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Vídeo de Gilmar Mendes sobre ‘mesário pianista’ é antigo e foi editado para sugerir fraude em 2022
07.12.2023 - 17h06
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais um vídeo em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes fala sobre o “mesário pianista”, violação em que o voluntário vota pelo eleitor. O conteúdo está sendo compartilhado como se a fala do magistrado fosse atual, sugerindo que essa fraude ocorreu nas eleições de 2022. É falso.
Por WhatsApp, leitores sugeriram que o conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:
Gilmar Mendes reconhece que o sistema eleitoral eletrônico tem falhas e que mesários pianistas podem votar por qualquer eleitor faltante!
– Legenda do vídeo que circula nas redes sociais
Falso
O conteúdo é antigo, foi editado e está descontextualizado. A fala original do ministro foi feita em 6 de junho de 2018, durante uma sessão realizada pelo Plenário STF que discutiu a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5889, sobre a necessidade da impressão do voto registrado na urna eletrônica. Na ocasião, Mendes, que era o relator da ADI, não disse que as urnas eletrônicas têm falhas. O magistrado levantou problemas eleitorais que poderiam também ocorrer na votação por cédulas, como é o caso do “mesário pianista”. Posteriormente, ele afirmou que a adoção da biometria combate essas situações.
O trecho que circula nas redes sociais foi retirado a partir de uma fala que o ministro fez ao interromper o voto de Alexandre de Moraes. Mendes abordou situações em que ocorreram falhas no sistema eleitoral, mas que, segundo ele, não representaram “distorções significativas”, mas, sim, casos “marginais”. A fala na íntegra do ministro foi a seguinte:
“As vulnerabilidades do sistema de votação eletrônica são conhecidas da Justiça Eleitoral e, mais que isso, a Justiça Eleitoral os aponta. Por exemplo, o surgimento daquilo que, na linguagem da Justiça Eleitoral se fala, do ‘mesário pianista’. Em alguns locais se detectou. Em locais longínquos, em geral, o mesário acabava votando por alguém ausente. Isso por exemplo se detectou em um lugar no Maranhão e há um inquérito em tramitação sobre isso. Como que se descobriu [isso]? Porque se fez o cruzamento. Esse mesmo eleitor que justificou a ausência tinha votado. São questões marginais.” 
“Nós tivemos um caso [em] Pescaria Brava, em Santa Catarina, em que em uma urna se detectou, em uma eleição extremamente apertada, que um morto teria votado. E aí nós discutimos toda essa questão. Por que [aconteceu]? Porque alguém usou a identidade dessa pessoa. Mas, veja, a Justiça Eleitoral, hoje, avança celeremente para a biometrização, encerrando, portanto, esse capítulo. É uma vulnerabilidade do sistema reconhecida, mas isso não leva a distorções significativas, pode ser marginal, sequer elegeria, em princípio, um vereador. Isso é detectado e a Justiça Eleitoral trata disso com toda a abertura. Tanto é que, já na gestão do ministro Toffoli, deu um passo significativo e avançou para a ideia da biometria, que acabou aprovada e que já agora provoca mudanças em todo o nosso sistema de identificação. Já estamos experimentalmente utilizando desse documento de identificação nacional, que é fruto desse projeto do TSE de biometrização geral, porque o TSE passou a ter o maior banco de dados de biometria considerando esse amplo esforço de biometrização de todo o eleitorado.” 
Posteriormente a essa fala, a ministra Rosa Weber convocou Moraes para prosseguir com o seu voto e o ministro afirmou que os problemas mencionados por Mendes não representam “nada que também não ocorresse em outros métodos, outros instrumentos, com o voto somente escrito, [como] a votação de quem já tivesse morrido ou fraudes pontuais que a Justiça Eleitoral combate”. 
Ao analisar a ADI 5889, a maioria dos ministros considerou a impressão do voto inconstitucional, uma vez que o projeto coloca em risco o sigilo e a liberdade do voto.
Não é a primeira vez que esse vídeo desinformativo circula nas redes sociais. Em julho, o mesmo conteúdo também foi compartilhado como se a fala do ministro fosse recente. Naquele mês, o site da Justiça Eleitoral publicou uma checagem alegando que as afirmações de Gilmar Mendes foram editadas para sugerir fraudes nas eleições de 2022. Além disso, na mesma época, a AFP, o Estadão Verifica e o Aos Fatos também verificaram o conteúdo.

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Gabriela Soares
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