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ONU não publicou documento pela implantação de ‘Nova Ordem Mundial’
20.01.2022 - 15h24
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais um vídeo que afirma que a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou um documento que institui a “Nova Ordem Mundial”. Entre as alegações, o narrador diz que haverá o estabelecimento de um governo unificado em todo mundo, bem como o fim do dinheiro e até a abolição do direito dos pais criarem seus próprios filhos. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:
“À minha frente está um documento da ONU denominado “Nova Ordem Mundial”, cuja implementação é projetada no período de 2021 a 2030.
Para este período as seguintes metas são designadas:
  • estabelecimento de um único governo mundial;
  • uma moeda única mundial não monetária;
  • um banco central mundial unido;
  • um exército mundial unido;
  • abolição da soberania nacional;
  • cancelamento da propriedade privada;
  • abolição da instituição da família;
  • redução da população mundial;
  • controle sobre o crescimento e densidade populacional;
  • múltiplas vacinações obrigatórias;
  • renda básica universal;
  • implantação de um microchip no corpo humano para capacidade de fazer compras, pagar, viajar;
  • implementação de uma classificação de rede social, como na China;
  • inúmeros dispositivos eletrônicos conectados a sistemas 5G;
  • governo assumirá o direito de criar os filhos;
  • escolas privadas, universidades e outras instituições educacionais irão para o Estado;
  • abolição de veículos particulares;
  • abolição de todas as empresas privadas;
  • em viagens aéreas o número de passageiros será limitado ao mínimo;
  • concentração de pessoas em uma zona especial, as cidades pequenas;
  • cancelamento de sistemas de irrigação;
  • abolição de empresas privadas no setor agrícola, incluindo a propriedade de animais;
  • cancelamento de moradia privada;
  • restrição do uso da terra;
  • proibição de todos os tratamentos naturais, não sintéticos;
  • proibição de todos os métodos de tratamento não tradicionais, naturopatia;
  • proibição de todos os tipos de combustíveis fósseis.”
Afirmação feita em vídeo que, até às 13h do dia 20 de janeiro, já tinha sido compartilhado por 3,8 mil pessoas no Facebook
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. Não existe nenhum documento ou decisão da Organização das Nações Unidas (ONU) que determine a instituição de uma “Nova Ordem Mundial”. O que existe é a Agenda 2030, um conjunto de 17 metas aprovada por 193 países visando o desenvolvimento sustentável. Absolutamente nenhum dos “objetivos” citados no vídeo está na Agenda 2030 — ou na sua antecessora, a Agenda 21. Embora as metas existam e sejam públicas, não existe nenhuma previsão de sanção para países que não atingirem seus objetivos.
Procurada, a ONU Brasil disse que as informações são falsas. “Como organismo diplomático, a Organização das Nações Unidas atua apenas com base em consensos, ou seja, as recomendações e decisões são tomadas por todos os estados-membros da ONU. Assim, o documento que, desde 2015, guia a atuação das Nações Unidas é a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, aprovada pelos 193 estados-membros”, afirmou a Organização.
A Agenda 2030 é um documento aprovado em setembro de 2015 com o consentimento de 193 estados-membros da ONU. Ela postula 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável. De acordo com a ONU, não há nenhum tipo de punição ou coerção dos governos nacionais para que realizem a sua aplicação. Os pontos elencados em seu conteúdo são apenas metas a serem alcançadas até o ano de 2030. Existe um acompanhamento internacional sobre as implementações de políticas públicas, mas não há nada que obrigue os Estados a cumprí-la. “Cada país estabelece suas prioridades e estratégias para alcançar esses grandes objetivos de desenvolvimento”, destacou a ONU Brasil.
Nenhuma das “metas” citadas no vídeo aparece no texto da Agenda 2030. O texto não fala em governo mundial, moeda universal, fim da propriedade privada, exército global, crianças criadas pelo governo, abolição da família, proibição de “tratamentos naturais”, fim da educação privada, redução da população mundial ou concentração de pessoas em “zonas especiais”. Em alguns casos, o documento defende o exato oposto. Um dos subitens da oitava meta fala que os governos devem estabelecer políticas de incentivo para o desenvolvimento de micro e pequenas empresas — enquanto o vídeo conspiratório diz que o objetivo é “acabar com as empresas privadas”.
No caso de vacinas, o documento fala em universalizar o acesso, e não em torná-las obrigatórias. Já em relação aos combustíveis fósseis, o documento fala somente em “racionalizar subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis” e reforçar a cooperação internacional por energias mais limpas.
Um boato semelhante circulou nas redes sociais nos EUA em julho de 2020 e foi desmentido pelo USA Today. Na Nova Zelândia, a AAP verificou publicação com conteúdo parecido em setembro de 2020.
Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.
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Maiquel Rosauro
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