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É falso que vacinas contra Covid-19 causaram a morte de 181 pessoas nos Estados Unidos
05.02.2021 - 19h21
Rio de Janeiro - RJ
Circula pelas redes sociais que vacinas contra a Covid-19 causaram a morte de 181 pessoas nos Estados Unidos. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:
“181 americanos morreram em razão das vacinas contra covid em apenas duas semanas”
Texto em post publicado no Facebook que, até as 15h30 do dia 5 de fevereiro de 2021, tinha sido compartilhado 121 compartilhamentos
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. Até o momento, não foi registrada nenhuma morte causada por vacina contra a Covid-19 nos Estados Unidos. O relatório mais recente do Sistema de Notificações de Reações Adversas a Vacinas (Vaers, na sigla em inglês), administrado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e pelo Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, indica que até 18 de janeiro foram registrados 197 óbitos por causas diversas de pessoas que tomaram a vacina. Essas mortes, diz o relatório, “não devem ser assumidas como causalmente relacionadas à vacinação” (página 33).  O relatório foi divulgado em 27 de janeiro.
A maior parte dos óbitos registrados no período — 129 — ocorreu entre residentes de centros de cuidados intensivos, como lares para idosos, por exemplo, onde a taxa de mortalidade é alta em razão da idade ou de comorbidades. Isso quer dizer, de acordo com o documento, que apesar da vacinação, a morte dessa população por diferentes causas é um evento esperado. O Vaers também documentou mortes de pessoas que moram em residências comunitárias e têm menos de 65 anos: 28 no total. Dentre esses casos, 11 tiveram a autópsia concluída e o exame indicou, na maioria das vezes, problemas cardíacos.
Esses dados foram rastreados pelo V-safe, um aplicativo de monitoramento criado pelo CDC por meio do qual pessoas que foram vacinadas podem trocar mensagens, receber lembretes e fornecer informações sobre eventuais reações pós-vacina.
Em 22 de janeiro, um subcomitê sobre segurança de vacinas da Organização Mundial da Saúde (OMS) se reuniu para revisar dados sobre mortes relatadas em idosos que receberam a vacina da Pfizer, especificamente. A conclusão foi que, a partir das informações disponíveis até o momento, não há qualquer aumento inesperado ou desfavorável de fatalidades em idosos após a vacina. “Os relatos estão de acordo com as taxas esperadas de mortalidade por todas as causas na população de idosos frágeis, e as informações disponíveis não confirmam um papel contributivo da vacina nos eventos fatais relatados”.

Vacinação nos Estados Unidos começou em dezembro

Os norte-americanos começaram a ser vacinados em 14 de dezembro do ano passado, quando foram aplicadas as primeiras doses do imunizante desenvolvido pela Pfizer-BioNTech. De lá para cá, 35,2 milhões de doses já foram aplicadas, incluindo as da vacina da Moderna, também aprovada para uso emergencial no país em dezembro de 2020.
Em 15 de janeiro, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças publicou um primeiro relatório sobre as reações alérgicas registradas após a primeira dose da vacina da Pfizer-BioNTech, aplicadas entre os dias 14 e 23 de dezembro. Segundo o estudo, entre 1.893.360 pessoas que receberam a fórmula, 4.393 tiveram reação alérgica. Dessas, 175 relataram casos graves, incluindo anafilaxia. Nenhuma morte foi registrada.
Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.
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