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É falso que Lei Rouanet financiou o programa Caldeirão do Huck
28.04.2022 - 11h44
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais uma publicação que afirma que o programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo, era financiado pela Lei Rouanet. O post diz que os quadros de reformas de carros e casas, comuns na atração, seriam “patrocinados pelo dinheiro do contribuinte brasileiro”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse conteúdo fosse analisado. Confira o trabalho de verificação da Lupa:
Vcs vão ficar chocados quando descobrirem que quem financiava o Caldeirão do Huck era a lei Rouanet. Aqueles quadros de ‘ajuda’ à reforma de casas e de carros, tudo isso era ‘patrocinado’ pelo dinheiro do contribuinte brasileiro. É incrível, o que fizeram do Brasil! A Globo é praticamente uma ‘estatal’ e foi a única que no governo Bolsonaro deu prejuízo
– Texto que circula no Facebook, Twitter e WhatsApp
Falso
A informação analisada pela Lupa é falsa. O programa Caldeirão do Huck não era financiado e nunca recebeu recursos da Lei Rouanet. Não é possível encontrar nenhum projeto feito por Luciano Huck, antigo apresentador do programa, que envolva a Globo ou o Caldeirão do Huck no portal Versalic, que compila dados de projetos que captam recursos pela lei.
Entre 2013 e 2021, o Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias captou R$ 31,4 milhões utilizando a Lei Rouanet. O instituto é de propriedade de Huck, mas não tem nenhuma ligação com o Caldeirão ou com a Globo. Lá são realizados projetos educacionais e culturais que beneficiam cerca de 150 jovens em situação de vulnerabilidade social por ano.
A Lei Rouanet é um mecanismo de incentivo fiscal que permite que empresas (4%) e pessoas físicas (6%) possam destinar uma porcentagem de seu imposto para iniciativas culturais. O imposto deixa de ir para o governo e é destinado para os programas que foram aprovados pela Secretaria Especial da Cultura, do Ministério da Cidadania. Depois de aprovados, os proponentes precisam convencer as empresas e pessoas a destinarem seus impostos. Ou seja, nem todo projeto aprovado recebe recursos.
O artigo 25 da lei afirma que projetos de rádio e televisão só podem ser apresentados se tiverem “caráter não-comercial”. Esse não é o caso dos programas da Rede Globo, como o Caldeirão, que exibem anúncios pagos e têm caráter comercial.
A Globo, por meio do seu serviço de checagem Fato ou Fake, afirmou que a instituição “nunca recorreu a verba incentivada para a produção de quadros do Caldeirão” e que a “comercialização do programa é feita através de pacotes comerciais colocados à disposição do mercado publicitário”. O programa foi apresentado por Huck por 21 anos. O apresentador chegou a cogitar se candidatar à presidência da República, mas desistiu para ficar na Globo e comandar os domingos da emissora.
Em 2019, a Lupa precisou mostrar que era mentira que o apresentador teria “abocanhado” R$ 20 milhões do Ministério da Educação e que os recursos da lei não tinham relação com o ministério.
Esse conteúdo também foi verificado pelo Fato ou Fake e pelo Boatos.org.
Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.
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Catiane Pereira
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