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Cinco meses após o 8 de janeiro, mensagens golpistas voltam a crescer no WhatsApp
15.06.2023 - 16h47
São Paulo - SP
Cinco meses após os atos de 8 de janeiro, a circulação de mensagens de cunho golpista voltou a crescer no WhatsApp. Levantamento exclusivo para a Lupa realizado pela Palver, empresa que monitora mais de 25 mil grupos, mostra que termos como “Fora STF” e favoráveis a uma paralisação geral no Brasil cresceram no último mês. 
As publicações – que abrangem conteúdos novos e antigos – ganham força em meio ao início da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro no Congresso, abrindo caminho para uma nova guerra de narrativas a respeito dos ataques em Brasília. 
A Palver analisou trocas de mensagens realizadas entre 31 de outubro de 2022 e 13 de junho de 2023. O monitoramento mostra que, após o 8 de janeiro, houve uma redução no número de conteúdos golpistas nos grupos. Contudo, um novo pico de mensagens foi registrado no dia 30 de março, data em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) retornou ao Brasil.
Menções de termos golpistas voltou a crescer após atos de 8 de janeiro. Fonte: Palver
Nos meses de maio e junho, o uso de termos golpistas voltou a crescer nos grupos, indicando um movimento de rerradicalização. Em uma das mensagens compartilhadas, um homem grava um vídeo fazendo ameaças ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. 
Na gravação, ele afirma ser injusta a forma como as pessoas presas nos atos de 8 de janeiro estão sendo tratadas e diz que “está preparando a tropa para resgatar essa turma lá em Brasília”. Em seguida, ameaça Moraes de morte e diz que vai cortar os dedos de Lula. 
Nos grupos, o homem é identificado como “um dos chefes de uma das maiores facções do Brasil”. Não há, contudo, nenhuma menção ao nome dele. 
Vídeo com ameaças ao ministro Alexandre de Moraes tem sido compartilhado desde o dia 5 de junho
Segundo a Palver, a mensagem foi compartilhada pela primeira vez em 5 de junho. Desde então, apareceu ao menos uma vez todos os dias. 
Outro conteúdo que indica a retomada dos ânimos golpistas é um vídeo no qual um homem convida as pessoas a parar o Brasil para que as Forças Armadas possam agir. Ele diz que, para haver algum tipo de mudança na situação política atual, é necessária a suspensão da produção agropecuária, do transporte rodoviário e das atividades comerciais.
O vídeo apareceu pela primeira vez nos grupos monitorados pela Palver no dia 27 de maio e continuou circulando até 5 de junho. Em um mesmo grupo, essa mensagem foi compartilhada ao menos 13 vezes.
Mensagem que convida pessoas a parar o Brasil começou a ser compartilhada em grupos no dia 27 de maio
Conteúdos antigos que circularam nos grupos após as eleições de 2022 também voltaram a ser compartilhados. Um exemplo é um vídeo que mostra pessoas se manifestando em frente a vários quartéis pelo Brasil.
A gravação foi encaminhada nos grupos durante o mês de dezembro, mas reapareceu neste ano, sobretudo entre os dias 11 e 12 de junho, quando a possibilidade de uma greve geral foi ventilada.
Em outro vídeo, uma mulher pede que sejam tomadas medidas inconstitucionais para que o “avanço do comunismo” seja impedido no Brasil. Esse conteúdo, que viralizou na semana anterior aos atos antidemocráticos em Brasília, voltou a circular no mês de junho.
É possível encontrar também conteúdos desinformativos, que tentam confundir os usuários. Uma mensagem enviada no dia 4 de junho traz o conteúdo de uma suposta carta que teria sido assinada pelo general Braga Netto. Nela, os militares são convocados a agir contra o STF. 
Carta falsa assinada por militares voltou a circular em grupos. Conteúdo é compartilhado desde 2019
O monitoramento da Palver mostra que essa mesma mensagem foi compartilhada nos grupos no dia 5 de janeiro, mas atribuída ao general Gilberto Pimentel. Em 2020, a Lupa verificou o conteúdo e mostrou que ele é falso. A suposta carta já circula nas redes sociais pelo menos desde 2019.
Este conteúdo foi produzido com o apoio do projeto "Desarmando a Desinformação" da ICFJ, um esforço global de três anos com financiamento principal da Scripps Howard Foundation, uma organização afiliada ao Scripps Howard Fund.
Nota: esta reportagem faz parte do projeto Lupa nos Golpistas, produzido pela Lupa com apoio da Fundação Heinrich Böll Brasil.
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Evelyn Fagundes
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