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É falso que Pfizer patenteou sistema de rastreamento de vacinados por micro-ondas
04.11.2021 - 14h31
Rio de Janeiro - RJ
Circula pelo WhatsApp um vídeo segundo o qual a Pfizer, fabricante de um dos imunizantes contra a Covid-19, patenteou um sistema capaz de rastrear vacinados por meio de micro-ondas e do óxido de grafeno, supostamente presente em sua composição. De acordo com o homem que aparece no vídeo, a vacina da empresa possui componentes que mantêm os indivíduos conectados à internet. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
“A Pfizer […] acaba de patentear um sistema de rastreamento de pessoas inoculadas por controle remoto. […] A patente da Pfizer foi aprovada para rastrear seres humanos inoculados com o lixo que ela fabrica, em todo o mundo, por meio de micro-ondas e grafeno mantidos nos tecidos adiposos das pessoas inoculadas. […] com a finalidade de rastrear o contato remoto de todos os seres humanos vacinados em todo o mundo que estarão — ou agora estão — conectados à internet das coisas, por um link quântico de frequências pulsantes de micro-ondas de 2,4 GHz ou mais de torres de telefone e de satélites linkados diretamente ao óxido de grafeno mantido nos tecidos adiposos”
Trecho do vídeo de Claudio Lessa que circula em grupos de WhatsApp
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. A citada patente existe, mas não tem relação com a farmacêutica Pfizer, nem prevê o rastreamento ou controle de vacinados por meio de algum dos componentes da vacina contra a Covid-19. Na verdade, a ideia é criar um sistema inteligente capaz de detectar indivíduos mais suscetíveis a doenças infecciosas, priorizando sua vacinação ou tratamento, com base na movimentação captada por dispositivos eletrônicos externos como celulares e câmeras de segurança. Além disso, não há óxido de grafeno na composição dos imunizantes contra a doença.
O vídeo analisado é um trecho do programa produzido pelo jornalista Claudio Lessa e publicado em diferentes plataformas no dia 27 de outubro. Em tom conspiratório, ele sugere que a vacinação seria parte de um plano para criar um sistema de controle e reduzir exponencialmente a população mundial. Lessa reproduz informações distorcidas que circularam em grupos antivacina sobre o conteúdo da patente US11107588B2, concedida nos Estados Unidos em 31 de agosto.
Ao contrário do que Lessa afirma, o sistema descrito no registro estadunidense não prevê o “rastreamento de pessoas inoculadas”, mas propõe um método para estabelecer uma fila de prioridade no tratamento ou na vacinação contra doenças infecciosas. Uma das estratégias seria identificar potenciais superespalhadores da doença com base em fatores como profissão, histórico médico, frequência em ambientes fechados e círculo de amizades.
O sistema também seria alimentado com informações de dispositivos eletrônicos como celulares e câmeras de segurança, que monitorariam o comportamento do indivíduo e ajudariam na avaliação de risco. O registro não fala em um sistema de micro-ondas ou óxido de grafeno, nem que algum componente da vacina contra a Covid-19 seria utilizado para rastrear a população mundial.
Além disso, não há óxido de grafeno em nenhum dos imunizantes desenvolvidos para combater o novo coronavírus, como a Lupa já verificou. A substância não aparece na composição da bula da vacina da Pfizer registrada junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A patente foi registrada em nome de Gal Ehrlich e Maier Fenster, advogados de patentes de Israel, e não pela Pfizer. À Reuters, Ehrlich negou que o registro tenha qualquer relação com as vacinas em si, chamando o conteúdo que circula nas redes sociais de falso. A Lupa também já verificou outras desinformações similares de que as vacinas contra a Covid-19 teriam um chip e permitiriam controle externo por meio da rede 5G.
Por e-mail, a assessoria da Pfizer declarou que desconhece o suposto registro de patente e negou a presença de componentes que promovam o rastreamento dos vacinados em seu imunizante contra a Covid-19.
A Lupa entrou em contato por e-mail com Claudio Lessa, mas não obteve resposta até a publicação desta checagem.
Essa informação também foi verificada por Boatos.org e MonitoR7.
Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.
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Ítalo Rômany
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