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É falso que OMS tenha criado cronograma de futuras cepas do novo coronavírus
27.09.2021 - 19h00
Rio de Janeiro - RJ
Circula pelas redes sociais que a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fórum Econômico Mundial e outras organizações teriam criado um cronograma de liberação de futuras cepas do novo coronavírus (Sars-CoV-2), com o objetivo de forçar uma vacinação periódica da Covid-19. A legenda diz ainda que as vacinas encheriam o corpo de óxido de grafeno para conectar as pessoas ao 5G. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:
“VAZA FUTURAS CEPAS COVID/19 E LETALIDADE É PRORROGADA ATÉ 2023
Radialista americana Michele Moore vazou o cronograma das futuras CEPAS de Covid/19”
_Texto publicado no Facebook que, até 18h do dia 27 de setembro de 2021, havia sido compartilhado por 37 pessoas
_
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. A tabela apresentada como prova de um possível cronograma de “cepas fabricadas da Covid-19” não tem qualquer relação com as datas em que foram de fato identificadas diferentes versões do novo coronavírus. A variante zeta, detectada no Brasil em outubro do ano passado, por exemplo, seria “liberada” apenas em agosto deste ano, segundo o post. Já a delta, sequenciada na Índia também em outubro de 2020, ficaria conhecida, de acordo com a publicação, só em junho de 2021. Esse desencontro de datas mostra que se trata de um conteúdo sem nenhuma base científica.
As cepas são variantes que sofreram mutações genéticas – podendo se tornar, por exemplo, mais contagiosas –, mas que ainda mantêm a maior parte das características do vírus original. No post que circula nas redes sociais, há uma planilha com uma sequência de letras do alfabeto grego usadas pela OMS, desde junho de 2021, para nomear as cepas do novo coronavírus. Ali são listadas 21 variantes. De acordo com o post, elas começariam a ser liberadas a partir de junho de 2021. Ao menos nove das cepas, no entanto, foram identificadas antes dessa data.
A variante delta, por exemplo, foi inicialmente sequenciada em outubro de 2020, na Índia, ainda com o nome de B.1.617.2, e não em junho de 2021, como mostra a tabela falsa. Junto com a alfa, a beta e a gama, essas cepas são monitoradas de perto pela OMS por conta de seu risco à saúde pública e enquadram-se na categoria Variantes de Preocupação.
A variante épsilon também circula nos Estados Unidos desde outubro de 2020 e, em março de 2021, chegou a ser considerada pela OMS uma Variante de Preocupação. Se o calendário proposto pelo post fosse real, ela só seria conhecida em julho de 2021. Também em outubro do ano passado – e não em agosto desse ano, como aponta a peça de desinformação –, a variante P.2, hoje chamada de zeta, foi identificada no Rio de Janeiro.
O padrão é o mesmo com outras variantes já detectadas. A eta, a teta, a iota e a capa começaram a ser monitoradas pela OMS entre fevereiro e maio deste ano. Com exceção da teta, todas já haviam sido sequenciadas antes de 2021. Ou seja, não estariam em um suposto plano de lançamento a partir de setembro, como a planilha indica.
A variante lambda, identificada no Peru em dezembro de 2020, e a mu, que apareceu na Colômbia em janeiro de 2021, também estão deslocadas de sua data real de identificação. Neste momento, as duas são consideradas Variantes de Interesse pela OMS.
A legenda do post falso também diz que tal cronograma seria “oficial” e disponibiliza um link da OMS. Contudo, o endereço eletrônico leva ao site onde a organização descreve o monitoramento que realiza para cada uma das cepas.
Esta afirmação também circulou em outros países e foi desmentida por AFP, Chequeado e Observador. Citada na peça de desinformação, Michelle Moore é uma radialista americana que apresenta um programa sobre mercado imobiliário. A publicação original sobre as cepas segue em sua conta pessoal no Facebook e passou por verificação similar pelos sites CheckYourFact, India Today FactCheck e The Healthy Indian Project.

“A vacinação periódica vem aí, te encher de óxido de grafeno para conectar-se ao 5/G.”
_Texto publicado no Facebook que, até 16h do dia 24 de setembro de 2021, havia sido compartilhado por 44 pessoas
_
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. O óxido de grafeno é uma forma cristalina do carbono, que possui condutividade térmica e elétrica. Apesar de já ser usado em estudos na medicina, ele não está presente em nenhuma das vacinas autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É possível verificar a composição dos imunizantes nas bulas disponibilizadas no site da entidade.
Também não é possível que os imunizantes contra a Covid-19 permitam uma “conexão” à tecnologia 5G de transmissão de internet móvel. Conforme a Lupa já mostrou em outras ocasiões, não há qualquer componente nas vacinas que seja capaz de conectar um ser humano ao 5G. Além disso, essa tecnologia ainda não está disponível no Brasil.
Informação similar foi verificada por Fato ou Fake.
Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.
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Ítalo Rômany
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