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Vídeo da GloboNews é tirado de contexto para atacar urnas eletrônicas brasileiras
18.05.2021 - 18h29
Rio de Janeiro - RJ
Circula pelo WhatsApp um vídeo que mostra jornalistas do programa Estúdio I, da GloboNews, comentando sobre urnas eletrônicas. Eles afirmam que os equipamentos teriam sido hackeados em menos de duas horas em um evento nos Estados Unidos. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
“Todas as urnas rackeadas (sic) em menos de duas horas”
Texto que acompanha vídeo que circula pelo WhatsApp
Falso
O vídeo analisado pela Lupa é de 2017 e foi editado de forma a sugerir que as urnas eletrônicas brasileiras não são seguras. Um trecho que foi excluído dizia que “não se sabe” se equipamentos brasileiros foram hackeados no evento. Posteriormente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que nenhuma máquina brasileira foi testada na ocasião, e que os modelos hackeados são diferentes dos usados aqui, usados somente nos Estados Unidos.
A gravação que circula pelo WhatsApp mostra um pequeno trecho, de pouco mais de um minuto, de uma edição do programa Estúdio I, da Globonews, exibida em 7 de agosto de 2017. Naquela ocasião, os jornalistas estavam falando sobre a DefCon, conferência de hackers realizada anualmente em Las Vegas, nos Estados Unidos. Naquele ano, foi realizado um experimento para que hackers tentassem invadir urnas eletrônicas. Todos os equipamentos testados foram invadidos em menos de duas horas. O vídeo que circula no WhatsApp termina com essa informação.
Contudo, a versão transmitida pela GloboNews continuou por mais três minutos. É dito que “não se sabe” se havia urnas brasileiras entre os equipamentos testados. Uma das máquinas, porém, seria de um fabricante que produz urnas usadas no Brasil, a Diepold. No dia seguinte, o TSE informou que nenhuma urna brasileira foi testada e que dois técnicos do tribunal estavam presentes no evento.
Em nota, o TSE explicou que enviou dois técnicos para observar se alguma vulnerabilidade encontrada no evento poderia ser vista nas urnas brasileiras. De acordo com a instituição, as fragilidades encontradas estavam em mecanismos de rede e em portas de depuração expostas na placa-mãe. Nenhum desses componentes estão presentes na urna eletrônica brasileira. “Nossas urnas não têm nenhum mecanismo de rede (tanto de hardware quanto de soware) e nem portas de depuração JTAG expostas na placa mãe”, diz a nota.
O TSE confirmou que um dos equipamentos invadidos era de uma empresa que fabrica urnas eletrônicas no país, a Diepold. Contudo, segundo a assessoria do tribunal, as urnas brasileiras são feitas sob “um projeto genuinamente nacional”, e o contrato impede que a companhia venda esse modelo de urna no exterior ou adote as tecnologias públicas em seus equipamentos próprios.

Segurança

No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral submete as urnas eletrônicas a testes antes das eleições. O Teste Público de Segurança do Sistema Eletrônico de Votação seleciona investigadores para tentarem invadir uma urna. “O TPS foi criado com o objetivo de fortalecer a confiabilidade, a transparência e a segurança da captação e da apuração dos votos, além de propiciar melhorias no processo eleitoral. Ao abrir os sistemas para inspeção e para testes diversos, a Justiça Eleitoral busca aprimorar os mecanismos de segurança do software e do hardware da urna eletrônica”, afirma o TSE. Ao todo, já foram realizadas cinco edições do evento.
Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.
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Gabriela Soares
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