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É falso que vacinas contra Covid-19 causaram 13 mil mortes na Europa
17.06.2021 - 18h00
Rio de Janeiro - RJ
Circula pelo WhatsApp um texto que afirma que um relatório de um banco de dados europeu apontou que as vacinas contra a Covid-19 deixaram 13.867 mortos e 1,3 milhão de lesões. O site diz que “a ciência está completamente dividida” e chama os imunizantes de “experimentais”. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
“GENOCÍDIO MUNDIAL: 13.867 mortos e 1.354.336 lesões provocadas pela vacinação afirma relatório da Eudra Vigilance”
Título de texto do site Tribuna Nacional que circula em grupos de WhatsApp
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. Os números informados pelo site realmente existem na Base de dados europeia de notificações de reações adversas medicamentosas suspeitas da EudraVigilance, sistema vinculado à Agência Europeia de Medicamentos. Contudo, a interpretação feita no texto é errada: não há evidência de que essas mortes sejam causadas pela vacina. O próprio site explica que os números não devem ser interpretados como finais, que essas notificações não foram, necessariamente, investigadas e que não há comprovação de relação causal entre as mortes e as vacinas.
Até 12 de junho de 2021, última atualização na plataforma, os dados apontavam para 562.110 notificações de “efeitos secundários”, não necessariamente associados, mas possivelmente relacionados aos imunizantes das farmacêuticas Pfizer, Astrazeneca, Moderna e Jansen. O total de notificações de casos fatais foi de 14.786 notificações — número próximo do apresentado pelo Tribuna Nacional, com base em dados de 5 de junho.
Contudo, não é possível afirmar que realmente existe relação entre as vacinas contra a Covid-19 e os efeitos notificados à plataforma. Logo na página inicial da base de dados, o internauta é avisado de que as informações disponíveis na plataforma dizem respeito a acontecimentos clínicos que foram observados após a utilização de um medicamento, mas que não necessariamente estão relacionados ao fármaco, nem foram necessariamente causados por ele.
“As informações relativas a efeitos secundários suspeitos não devem ser interpretadas como indicando que o medicamento ou a substância ativa causa o efeito observado ou não é seguro de utilizar. Apenas uma avaliação detalhada e a avaliação científica de todos os dados disponíveis permitem chegar a conclusões sólidas relativamente aos benefícios e riscos de um medicamento”, diz a plataforma da EudraVigilance.
O site explica ainda que a compilação desses dados serve para que as autoridades reguladoras, caso considerem necessário, revejam a segurança dos medicamentos em uso no território europeu. As suspeitas de efeitos secundários são notificadas durante a fase de testes do produto e também depois de sua autorização para uso.
Se a interpretação dada aos dados pelo Tribuna Nacional fosse verdadeira, a hidroxicloroquina — que não tem eficácia contra a Covid-19, mas já foi defendida pelo presidente Jair Bolsonaro para o tratamento da doença — também deveria ser considerada insegura. A substância recebeu 17.981 notificações na plataforma, das quais 1.196 são fatais.

‘Experimental’

Em um áudio atribuído falsamente a um médico do hospital Albert Einstein, já circulava a ideia de que as vacinas desenvolvidas contra o coronavírus seriam “experimentais”. “Quem está tomando vacina agora faz parte de ser um voluntário. […] Pode dar certo, como pode não dar certo”, declarava o homem no áudio.
No início do mês, a Lupa checou essa informação, que é falsa. Todos os imunizantes contra a Covid-19 disponíveis no Brasil foram testados em milhares de voluntários e posteriormente passaram por um processo de aprovação pela Anvisa.
“Os testes de fase 1, 2 e 3 demonstraram que são vacinas seguras, imunogênicas — ou seja, promovem resposta imune contra o coronavírus —, e apresentam a eficácia mínima recomendada pela OMS [Organização Mundial da Saúde] para aprovação”, explicou o epidemiologista e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Guilherme Werneck.
De acordo com Werneck, o uso do termo “experimental” é completamente inadequado e não tem base científica. “Seriam experimentais se as vacinas não tivessem sido aprovadas em protocolos de ensaios clínicos que respeitam aquilo que é feito para o uso em populações. Elas cumpriram os requisitos. Essa é uma ideia que só contribui para diminuir a adesão das pessoas à imunização”, criticou o epidemiologista.
Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.
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