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10 fakes desmentidas em 2023 sobre Flávio Dino, indicado ao STF
13.12.2023 - 07h00
Londrina - PR
Postagens desinformativas buscaram associar Dino ao tráfico de drogas - Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
À frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública desde janeiro, Flávio Dino se tornou um dos principais alvos de desinformação política nas redes. Ao longo do ano, a Lupa publicou 19 verificações que envolviam diretamente o ministro e sua atuação na pasta. As postagens buscavam associar Dino ao tráfico de drogas e à organização dos atos golpistas de 8 de janeiro. Algumas delas também continham teor homofóbico e gordofóbico.
Após ser indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Dino será sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta-feira (13). Se aprovado, assumirá a vaga deixada pela ministra Rosa Weber.
Logo no início do ano, a gestão Lula precisou enfrentar os desdobramentos dos atos golpistas de 8 de janeiro em Brasília. Desde então, teorias da conspiração sugerem que a depredação teria sido promovida pelo próprio governo — tendo Dino, inclusive, como um de seus mentores. Não há, entretanto, nenhuma evidência de que “infiltrados” governistas atuaram nos ataques.
A visita de Dino ao Complexo da Maré, no Rio, em março, e as idas da esposa de um líder do Comando Vermelho ao Palácio da Justiça, reveladas no mês passado, intensificaram a associação do ministro a um suposto envolvimento com organizações criminosas. Em ambas as ocasiões, Dino foi acusado de se encontrar pessoalmente com traficantes — o que não ocorreu.
Em entrevista à Lupa em agosto, Dino se disse surpreso com a quantidade de desinformação da qual passou a ser alvo depois de assumir o ministério. “Nunca tinha vivido coisa igual. Fui governador, fui deputado federal, fui juiz. Nessa escala, eu nunca vi. Uma escala industrial de produção de ataques, todos os dias. Todos os dias eles inventam algum tema esdrúxulo de uma reunião que eu não fui, de um evento que não houve, de um processo que eu não respondi”, afirmou.
Relembre as principais informações falsas sobre o ministro Flávio Dino desmentidas pela Lupa em 2023:
Vídeo mostra Dino chegando a uma comunidade e cumprimentando pessoas após descer de um carro. De acordo com a publicação, o ministro teria ido até o Complexo da Maré, no Rio, para se reunir com lideranças da facção criminosa Comando Vermelho. É falso. A cena realmente foi registrada na Maré, mas o ministro foi até o local para participar do lançamento de um estudo sobre violência armada publicado pela organização Redes da Maré.
Postagem afirma que fuzis teriam sido apreendidos na mesma ONG visitada por Dino no Complexo da Maré. É falso. A apreensão de armas mostrada nas publicações ocorreu na ONG “Projeto Multiplicação Social”, localizada na Comunidade Parada de Lucas, no Complexo de Israel, também no Rio. Já a visita de Dino ocorreu em um galpão localizado no Parque Maré, durante um evento da organização Redes da Maré.
Vídeos afirmam que Dino teria tido duas reuniões com Luciane Barbosa Farias, que é casada com um dos líderes do Comando Vermelho no Amazonas. É falso. Apesar de ter participado de reuniões no prédio do Ministério da Justiça, Luciane não teve audiência com o ministro. Ela nega ser faccionada, mas foi condenada por envolvimento com o tráfico de drogas e recorre em liberdade.
Em vídeo, Dino afirma ser fã de uma mulher que o abraça, enquanto ambos posam para uma foto. Segundo a legenda da publicação, ela seria Luciane Barbosa Farias, esposa de um líder do Comando Vermelho. É falso. Na verdade, quem está nas imagens é a humorista Virgínia Álvares.
Trecho de uma transmissão da CNN Brasil é usado como prova de que Dino teria sido o “mentor do golpe” de 8 de janeiro. Na gravação, feita por uma câmera de monitoramento do Palácio do Planalto, ele apareceria arquitetando a depredação. É falso. As imagens mostram, na verdade, a chegada da cúpula do governo federal ao Planalto após os ataques — e não uma ação anterior a isso.
Vídeo mostra Dino comemorando o resultado das eleições de 2022 ao lado de um homem que, de acordo com a legenda da publicação, seria George Washington Sousa, investigado por terrorismo após montar uma bomba nas proximidades do aeroporto de Brasília. É falso. O homem é, na verdade, o atual governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB). Na gravação, eles comemoravam o resultado do 2º turno das eleições que deu a vitória a Lula.
Uma entrevista antiga do ministro circula de forma descontextualizada nas redes. Na gravação, Dino afirma que ofereceu aos médicos a possibilidade de receitar substâncias como a cloroquina, a azitromicina e a ivermectina no tratamento da Covid-19. Trata-se, no entanto, de uma declaração de maio de 2020, ainda nos primeiros meses da pandemia, de quando era governador do Maranhão. Nenhuma dessas substâncias se provou eficaz na prevenção ou tratamento da doença.
Vídeo mostra uma pessoa vestida de borboleta azul na Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo. Segundo a legenda do post, seria Dino. É falso. A cena foi registrada em 2022 e mostra a drag queen Kaká di Polly, figura histórica da Parada paulistana, que morreu em janeiro deste ano. Di Polly se jogou na avenida Paulista para despistar policiais e permitir que o desfile ocorresse em 1997.
Gravação mostra dois homens em um bar dançando ao som de “Infiel”, da cantora Marília Mendonça. Eles seriam Dino e o ministro da Defesa, José Múcio, segundo a postagem. É falso. Nenhum deles aparece nas imagens que circulam, ao menos, desde 2017. Apesar de não haver menção do local retratado ou das pessoas que aparecem na cena, é possível observar que são pessoas com características físicas diferentes das dos ministros.
Publicações afirmam que Dino teria dito que manifestantes contrários ao governo do presidente Lula seriam “abatidos com balas de verdade”. É falso. Não há nenhum registro da suposta declaração em veículos de imprensa ou nas redes sociais do ministro.
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Gabriela Soares
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