UOL - O melhor conteúdo
Lupa
É falso discurso contra muçulmanos atribuído à ex-primeira-ministra da Austrália Julia Gillard
07.12.2023 - 19h21
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais uma mensagem afirmando que a primeira-ministra australiana, Julia Gillard, teria feito um discurso contra os muçulmanos. No texto, ela afirma que aqueles que seguem essa religião e moram na Austrália ou migraram para lá devem se acostumar com as leis nacionais ou deixar o país. É falso.
Por WhatsApp, leitores sugeriram que o conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
A primeira-ministra australiana, Julia Gillard, deveria se tornar rainha do mundo. O que ela disse requer muita coragem e confiança: 
"Os muçulmanos que exigem a lei Sharia foram convidados a deixar a Austrália até quarta-feira, pois a Austrália considera os muçulmanos fanáticos como terroristas. [...] Todos os muçulmanos que emigraram de outro país para a Austrália terão de adaptar-se e mudar para o nosso país e não esperar que mudemos para eles. Se eles não puderem fazer isso, preferiríamos que deixem a Austrália. [...] Por favor, NÃO leia o Alcorão nem reze em nossas escolas, escritórios ou locais públicos. Você pode fazer isso no conforto da sua casa ou na mesquita, o que não nos importaremos. “Se você tiver qualquer problema com nossa bandeira ou hino nacional, nossa religião ou modo de vida, por favor, deixe a Austrália imediatamente e nunca mais retorne.”
Primeira-ministra australiana Julia Gillard

– Trecho da mensagem que circula nas redes sociais
Falso
Julia Gillard jamais fez o discurso que circula nas redes sociais. Não existe nenhum registro nos buscadores Google, Bing e DuckDuckGo de que as afirmações do post foram publicadas por qualquer site oficial ou veículo de imprensa. A mensagem circula nas redes sociais há anos e já foi desmentida por veículos estrangeiros. Além disso, ao contrário do que alega o post, Gillard não é mais a primeira-ministra da Austrália. Ela deixou o posto em 2013, há dez anos. 
Recentemente, a narrativa falsa voltou a circular no WhatsApp e no Facebook por causa da guerra entre Israel e o Hamas. Entre 2019 e 2020, portais estrangeiros como o projeto Polígrafo, Reuters, The Quint e Alt News verificaram o conteúdo e também negaram que exista relação entre a frase e Julia Gillard.
De acordo com a apuração dos sites internacionais, a mensagem atribuída falsamente à Gillard foi inspirada, principalmente, em um artigo escrito pelo veterano da Força Áerea dos Estados Unidos Barry Loudermilk, na época do ataque às Torres Gêmeas. Respectivamente, o título e linha fina do texto de Loudermilk são: “essa é a América, goste dela ou deixe-a” e “se você não gosta do nosso jeito de fazer as coisas aqui, você está livre para sair a qualquer hora”. O conteúdo exalta a cultura local, o idioma e a fé em Deus, que são elementos presentes na mensagem que têm circulado nos últimos anos.
Por meio de pesquisas em inglês relacionando o nome de Julia Gillard e “muçulmanos”, a Lupa identificou, em um site do governo australiano, uma entrevista feita com a então primeira-ministra em 2011 sobre a migração muçulmana no país. Na ocasião, Gillard repudiou pensamentos discriminatórios contra os seguidores dessa religião. “Não dizemos às pessoas 'você não pode adorar desta forma se quiser vir para a Austrália'. Essa não é a tradição australiana, não é o jeito australiano”, afirmou.
A líder, que nasceu no Reino Unido, destacou ainda que o país não discrimina com base na raça ou na religião. “Eu sou migrante. Tenho uma visão muito clara sobre o que significa ser um bom migrante para este país. Posso falar sobre isso por experiência própria. Você é um bom migrante para este país se vier para cá; você está aqui porque deseja cumprir as regras deste país; você ama este país e está preparado para trabalhar duro para construir seu futuro. Essa é a base sobre a qual gerimos o nosso programa de migração”, disse.

Leia mais


Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco.
Editado por
Clique aqui para ver como a Lupa faz suas checagens e acessar a política de transparência
A Lupa faz parte do
The trust project
International Fact-Checking Network
A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos.
A Lupa está infringindo esse código? FALE COM A IFCN
Tipo de Conteúdo: Verificação
Conteúdo de verificação de informações compartilhadas nas redes sociais para mostrar o que é falso.
Copyright Lupa. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.

Leia também


01.03.2024 - 14h25
Mudanças Climáticas
É falso que o Sol é o principal fator responsável pelo aquecimento global

Post afirma que o aquecimento global está relacionado principalmente com as variações do Sol, e não seria causado prioritariamente pela atividade humana. É falso. Esse entendimento é contrário ao conhecimento científico sobre a origem humana das mudanças climáticas dos últimos anos, conforme atestam os informes do IPCC, da ONU.

Catiane Pereira
01.03.2024 - 13h29
Segurança
É falso que Fernandinho Beira-Mar fugiu de presídio de segurança máxima em Mossoró

Post que circula pelas redes sociais afirma que Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, teria fugido junto com outros detentos da Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. É falso. Beira-Mar segue sob a custódia do Sistema Penitenciário Federal.

Catiane Pereira
01.03.2024 - 12h55
Saúde
É falso que Lula ‘liberou’ o aborto em qualquer tempo gestacional no Brasil

Circula pelas redes sociais que o governo Lula teria liberado o aborto no Brasil em qualquer idade gestacional. É falso. O governo não  legalizou o aborto. Uma nota técnica do Ministério da Saúde de 28 de fevereiro revogou uma orientação de 2022, do governo Bolsonaro, que fixava um prazo para os procedimentos. Essa nota foi suspensa em 29 de fevereiro.

Carol Macário
01.03.2024 - 12h47
Política
Soldados queimados em vídeo são turcos, não israelenses mortos pelo Hamas

Post mostra um vídeo com soldados sendo queimados vivos. A legenda que acompanha a publicação diz que são israelenses assassinados pelo Hamas. É falso. O vídeo é antigo e circula desde 2016. O Estado Islâmico assumiu a autoria do ato contra soldados turcos

Maiquel Rosauro
01.03.2024 - 12h16
Política
Nota das Forças Armadas é antiga e trata de protestos em quartéis de 2022

 Circula nas redes o vídeo de uma reportagem sobre uma nota das Forças Armadas que menciona “o que vem acontecendo no Brasil”. A publicação dá a entender que o documento se refere a supostos “descaminhos autocráticos” do poder Judiciário. Falta Contexto. A notícia é de 2022 e foi tirada de contexto.

Gabriela Soares
Lupa © 2024 Todos os direitos reservados
Feito por
Dex01
Meza Digital