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É falso que CEO da BioNTech não tomou vacina contra a Covid-19
20.12.2021 - 17h19
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais que o médico Ugur Sahin, CEO da BioNTech — empresa de biotecnologia que desenvolveu a vacina de RNA mensageiro Comirnaty contra a Covid-19, em parceria com a Pfizer —, não tomou as doses do imunizante. Vídeos publicados no Facebook e no Gettr (rede social criada por um ex-auxiliar de Donald Trump) mostram uma entrevista na qual o empresário e médico alemão supostamente tenta explicar o motivo de não ter tomado a vacina que ele próprio “criou”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
“RACIOCÍNIO PARA AQUELES QUE POSSUEM CÉREBROUgur Sahin, CEO da BioNtech, da maior empresa mundial de Vacina mRNA COVID de propriedade da Pfizer, não foi vacinado, e também TODOS os seus funcionários! Por que!?Repórter: ‘Ouvi falar que você não se vacinou, por quê?’Sahin: ‘Estou legalmente não permitido a me vacinar no momento…'”
Conteúdo de vídeo compartilhado no Facebook e no Gettr que, até as 11h30 do dia 20 de dezembro de 2021, tinha sido compartilhado mais de 30 vezes
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. A entrevista na qual o empresário e médico Ugur Sahin, CEO da empresa alemã BioNTech, disse ainda não ter tomado a vacina contra a Covid-19 foi gravada em 22 de dezembro de 2020, e não em 2021. Na ocasião, a vacinação na Alemanha não tinha começado. A população do país começou a tomar as primeiras doses no dia 26 de dezembro, quatro dias depois da filmagem. Diferentemente do que sugere a publicação, Sahin foi imunizado logo depois, no final de janeiro deste ano.
O vídeo que vem sendo compartilhado é o trecho de uma entrevista gravada há um ano para a Deutsche Welle, veículo de comunicação alemão. Na versão original, de mais de oito minutos, Sahin fala, entre outros pontos, sobre a aprovação da fórmula desenvolvida com a farmacêutica norte-americana Pfizer, a Comirnaty, para uso na União Europeia e também sobre a produção e distribuição das doses para vários países.
A versão editada que tem circulado fora de contexto usa um trecho a partir do minuto 4:51 da entrevista original (a transcrição completa da entrevista pode ser lida na íntegra no site da Deutsche Welle). Nesse momento do vídeo, o repórter do jornal avisa que fará uma pergunta particular e questiona como ele e a mulher, a médica, imunologista e empresária Ozlem Tureci, se sentem por terem participado do desenvolvimento dos imunizantes. Sahin então comenta sobre a trajetória de pesquisas de mais de 20 anos e diz que o trabalho feito por cientistas em todo o mundo foi muito importante.
Na sequência, o repórter comenta que ouviu dizer que ele ainda não tinha sido imunizado e pergunta “Por que não?”. Sahin então responde que, até aquele momento, ainda não tinha permissão legal para tomar a vacina em razão do sistema de priorização dos grupos de risco — em vigor no país naquela época. Assim como o Brasil e outros países, a Alemanha deu prioridade a idosos acima de 80 anos e a profissionais de saúde no começo da campanha de vacinação porque as doses eram insuficientes para toda a população.
“A vacina não pode ser tomada fora dessa lista de prioridades. Nós nem mesmo fomos autorizados a participar de testes clínicos por causa da lei. Não é possível incluir pessoas da empresa em tais testes”, explicou o empresário. Em nenhum momento ele sugere desconfiança ou mesmo falta de segurança da fórmula da Comirnaty.
Em 11 de dezembro deste ano, o médico publicou uma foto na qual aparece recebendo a vacina em sua página no LinkedIn. Na publicação, ele lamentou as peças de desinformação veiculadas sobre o assunto. Além do Brasil, conteúdos falsos e edições do mesmo vídeo viralizaram em outros países e foram desmentidos por várias agências de checagem, como a PolitiFact e a Reuters. “Há uma desinformação nas redes sociais de que eu supostamente não estou vacinado. Na verdade, minha esposa e eu recebemos as três doses da vacina #BioNTech #Pfizer”, escreveu.
Esse conteúdo também foi verificado pela AFP Checamos.
Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.
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Gabriela Soares
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