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Vídeo não registra morte de missionárias no Afeganistão, mas performance artística na Colômbia
01.09.2021 - 12h01
Rio de Janeiro - RJ
Circula pelas redes sociais um vídeo que mostra várias pessoas deitadas no chão e presas dentro de sacos plásticos transparentes, cercadas por um grupo que observa a cena sem fazer nada. A legenda da gravação afirma que as imagens retratam missionárias no Afeganistão que teriam sido jogadas em praça pública para morrer. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:
“São missionárias no Afeganistão jogadas em praça pública dentro de sacos plásticos para morrer por causa da palavra de Deus”
Legenda de imagem publicada no Facebook que, até às 15h do dia 31 de agosto de 2021, tinha mais de 170 compartilhamentos
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. O vídeo compartilhado nas redes sociais não mostra missionárias no Afeganistão presas em sacos plásticos. Na realidade, as imagens são de uma performance artística que foi realizada em 26 de maio deste ano no Parque del Poblado, em Medellín, na Colômbia. Naquela época, usuários publicaram um vídeo maior, de 12 minutos, no YouTube, que mostra mais detalhes sobre o caso.
Segundo a narradora da gravação original, a intervenção artística foi chamada de “Embalados” (Empaquetados, em espanhol) e tinha como objetivo homenagear pessoas que apareceram mortas, embrulhadas em sacos plásticos, nas lixeiras na região. “Às pessoas que apareceram mortas, ou às pessoas que não apareceram. Isso é um grito de ajuda, para saber o que está acontecendo com todas as pessoas que, até hoje, não sabemos onde estão, que foram capturadas pela polícia ou por civis acompanhados pela polícia e que, até hoje, não sabemos onde estão”, disse.
Atualmente, o vídeo está sendo tirado de contexto para indicar uma possível agressão do Talibã a missionárias cristãs. No dia 15 de agosto, o grupo extremista – que tem um histórico de violações aos direitos humanos e de violência contra as mulheres – tomou a capital daquele país.
A Lupa já verificou pelo menos quatro casos em que fotos ou vídeos de outros anos e lugares foram utilizados para retratar – de maneira incorreta – os eventos recentes no Afeganistão. Dois deles, que mostram o assassinato de uma mulher e a execução de um grupo de homens na Síria, por exemplo, circularam como se tivessem sido gravados neste mês. Contudo, ambos eram antigos.
Essa informação já foi verificada pela AFP e Fato ou Fake.
Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.
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Ítalo Rômany
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