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É falso que vice-presidente eleita dos EUA fingiu tomar vacina contra a Covid-19
05.01.2021 - 16h45
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais um vídeo que mostra a vice-presidente eleita dos Estados Unidos, Kamala Harris, sendo vacinada contra a Covid-19. A publicação sugere que se trata de uma encenação, já que, no final do ato, a enfermeira “dobra” a agulha. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:
“Se eles fingem tomar [a vacina da Covid-19] eu é que não vou”
Legenda de imagem publicada em post do Facebook que, até as 16h de 5 de janeiro de 2021, tinha mais de 810 compartilhamentos
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. O vídeo que circula nas redes sociais foi publicado no jornal The New York Times, em 29 de dezembro, e mostra o exato momento em que a vice-presidente eleita dos Estados Unidos, Kamala Harris, recebe o imunizante contra a Covid-19 da empresa Moderna. Outros veículos internacionais, como o The Guardian, CNN e Los Angeles Times também publicaram registros com a cena. Em sua conta oficial no Twitter, Kamala Harris publicou um vídeo que mostra, por outro ângulo, o momento que recebe a vacina. É possível ver o momento no qual a agulha penetra a pele da vice-presidente eleita.
A seringa usada na ocasião aparenta “dobrar” no vídeo. Contudo, trata-se apenas de uma ilusão de ótica. O que dobra, na verdade, é um mecanismo de segurança do instrumento, e não a agulha. Esse tipo de seringa está entre os formatos recomendados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, ver página 14). É possível ver a imagem da agulha e do dispositivo de segurança no momento da aplicação em Kamala Harris aqui, aqui e aqui.
Esse mecanismo de proteção reduz a probabilidade de acidentes envolvendo agulhas durante a aplicação e o descarte de seringas. Um vídeo publicado por uma das empresas explica o passo a passo do funcionamento desse mecanismo. Após a aplicação do imunizante, é preciso ativar o mecanismo de segurança, assim como ocorre no vídeo que circula nas redes sociais, para que a agulha permaneça presa no interior do protetor ativado e não cause problemas.
O manual de uso do dispositivo de uma das fabricantes, que consta no documento da CDC, explica que é preciso empurrar a tampa de segurança para frente sobre a agulha até “ouvir ou sentir o travar”. O descarte deve ser feito após o uso único em um recipiente aprovado para perfurocortantes de acordo com os regulamentos aplicáveis e a política institucional.
Os Estados Unidos autorizaram em dezembro o uso emergencial das vacinas desenvolvidas pela Pfizer/BioNtech e pela Moderna. As duas utilizam a tecnologia RNA, que introduz uma sequência de mRNA (a molécula que ‘diz’ às células o que construir) no organismo. Essa sequência é então codificada para um antígeno específico da doença — uma substância que pode ser reconhecida pelo organismo como o vírus ativo ou parte dele, e pode gerar uma resposta imune do organismo. Uma vez produzido no corpo, o antígeno é reconhecido pelo sistema imunológico, que prepara defesas. Essas mesmas defesas podem ser usadas, posteriormente, contra o vírus real, em caso de contágio. Não há qualquer interação entre o mRNA do vírus e o DNA do núcleo das células humanas.
O presidente eleito Joe Biden recebeu em dezembro a primeira dose do imunizante da Pfizer/BioNtech contra a Covid-19. O atual vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, também foi imunizado em dezembro.
Checagem similar foi feita pela Open, na Itália. No Brasil, a informação foi desmentida pelo Boatos.org e Fato ou Fake.
Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.
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Ítalo Rômany
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