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É falso que vacinas não são necessárias para controlar pandemias
01.12.2020 - 12h08
Rio de Janeiro - RJ
Circula pelas redes sociais uma publicação com trechos traduzidos de um artigo escrito por Mike Yeadon, ex-vice-presidente e cientista-chefe de Alergia e Biologia Respiratória da farmacêutica Pfizer. O texto foi publicado originalmente no site Lockdown Sceptics. Nele, Yeadon diz, entre outras coisas, que vacinas não são necessárias, que a pandemia causada pelo novo coronavírus supostamente acabou e que o trabalho feito pelo Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas (em inglês, Strategic Advisory Group of Experts, ou Sage) da Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate à Covid-19 partiu de premissas erradas. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação:
“Não há absolutamente nenhuma necessidade de vacinas para extinguir a pandemia”
Trecho de texto escrito por Mike Yeadon, publicado no site Anonymous Incision, que circula no WhatsApp e teve mais de 8,5 mil compartilhamentos no Facebook
Falso
A informação é falsa. No Brasil, por exemplo, a vacinação contribuiu para erradicar a febre amarela urbana em 1942, a varíola em 1973 e a poliomielite em 1989, controlou o sarampo, o tétano neonatal, as formas graves da tuberculose, a difteria, o tétano acidental e a coqueluche, segundo relatório do Programa Nacional de Imunizações (PNI), da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
A publicação menciona também a importância da imunização no controle da rubéola e da síndrome da rubéola congênita, da hepatite B, das infecções por influenza tipo b e suas complicações nos idosos e, por fim, das infecções pneumocócicas. A vacinação, ao contrário do que diz a declaração, é a forma mais segura e eficaz de prevenir doenças, segundo a OMS. E, portanto, necessária para a erradicação, eliminação e controle das doenças imunopreveníveis no Brasil, afirma o Instituto de Tecnologia em Imunobiologia Bio-Manguinhos, da Fiocruz.
O Brasil atualmente testa quatro vacinas contra a Covid-19: a ChAdOx-1, desenvolvida pela Universidade de Oxford com a farmacêutica britânica AstraZeneca;  a CoronaVac, da farmacêutica chinesa Sinovac Biotech; uma imunização da Pfizer com o laboratório alemão Biotech; e a Ad26.Cov2.S, do laboratório belga Janssen.

“[Um erro de avaliação do Sage foi presumir que] 100% da população era suscetível ao vírus e que não existia imunidade pré-existente”
Trecho de texto escrito por Mike Yeadon, publicado no site Anonymous Incision, que circula no WhatsApp e teve mais de 8,5 mil compartilhamentos no Facebook
Ainda é cedo
Existem suspeitas de que pessoas que contraíram outros tipos de coronavírus ao longo da vida podem ser imunes à Covid-19. Contudo, ainda não há consenso científico sobre esse assunto. Pesquisas publicadas pelas revistas Science, Nature e Cell mostraram que as células T de pacientes que contraíram vírus semelhantes ao SARS-CoV-2 reagiam também ao novo vírus. Essas células fazem parte do sistema imunológico, e são uma das principais responsáveis pela imunidade de longo prazo. Contudo, nenhum desses estudos comprovou que isso representa, necessariamente, que essas pessoas estão imunes, e em qual grau. Em agosto, a Lupa publicou reportagem sobre esse assunto no projeto Lupa na Ciência.
O SARS-CoV-2, vírus responsável pela Covid-19, é um de sete coronavírus conhecidos capazes de infectar seres humanos. Quatro deles causam sintomas semelhantes a um resfriado comum, e são muito menos letais que o novo coronavírus. Uma parcela significativa da população humana já teve contato com esses organismos.
Outros dois, o SARS-Cov e o MERS-Cov, surgiram nos últimos 20 anos, e são consideravelmente mais letais que o SARS-Cov-2. Contudo, o número de pessoas que já foram infectadas por esses vírus, que são mais similares ao vírus responsável pela Covid-19 do que os chamados coronavírus comuns, é insignificante: cerca de 8 mil no primeiro caso e 2,5 mil no segundo. Não há casos registrados de SARS desde 2004 e de MERS desde o ano passado.

“A pandemia acabou efetivamente”
Trecho de texto escrito por Mike Yeadon, publicado no site Anonymous Incision, que circula no WhatsApp e teve mais de 8,5 mil compartilhamentos no Facebook
Falso
Nos últimos meses, vários países europeus têm visto o número de casos de Covid-19 aumentar. No Reino Unido, por exemplo, 105.202 novos casos foram confirmados na última semana, período em que o país registrou 3.494 mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde. Nos Estados Unidos foram mais de 1,1 milhão de novos casos e mais de 10 mil pessoas mortas na última semana. No Brasil foram quase 237,5 mil novos casos e mais de 3,5 mil mortes no mesmo período. Dados do Reino Unido, Estados Unidos e Brasil, por exemplo, mostram aumento do número de casos e mortes e não, portanto, que a pandemia “efetivamente acabou”.
Esse conteúdo também foi verificado por Boatos.org.
Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.
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