecho de vídeo compartilhado no YouTube que, até às 16h30 do dia 26 de outubro de 2020 já tinha mais de 3 mil visualizações
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. Os adjuvantes de vacinas são substâncias, ou combinações de substâncias, usadas em combinação com um antígeno de vacina para aumentar a sua eficácia. Antígenos são substâncias estranhas ao corpo e que provocam a produção de anticorpos – no caso das vacinas por vírus inativado, por exemplo, o próprio vírus é o antígeno.
“Não existe evidência científica de que os adjuvantes causem Alzheimer ou fibromialgia”, informou a assessoria da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vinculada ao Ministério da Saúde, à Lupa, por e-mail.

“Eles [do Instituto Butantan] pegam o adenovírus, pegam a proteína do coronavírus, e colocam nesse adenovírus”Trecho de vídeo compartilhado no YouTube que, até às 16h30 do dia 26 de outubro de 2020 já tinha mais de 3 mil visualizações
Falso
O Instituto Butantan e a Sinovac não empregam a tecnologia de adenovírus vetor no desenvolvimento da vacina CoronaVac. Essa vacina está sendo desenvolvida a partir do meio de vírus inativado, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O procedimento consiste em multiplicar o vírus da Covid-19 em células e inativá-las por meio de um processo químico. O sistema imune reage, produzindo anticorpos contra esse “invasor” e armazenando células que produzirão mais anticorpos no caso de uma tentativa de infecção pelo vírus. A mesma tecnologia foi empregada na produção das vacinas contra pólio e sarampo, de acordo com o Instituto Butantan.
Outras vacinas, como a ChAdOx1 nCoV-19, produzida pela Astrazeneca e Universidade de Oxford e a Ad26.COV2.S, desenvolvida pela farmacêutica belga Janssen-Cilag, são feitas a partir dessa tecnologia.

“O placebo não é capaz de matar uma pessoa, mas um teste de uma vacina [a CoronaVac] sim”
Trecho de vídeo compartilhado no YouTube que, até às 16h30 do dia 26 de outubro de 2020 já tinha mais de 3 mil visualizações
Falso
Antes de qualquer vacina ser administrada a centenas e milhares de pessoas, os riscos e a segurança dela já foram avaliadas nas etapas anteriores, como disse à Lupa a assessoria da Fiocruz, por e-mail. As avaliações que também estão sendo feitas da CoronaVac no Brasil, com apoio do Instituto Butantan, estão na terceira e última fase.
Os resultados de testes pré-clínicos com macacos foram publicados pela revista Science e mostraram boa resposta da vacina sobre o novo vírus. As conclusões das duas fases de testes com humanos já realizadas estão disponíveis em versão pré-print na plataforma MedRvix, mas ainda não foram publicados por nenhuma revista científica.
Na segunda fase de testes, com 600 voluntários, a vacina foi capaz de gerar resposta imunológica em mais de 90% dos pacientes. Apenas três tiveram reações adversas severas, nenhuma delas relacionada à vacina, e nenhuma morte.
Vale pontuar que, de fato, morreu um voluntário dos testes da vacina que está sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford com a farmacêutica Astrazeneca. Segundo reportagem da TV Globo, ele teria recebido o placebo – e não o imunizante em desenvolvimento. Contudo, obviamente, a morte não foi causada pelo placebo. O voluntário contraiu a doença em seu trabalho, e morreu em decorrência dela.
A Lupa já havia desmentido declarações feitas pelo mesmo enfermeiro sobre o suposto cancelamento de pesquisas sobre as vacinas contra a Covid-19. Confira a verificação aqui.
Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.
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Gabriela Soares
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