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É falso que pesquisa mostre que variante ômicron é mais severa entre os vacinados
30.11.2021 - 17h44
Rio de Janeiro - RJ
Circula no WhatsApp que a variante ômicron da Covid-19 é mais severa entre os vacinados contra a doença. A mensagem, que se baseia em um artigo do site The Exposé, diz que apenas os vacinados devem temer a nova cepa, já que o número de mortos por Covid-19 seria maior entre os totalmente vacinados. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
“Ômicron é mais severa com os vacinados. Segundo artigo do site ‘The expose’, apenas os, totalmente, vacinados devem temer a variante Covid-19 ômicron, (…)”.
Texto que circula pelo WhatsApp
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. Ainda não há evidências científicas suficientes que comprovem uma relação entre a nova variante ômicron e a vacinação. Não há nenhuma pesquisa que tenha concluído que a cepa é mais severa entre as pessoas totalmente imunizadas contra a Covid-19. A mensagem que circula nas redes sociais foi extraída de um texto do site The Exposé que chega a conclusões erradas e sem amparo científico sobre uma série de dados. A página é conhecida por divulgar teorias da conspiração e material antivacinas.
Em reunião em 26 de novembro, especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) classificaram a ômicron como variante de preocupação, mas alertaram que ainda serão necessárias algumas semanas para compreender melhor o seu impacto. A entidade reforça que as medidas para diminuir o risco de infecção pelo vírus devem continuar sendo tomadas, como utilização de máscaras, higienização das mãos, distanciamento social, ventilação de espaços fechados, evitar aglomerações e receber a vacina.
Até agora não foram registradas mortes de pessoas infectadas pela ômicron. Ainda não se sabe se essa forma da Covid-19 é mais transmissível, causa sintomas mais graves e mortes, ou se é resistente às vacinas disponíveis contra a doença.

[…] “pois os dados mostram que para cada 5 mortos por Covid-19, 4 são de pessoas, totalmente, vacinadas”
Texto que circula pelo WhatsApp
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. O dado citado na frase verificada, também retirado do artigo do site The Exposé, é referente apenas às mortes por Covid-19 no Reino Unido – não se trata de um resultado registrado em todo o mundo. Além disso, o relatório  do governo do país, citado pelo texto, compreende apenas o período entre a semana 43 e 46 da pandemia. Não se trata, portanto, de uma medida referente à crise sanitária desde o início da campanha de imunização. O próprio relatório que apresenta os números diz que “os dados brutos não devem ser usados ​​para estimar a eficácia da vacina, pois não levam em consideração vieses inerentes presentes, como diferenças no risco, comportamento e testes nas populações vacinadas e não vacinadas”.
Além disso, a alegação desconsidera um alerta presente no próprio relatório que diz que os dados devem ser vistos no atual contexto de uma cobertura vacinal muito alta, no qual é esperado que uma grande proporção dos casos, hospitalizações e mortes por Covid-19 ocorra em indivíduos vacinados. O material ainda explica que isso acontece porque há uma maior proporção de vacinados do que não vacinados, e porque nenhuma vacina é 100% eficaz.
Estudo do próprio governo do Reino Unido aponta que a taxa de mortalidade padronizada por idade envolvendo casos de Covid-19 foi 32 vezes maior para os não vacinados do que para aqueles que receberam a segunda dose. As mortes consideradas na análise ocorreram entre o dia 2 de janeiro e 24 de setembro de 2021. O resultado mostra, ao contrário do que sugere a frase analisada, que as mortes por Covid-19 são, na verdade, mais frequentes entre os não vacinados.
Evidências científicas mostram que as vacinas são eficazes em evitar o agravamento do quadro dos infectados, reduzindo assim o risco de morte. Ao contrário do que diz a frase analisada, estudos no Brasil também sugerem que a maioria dos casos graves e mortes estão entre os não vacinados.
Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.
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