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É falso que Islândia parou de vacinar população contra Covid-19 após aumento de mortes súbitas
07.12.2023 - 16h42
Rio de Janeiro - RJ
Este texto foi atualizado para incluir novas informações
03.03.2024 - 11h46
Uma publicação compartilhada nas redes sociais diz que a Islândia deixou de oferecer vacinas contra a Covid-19 para a população. De acordo com o texto, o país não irá mais aplicar o imunizante porque o sistema de saúde pública enfrenta um enorme aumento nas mortes súbitas e lesões relacionadas com vacinas. É falso.
Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
A Islândia não oferece mais vacinas Covid à população em geral após aumento de mortes súbitas. O governo da Islândia anunciou a retirada imediata de todas as vacinas contra a Covid-19, enquanto o sistema de saúde pública da nação insular enfrenta um enorme aumento nas mortes súbitas e lesões relacionadas com vacinas
– Trecho de site compartilhado no WhatsApp
Falso
A Islândia não proibiu as vacinas contra a Covid-19. A aplicação dos imunizantes continua a ocorrer, mas no momento é recomendada para grupos prioritários da população. Nenhum anúncio de proibição foi publicado no site do Ministério da Saúde do país. A epidemiologista-chefe do departamento de saúde irlandês, Gudrun Aspelund, informou, em nota, que não há mortes súbitas em número crescente no país.
"A Islândia não proibiu as vacinas contra a Covid-19 e também não há mortes súbitas em alta", disse a epidemiologista. Aspelund informou ainda que o país reduziu a compra de vacinas para minimizar o desperdício: “Não há escassez [de vacinas contra a Covid-19] e, se grupos adicionais necessitarem de vacinação, isso é viável.”
A Islândia está oferecendo no momento a vacina de mRNA "Comirnaty XBB.1.5" da Pfizer. Ela é uma nova vacina de dose única que foi desenvolvida para combater a variante XBB.1.5 da Ômicron. No Brasil, a nova vacina foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 19 de dezembro de 2023. Ela pode ser utilizada por pessoas a partir de 5 anos de idade, independentemente do estágio de vacinação.
O imunizante será usado para a vacinação no inverno de 2023/2024 na Islândia — que geralmente começa em outubro e termina em abril do ano seguinte, porque o país adota apenas duas estações no seu calendário. Ela está disponível no país desde 2 de outubro deste ano.
Com 82% de sua população vacinada, de acordo com as últimas estatísticas do Ministério de Saúde, o país não está mais realizando uma campanha de vacinação sistemática para conter surtos de Covid-19, mas continua a oferecer a vacina a determinados grupos prioritários.
Em seu site, o Ministério da Saúde da Islândia informa: "Agora que a maioria das pessoas foi vacinada e/ou teve uma infecção por Covid-19, o risco de infecção grave entre crianças e adultos saudáveis é menor do que era em 2020-2021. Portanto, a ênfase mudou para a vacinação daqueles com maior risco de doença grave e/ou que têm capacidade prejudicada de responder à vacinação", diz o site, em tradução automática do inglês. 
Adaptado à variante ômicron e suas sub variantes, o imunizante destina-se a pessoas com mais de 60 anos, gestantes, profissionais da saúde, crianças com mais de 5 anos e adultos com doença cardíaca crônica, pulmonar, renal e hepática, obesidade e diabetes. 
Como prova de sua afirmação, o site desinformativo se baseia em uma notícia de um jornal islandês, cujo texto não está mais disponível para não assinantes. O portal irlandês teria publicado um suposto anúncio do governo onde declarava que os cidadãos não poderão mais receber vacinas contra a Covid-19. O site ainda exibe um gráfico que mostraria a evolução das “mortes súbitas” na Islândia. Contudo não é informada a origem do gráfico, tampouco a localidade a que os números se referem.
Conteúdo similar foi verificado por AFP, Reuters e USA Today.
Nota: Este conteúdo foi produzido pela Lupa com apoio do Instituto Todos pela Saúde (ITpS)
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Gabriela Soares
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