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É falso que a empresa Dominion deletou 2,7 milhões de votos para Trump
13.11.2020 - 19h29
Rio de Janeiro - RJ
Circula pelas redes sociais que uma empresa chamada Dominion, responsável por produzir sistemas eletrônicos de votação, teria excluído da apuração 2,7 milhões de votos para o presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Essa informação foi compartilhada pelo próprio Trump e, no Brasil, pela deputada federal Bia Kicis (PSL-DF). Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:
“Relatório: Dominion excluiu 2,7 milhões de votos para Trump em todo o território nacional [dos Estados Unidos]. Análise de dados encontra 221.000 votos da Pensilvânia mudados do presidente Trump para Biden. 941.000 votos para Trump excluídos. Os estados que usam sistemas de votação Dominion mudaram 435.000 votos de Trump para Biden”
Texto em imagem publicada pela deputada Bia Kicis (PSL-DF) no Facebook, que, até 17h30 de hoje, tinha 24 mil compartilhamentos.
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. Não há evidências de que os votos das eleições dos Estados Unidos tenham sido excluídos ou trocados, e o próprio instituto citado como “fonte” nega a existência do relatório. Além disso, os números são matematicamente impossíveis. Na Pensilvânia, a Dominion atende 14 condados que produziram 1,3 milhão de votos. Destes, 676 mil foram para Trump. Ou seja, a soma de votos contabilizados para o atual presidente e de votos supostamente “excluídos” é maior do que o total.
A “análise” partiu do canal One America News Network que, por sua vez, atribuiu a informação ao instituto de pesquisa Edison Research. Em entrevista ao site The Dispatch, o próprio presidente da Edison, Larry Rosin, disse que a companhia “nunca criou qualquer relatório [sobre a Dominion] e não está ciente de nenhuma fraude eleitoral”.
A fonte real dessas informações, segundo o site de checagem Politifact, é um site chamado TheDonald.win, conhecido nos Estados Unidos como uma fonte de informações falsas sobre Covid-19.
A alegação de troca e exclusão de votos também foi negada pela Dominion em uma nota publicada no site da empresa. A empresa afirma que a alegação de que 941 mil votos foram excluídos no estado da Pensilvânia é matematicamente impossível. Na localidade, a Dominion atende a 14 condados, que produziram 1,3 milhão de votos, com participação eleitoral de 76%. Entre esses votos, 52% foram para Trump. Com isso, foram processados 676 mil votos para o presidente no estado. “Nunca houve 941.000 votos para ‘excluir’”, diz a empresa.
De acordo com o The New York Times, a Dominion é uma empresa que fabrica máquinas usadas para contagens de votos e o software que auxilia a acompanhar os resultados. O software da Dominion foi usado em dois entre cinco condados que apresentaram problemas nos estados de Michigan e Georgia. Porém, em nenhum desses casos, o programa afetou a contagem de votos.
Os problemas que surgiram em três condados da Geórgia tiveram outras causas. Em um deles, um problema aparente do software atrasou os registros sobre a contagem, mas não influenciou no resultado dos votos. Em dois outros condados, o software de outra empresa reduziu a capacidade de registro de dados de eleitores.
Após a publicação de Trump, um comunicado divulgado por autoridades eleitorais federais e estaduais americanas defendeu que essa eleições foram “as mais seguras da história americana” e que não há evidências de votos perdidos, deletados, trocados ou comprometidos de qualquer maneira.
A Lupa procurou a deputada Bia Kicis, que não respondeu.
Essa informação também foi checada pela AP Fact Check, pelo Snopes e pelo BuzzFeed News.
Nota: esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.
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Gabriela Soares
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