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Lupa
É falso que diretor-geral da PF tuitou que STF, Lula ‘e outros’ planejaram matar Bolsonaro
19.04.2021 - 15h33
Rio de Janeiro - RJ
Circula pelas redes sociais um vídeo em que a jornalista Leda Nagle lê alguns tuítes atribuídos ao novo diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino. Nas mensagens, ele teria dito que o Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e “outros” tiveram a ideia de matar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele promete dar detalhes “nos próximos dias”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
“Partiu daqui [foto do STF] em conjunto com @LulaOficial e outros a ideia de matar BOLSONARO, Por enquanto não posso dizer muito,mas vocês saberão…quem quiser pensar que é falsa a informação,fiquem a vontade,nós próximos dias saberão de muitas coisas! Deus abençoe vocês”
Tuíte atribuído ao delegado-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, reproduzido em vídeo que circula pelo Facebook
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. A conta @d_delegado, que publicou as mensagens lidas por Leda Nagle, não pertence ao diretor-geral da PF, Paulo Maiurino. Trata-se de um perfil falso, que já foi excluído da plataforma. A assessoria de imprensa da PF afirmou, em nota, que a conta verdadeira de Maiurino é @PMaiurino. Até a publicação desta checagem, ele não havia feito nenhum post na rede social. “Sobre as investigações do caso do atentado ao então candidato à Presidência Jair Bolsonaro, cumpre lembrar que os inquéritos foram devidamente concluídos e enviados à Justiça Federal”, diz o texto enviado pela PF. Dois inquéritos foram realizados sobre o caso. No primeiro e no segundo, a PF concluiu que Adélio Bispo de Oliveira agiu sozinho e não houve mandantes.
Ao ler as mensagens, a jornalista Leda Nagle não mostrou o endereço de onde se originaram. Por meio de uma busca no Google com o texto de um dos tuítes, foi possível descobrir que se tratava do perfil @d_delegado. Embora a conta tenha sido excluída, várias das mensagens publicadas por ela estão gravadas no serviço WayBack Machine. Há 19 textos arquivados, que foram postados entre os dias 13 e 15 de abril deste ano. A própria conta foi criada em abril e aparentemente tinha o objetivo de aplicar um golpe em apoiadores de Bolsonaro.
Além de usar indevidamente o nome do diretor-geral da PF, o perfil procurou atrair a confiança dos apoiadores com mensagens elogiosas ao governo. Em um dos primeiros posts, diz que foi a quarta vez que tentaram derrubar a sua conta no Twitter. “Recebi 16 ameaças de morte via e-mail, várias mensagens aqui no Twitter, entre outras coisas, isso porque não quero e não posso ser IMPARCIAL, vocês querendo ou não eu sou a favor do @jairbolsonaro. Aos que ameaçaram, eu sei onde estão”, escreveu. Ele também distribuiu “joinhas” para uma thread de Bolsonaro e para um post do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Em seguida, fez as acusações contra Lula, o STF e outros.
Depois de defender o presidente Jair Bolsonaro e de criticar a esquerda, o perfil tentou aplicar um golpe nos seguidores. Em uma das últimas mensagens, de 15 de abril, a conta pediu doações em dinheiro para a entrega de 2,5 mil cestas básicas para 1,5 mil famílias em seis estados. “Se você puder ajudar, me chame no privado!”, escreveu. Pouco depois, reforçou a solicitação, indicando a suposta urgência do pedido. Isso é comum em fraudes aplicadas pela internet, pois estimula as vítimas a tomarem a decisão sem refletir sobre a possibilidade de ser um golpe. “Precisamos urgentemente para hoje!”, disse. Na última mensagem arquivada pelo WayBack Machine, ele voltou a declarar apoio a Bolsonaro e a criticar a esquerda.
Leda Nagle lamentou o ocorrido e publicou um pedido de desculpas em sua conta no Instagram nesta segunda-feira (19). Segundo ela, os tuítes foram lidos no sábado (17) no Clube da Notícia, uma área fechada do seu canal onde os integrantes compartilham notícias e trocam mensagens que circulam nas redes sociais. Os posts são checados coletivamente. “Algum membro do grupo, por má fé ou porque ficou impactado pela notícia, pinçou um trecho de 2 minutos de uma live de 47 minutos e viralizou antes mesmo que eu tivesse voltado com a checagem completa da informação, até porque não tem live no domingo e isto só aconteceria às 20 horas de hoje na live aberta de toda segunda-feira”, escreveu.
Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.
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Gabriela Soares
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