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É falso que 52 municípios zeraram mortes por Covid-19 depois que adotaram ‘tratamento precoce’
07.04.2021 - 19h42
Rio de Janeiro - RJ
Circula por grupos de WhatsApp uma lista de 52 cidades brasileiras onde supostamente não foi registrada nenhuma morte pelo novo coronavírus. O conteúdo sugere que esse resultado se deve à adoção do tratamento precoce com os medicamentos ivermectina e hidroxicloroquina. O texto não informa a data desses dados e nem a fonte. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
Conteúdo que circula em grupos de WhatsApp
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa.  De acordo com dados do SUS Analítico, plataforma que reúne dados sobre a Covid-19 no Brasil, 123 mortes por Covid-19 foram registradas no dia 6 de abril, em 25 dos 50 municípios listados na corrente de WhatsApp — a lista repete os nomes de duas cidades, Uberlândia (MG) e Taquara (RS). Não procede, portanto, a informação de que todas essas localidades zeraram o número óbitos pelo novo coronavírus. Em algumas delas, a quantidade de óbitos novos registrados na última terça-feira foi inclusive igual ou maior do que 20 pessoas, como em Santa Maria (RS), com 24 falecimentos; Natal (RN), 23; e Vila Velha (ES), onde 20 pacientes morreram.
Todas as cidades tiveram mortes por Covid-19 ao longo da pandemia. Em média, os municípios citados tiveram 176 mortes por cada 100 mil habitantes, proporção ligeiramente mais alta que a do Brasil como um todo — de 166 por cem mil. Em quatro delas, Itajubá (MG), Potirendaba (SP), Foz do Iguaçu (PR) e Governador Valadares (MG), o número de mortes supera 250 por cem mil.
Dentre as 25 cidades que não registraram nenhum óbito, apenas oito não tiveram novos casos nessa data: Rancho Queimado (SC), Armação dos Búzios (RJ), São Lourenço (MG), Cristal (RS), São Pedro dos Crentes (MA), Lupionópolis (PR), São Pedro do Paraná (PR), Orizona (GO). Isso não quer dizer, no entanto, que esses municípios não tenham casos da doença. Rancho Queimado, por exemplo, tinha dois casos ativos e seis suspeitos de Covid-19 no dia 6 de abril. Já o município mineiro de São Lourenço contava com nove pacientes internados na UTI.
Embora não tenham sido registrados novos óbitos provocados pela Covid-19 em parte das cidades da lista, não é possível afirmar que isso se deve ao tratamento precoce com a ivermectina e a hidroxicloroquina. Esses medicamentos não têm comprovação de sua eficácia (páginas 25 e 36) contra a doença e não são recomendados por entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).
Em Chapecó, por exemplo, a Lupa mostrou que o número de casos aumentou significativamente no município do Oeste de Santa Catarina depois da adoção do chamado tratamento precoce. Em 5 de janeiro, o prefeito da cidade, João Rodrigues (PSD), determinou o fornecimento desses medicamentos e relaxou medidas de distanciamento social. Na época, Chapecó tinha 645 casos ativos. Dois meses depois, em 5 de março, eram mais de 5 mil casos ativos. O número de casos e mortes passou a baixar após a implementação de regras de isolamento social por parte do governo catarinense.
Outro exemplo é a capital do Rio Grande do Norte, Natal. Em 23 de fevereiro, a infectologista Marisa Reis, integrante do Comitê Científico do estado, informou que 90% dos pacientes de UTI naquela ocasião usaram ivermectina, fórmula usada contra piolhos que, segundo a OMS, não ajuda a prevenir ou tratar a doença. De acordo com o SUS Analítico, no dia 6, Natal tinha 1.881 óbitos acumulados. Em março, o Ministério Público do RN abriu uma investigação contra o prefeito, Álvaro Dias (PSDB), pela distribuição desse medicamento.
Esse conteúdo também foi verificado pelo Boatos.org.
Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.
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Gabriela Soares
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