UOL - O melhor conteúdo
Lupa
É falso que vacinas contra Covid-19 possuem 1.291 efeitos colaterais e metais tóxicos
22.11.2023 - 12h57
Porto Alegre - RS
Post que circula nas redes sociais exibe um vídeo com um homem discursando ao ar-livre sobre a vacinação de crianças contra Covid-19. Ele comenta que a Pfizer divulgou que seu imunizante apresentou 1.291 efeitos colaterais e que as vacinas possuem metais tóxicos, incluindo césio, cobalto e bário. É falso.
Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
Leiam os clinical trials da Pfizer, 1.291 tipos de efeitos colaterais
– Texto em vídeo que, até 15h04 do dia 21 de novembro de 2023, havia sido visualizado por 120,2 mil usuários no X
Falso
A Pfizer não divulgou que sua vacina Comirnaty, disponível para crianças no Brasil, possui 1.291 efeitos colaterais. Na bula do medicamento constam como reações adversas muito comuns (ocorre em 10% dos pacientes) dor de cabeça, diarréia, dor nas articulações, dor muscular, dor e inchaço no local da injeção, cansaço, calafrios e febre.
A alegação sobre os 1.291 efeitos colaterais tem como base uma interpretação equivocada de um relatório, entregue pela Pfizer ainda no final de 2021, para a agência reguladora de medicamentos norte-americana Food and Drug Administration (FDA), como parte do Pedido de Licença Biológica (BLA, na sigla em inglês). 
No documento, o laboratório informa, dentre outros pontos, uma lista de "eventos adversos de interesse especial” (páginas 30 a 38), ou seja, possíveis efeitos os quais deveriam ser observados e monitorados. Isso não quer dizer que esses eventos foram confirmados e, sim, lista reações hipotéticas às quais os pesquisadores deveriam ficar atentos. 
O Pedido de Licença Biológica é uma das etapas de desenvolvimento dos medicamentos, que compõem a fase de estudos clínicos (os “clinical trials” citados pelo homem no vídeo). Esse é o momento em que a empresa que patrocina o estudo envia ao FDA (Federal Drug Administration - órgão governamental que autoriza a venda de medicamentos e outros produtos nos EUA) uma comunicação solicitando a aprovação para comercializar o medicamento.
Esse conteúdo já havia sido verificado pela Lupa, AFP Checamos e Boatos.Org em 2022.
Mark Trozzi, médico amigo meu, canadense, do Comitê Executivo do Conselho Mundial de Saúde, colocou o experimento no espectrômetro. Sabe o que ele descobriu que tinha no experimento? Césio, cobalto e bário dentro dos experimentos. São mais cinco metais tóxicos
– Texto em vídeo que, até 15h04 do dia 21 de novembro de 2023, havia sido visualizado por 120,2 mil usuários no X
Falso
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em nota enviada à Lupa, afirma que as alegações não procedem. “Estes elementos não estão presentes nas vacinas. Estes não são componentes das vacinas e seus excipientes. As vacinas para Covid autorizadas no Brasil mantêm seu perfil de segurança e eficácia positivos para o enfrentamento da Covid”, diz a Anvisa.
Mark Trozzi, o médico canadense citado no vídeo, é conhecido por militar contra as vacinas. Em outubro de 2021, ele foi impedido pelo Colégio de Médicos e Cirurgiões de Ontário (CPSO, na sigla em inglês), no Canadá, de conceder isenções médicas relacionadas às vacinas contra Covid-19. Em fevereiro de 2022, a Lupa publicou uma verificação apontando que era falso um texto de Trozzi no qual ele afirmava que a vacina da Pfizer provocou aborto em 100% das gestantes
Já o Conselho Mundial da Saúde é uma organização não oficial que espalha desinformação sobre a vacina. A entidade não tem respaldo internacional e é formada por médicos que tentam desencorajar a imunização contra Covid-19.

Nota: Este conteúdo foi produzido pela Lupa com apoio do Instituto Todos pela Saúde (ITpS)

Leia também


Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco.
Editado por
Clique aqui para ver como a Lupa faz suas checagens e acessar a política de transparência
A Lupa faz parte do
The trust project
International Fact-Checking Network
A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos.
A Lupa está infringindo esse código? FALE COM A IFCN
Tipo de Conteúdo: Verificação
Conteúdo de verificação de informações compartilhadas nas redes sociais para mostrar o que é falso.
Copyright Lupa. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.

Leia também


01.03.2024 - 14h25
Mudanças Climáticas
É falso que o Sol é o principal fator responsável pelo aquecimento global

Post afirma que o aquecimento global está relacionado principalmente com as variações do Sol, e não seria causado prioritariamente pela atividade humana. É falso. Esse entendimento é contrário ao conhecimento científico sobre a origem humana das mudanças climáticas dos últimos anos, conforme atestam os informes do IPCC, da ONU.

Catiane Pereira
01.03.2024 - 13h29
Segurança
É falso que Fernandinho Beira-Mar fugiu de presídio de segurança máxima em Mossoró

Post que circula pelas redes sociais afirma que Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, teria fugido junto com outros detentos da Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. É falso. Beira-Mar segue sob a custódia do Sistema Penitenciário Federal.

Catiane Pereira
01.03.2024 - 12h55
Saúde
É falso que Lula ‘liberou’ o aborto em qualquer tempo gestacional no Brasil

Circula pelas redes sociais que o governo Lula teria liberado o aborto no Brasil em qualquer idade gestacional. É falso. O governo não  legalizou o aborto. Uma nota técnica do Ministério da Saúde de 28 de fevereiro revogou uma orientação de 2022, do governo Bolsonaro, que fixava um prazo para os procedimentos. Essa nota foi suspensa em 29 de fevereiro.

Carol Macário
01.03.2024 - 12h47
Política
Soldados queimados em vídeo são turcos, não israelenses mortos pelo Hamas

Post mostra um vídeo com soldados sendo queimados vivos. A legenda que acompanha a publicação diz que são israelenses assassinados pelo Hamas. É falso. O vídeo é antigo e circula desde 2016. O Estado Islâmico assumiu a autoria do ato contra soldados turcos

Maiquel Rosauro
01.03.2024 - 12h16
Política
Nota das Forças Armadas é antiga e trata de protestos em quartéis de 2022

 Circula nas redes o vídeo de uma reportagem sobre uma nota das Forças Armadas que menciona “o que vem acontecendo no Brasil”. A publicação dá a entender que o documento se refere a supostos “descaminhos autocráticos” do poder Judiciário. Falta Contexto. A notícia é de 2022 e foi tirada de contexto.

Gabriela Soares
Lupa © 2024 Todos os direitos reservados
Feito por
Dex01
Meza Digital