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É falso que Flávio Dino teve reunião com 'mulher líder do Comando Vermelho'
22.11.2023 - 11h31
João Pessoa - PB
Circulam nas redes sociais vídeos afirmando que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, teve duas reuniões com Luciane Farias, que é casada com um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no Amazonas. É falso.
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A mulher líder do Comando Vermelho teve duas reuniões com o ministro da Justiça
– Trecho de vídeo que circula no WhatsApp
Falso
Apesar de ter participado de reuniões no prédio do Ministério da Justiça, Luciane Farias não teve audiência com o ministro Flávio Dino. De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, que revelou o caso no dia 13 de novembro, e também segundo nota da pasta, as agendas foram com dois secretários. Luciane nega ser faccionada e diz ser criminalizada por ser esposa de um detento. Ela, no entanto, foi condenada por envolvimento com o tráfico de drogas e recorre em liberdade.
Em nota, a assessoria de imprensa do ministério explicou que a Secretaria de Assuntos Legislativos atendeu, em 16 de março, a uma solicitação de agenda da Associação Nacional da Advocacia Criminal (Anacrim) com a presença de várias advogadas. Na ocasião, o grupo foi recebido pelo secretário Elias Vaz.
"A cidadã mencionada [Luciane Farias] não foi a requerente da audiência, e sim uma entidade de advogados. A presença de acompanhantes é de responsabilidade exclusiva da entidade requerente e das advogadas que se apresentaram como suas dirigentes", justificou o texto.
Elias Vaz, secretário de Assuntos Legislativos, deu mais detalhes do encontro em sua conta no X (antigo Twitter). Ele afirmou que recebeu a ex-deputada estadual pelo Rio de Janeiro Janira Rocha, vice-presidente da Comissão de Assuntos Penitenciários da Anacim, que estava acompanhada de mães que perderam filhos por causa da violência, além de Luciane Farias. "Quanto à Sra. Luciane, ela estava como acompanhante da advogada Janira Rocha, e se limitou a falar sobre supostas irregularidades no sistema penitenciário", escreveu Vaz.
Ainda segundo a nota do ministério, diante dos apontamentos sobre o sistema penitenciário, Luciane foi aconselhada a buscar uma reunião na Secretaria de Políticas Penais, que é comandada por Rafael Velasco Brandani. De acordo com a pasta, o encontro se deu no dia 2 de maio.
No X, o ministro Flávio Dino também negou que tenha recebido em audiência no Ministério da Justiça qualquer "líder de facção criminosa, ou esposa, ou parente, ou vizinho". "De modo absurdo, simplesmente inventam a minha presença em uma audiência que NÃO SE REALIZOU em meu gabinete", reforçou.
Em sua conta no Instagram, Luciane Farias afirmou que não pertence a nenhuma facção e que, por presidir uma entidade como o Instituto Liberdade do Amazonas, procura "os espaços institucionais para apresentar a pauta de direitos fundamentais e humanos do sistema carcerário". "Não sou faccionada de nenhuma organização criminosa e venho sim, como inúmeras esposas e familiares, sendo criminalizada pelo fato de ser esposa de um detento. Respondo a um processo em que fui absolvida em primeira instância, houve recurso do MP e condenação em segunda, sendo que agora continuo recorrendo", afirma.
Luciane Barbosa Farias, conhecida como “primeira-dama do tráfico amazonense”, foi condenada a 10 anos de prisão por lavagem de dinheiro, associação para o tráfico e organização criminosa — acusações às quais responde em liberdade. Ela é casada com Clemilson dos Santos Farias, o Tio Patinhas, apontado como líder do Comando Vermelho no estado do Amazonas e preso desde dezembro de 2022.
Após a polêmica, o Ministério da Justiça publicou uma portaria com novas regras para a entrada de visitantes no Palácio da Justiça. A Portaria SE/MJSP nº 1.601 determina que, para solicitar uma reunião ou audiência, será necessário formalizar o pedido previamente para que possa ser avaliado pelo órgão. 

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