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É falso que Austrália colocou 24 mil crianças em ‘campos de quarentena’ para vaciná-las
09.12.2021 - 15h31
Rio de Janeiro - RJ
Circula pelo WhatsApp o vídeo de uma influenciadora brasileira que diz que 24 mil crianças australianas teriam sido tiradas de seus pais e colocadas em um “campo de quarentena” para serem vacinadas contra a Covid-19. Na sequência, um homem aparece falando aos pais em inglês que seus filhos seriam bem cuidados no local. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
“O governo australiano vai recolher 24000 crianças de seus cidadãos e colocá-las em um campo de quarentena de um estádio para serem vacinadas.  Os pais não terão permissão para comparecer.”
Legenda de vídeo que circula em grupos de WhatsApp
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. O vídeo tira de contexto a declaração de uma autoridade de saúde, levando a uma interpretação equivocada de sua fala. Na verdade, o governo do estado australiano de Nova Gales do Sul não “recolheu 24 mil crianças” para vaciná-las à força, mas convidou adolescentes no último ano escolar de determinadas regiões a comparecerem voluntariamente para se imunizarem contra a Covid-19 em um estádio. Até o momento, a Austrália não iniciou a vacinação de crianças. Além disso, o procedimento não é obrigatório no país.
O homem que aparece na gravação e tem sua declaração descontextualizada é Brad Hazzard, ministro da Saúde e de Pesquisas Médicas do estado de Nova Gales do Sul. Ele participava de uma coletiva de imprensa em 6 de agosto de 2021 para convidar milhares de estudantes a se vacinarem contra a Covid-19 no estádio Qudos Bank Arena, localizado na cidade de Sydney.
Em vez de 24 mil “estudantes”, a legenda do vídeo que circula em grupos de WhatsApp traduz equivocadamente a fala de Hazzard como 24 mil “crianças”, levando a um equívoco quanto ao real público esperado para a imunização. Logo ao início de sua mensagem, o ministro disse que gostaria de conversar com os jovens moradores de oito zonas administrativas que fariam em outubro o Higher School Certificate (HSC), uma espécie de exame final exigido no último ano do colegial.
Ele afirmou que se vacinar contra a Covid-19 no Qudos Bank Arena seria uma “oportunidade de ouro” para que esses estudantes pudessem comparecer de forma segura ao exame. “Nós vimos nossos astros olímpicos correrem atrás do ouro. Nós vimos as mais incríveis estrelas no Qudos Bank Arena. Acredito que passaram por lá Lana Del Rey, Keith Urban, Pink, Madonna. Você tem a chance de ir até aquele estádio na semana que vem e alcançar um pouco desse ouro recebendo sua primeira vacinação”, disse Hazzard, durante a coletiva.
O ministro pediu que familiares que eventualmente levassem os jovens até a arena permanecessem do lado de fora para evitar aglomerações. É nesse momento, reproduzido no vídeo analisado, que Hazzard reforça aos pais que seus filhos seriam bem cuidados no local, explicando a estrutura que foi montada e a equipe que os aguardaria para recebê-los. Assim também noticiaram veículos locais como o Sky News e o 9News. Não há qualquer menção a um suposto “campo de quarentena” para forçar a imunização de crianças.
De acordo com o site do governo de Nova Gales do Sul, espera-se que os estudantes concluam o “Year 12”, série convocada pelo ministro para a imunização, por volta dos 18 anos — não se tratando, portanto, de crianças.
Além disso, a vacinação contra a Covid-19 não é obrigatória na Austrália, informa o site oficial do governo. Atualmente, a imunização é permitida no país a todos os maiores de 12 anos. Ainda segundo o governo australiano, a vacinação de crianças de 5 a 11 anos deve começar em janeiro de 2022.
Em outubro, a Lupa verificou outra informação falsa de que o governo australiano teria decidido isolar o país, desligando a internet e deixando os servidores inoperantes.
Essa informação também foi verificada por Boatos.org.
Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.
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Ítalo Rômany
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