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Vídeo de atentado forjado que circula nas redes foi gravado no Iraque, em 2016
19.05.2021 - 18h25
Rio de Janeiro - RJ
Circula por grupos de WhatsApp um vídeo que mostra a explosão de um carro-bomba e, na sequência, um grupo de pessoas que finge ter sido atingido pela detonação. Outro grupo aparece para socorrer as supostas vítimas. De acordo com a publicação, essa encenação foi feita pelo Hamas, grupo de militantes islâmicos da Palestina atualmente envolvido em conflitos com Israel. O narrador sugere que a explosão forjada tem o objetivo de incriminar Israel. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
“A industria das Fake News do Hamas
Bom dia seguidores da página Viva Israel, estou trazendo para vocês mais um vídeo da indústria de cinema. É praticamente uma indústria de cinema do grupo Hamas. O que a gente vendo aqui é um carro que será explodido como se Israel tivesse atingido ele, esse carro com mísseis. (…) Logo em seguida começam a entrar os figurantes, que vão se jogar no chão, como se tivessem sido as pessoas que sobreviveram a essa explosão.
A partir daí, quando eles se deitam, começa o vídeo editado que todo mundo vê no mundo, como se o carro tivesse sido abatido. Isso são câmeras de segurança, para parecer bem real. Chega um carro para salvar as pessoas, para tentar ajudar (…)”
Vídeo que circula em grupos de WhatsApp
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. Embora o vídeo seja real, ele não foi gravado em 2021 e, sim, em 2016, e não tem qualquer relação com os atuais conflitos entre palestinos e israelenses na Faixa de Gaza. A gravação foi feita no bairro de Al-Hurriyah, região norte de Bagdá, capital do Iraque, e não na Palestina, como sugere o narrador do audiovisual. A capital iraquiana fica a quase 1 mil quilômetros de distância de Gaza, território que, de fato, é controlado pelo Hamas.
A encenação da explosão fez parte de uma ação secreta da Falcon Intelligence Cell, uma unidade policial antiterrorista do Iraque. O objetivo da operação  era fazer com que agentes se infiltrassem nos escalões mais altos do Estado Islâmico, organização radical sunita que opera principalmente no Oriente Médio.
O falso atentado com carro-bomba ocorreu em 30 de outubro de 2016 e a detonação chegou a ser noticiada na época como se fosse real por agências de notícias, como a Reuters. Em 1º de novembro daquele ano, as primeiras cenas a partir da perspectiva de uma câmera de vigilância, exatamente iguais às que aparecem nas correntes de WhatsApp, foram mostradas pela rede de mídia iraquiana Iraq Network Press (INP).
No próprio vídeo que vem sendo compartilhado como se fosse atual, observa-se a data no canto superior direito, “2016.10.30” (em arquivos digitais, a data pode aparecer numericamente na ordem ano – mês – dia).  Por meio de uma pesquisa reversa de imagem, também é possível notar que a gravação aparece em sites em pelo menos outras 16 vezes entre 2016 e 2020.
Em 2018, o jornal norte-americano The New York Times e o neo-zelandês The New Zealand Herald contaram a história da operação secreta da Falcon Intelligence Cell, que envolveu a encenação do carro-bomba em Bagdá. O site de jornalismo investigativo Bellingcat também detalhou o caso.
Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.
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Ítalo Rômany
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