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Vacinas contra Covid-19 não são terapia gênica; casos de Guillain-Barré são considerados raros
15.12.2023 - 18h27
Porto Alegre - RS
Uma mulher diz em vídeo que circula nas redes sociais que as vacinas contra Covid-19 não podem ingressar no Programa Nacional de Imunização (PNI) porque seriam experimentais e terapia gênica. Ela também afirma que o número de casos de Síndrome de Guillain-Barré teriam disparado após a imunização contra a doença. É falso.
Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
Os imunizantes da Covid-19 não podem fazer parte do PNI, Programa Nacional de Imunização, porque estes imunizantes são experimentais, terapias gênicas”
– Fala dita em vídeo que circula nas redes sociais
Falso
As vacinas contra Covid-19 aplicadas no Brasil não são experimentais, nem interferem nos genes humanos. Os imunizantes foram testados em ensaios clínicos que envolveram dezenas de milhares de voluntários, cumpriram protocolos internacionais e receberam registro definitivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para serem aplicados na população. Ao contrário do que se sugere, não há etapas de teste ainda pendentes.
No site da Anvisa é possível conhecer o rigoroso procedimento pelo qual uma vacina é submetida antes de estar disponível para a população. Em primeiro lugar, o laboratório realiza testes com animais e, depois, ensaios clínicos com seres humanos, em três fases, para entender se a vacina é segura e eficaz contra o vírus que deseja combater. Caso o resultado seja positivo, essas empresas requisitam um registro à Anvisa para comercializar o imunizante no Brasil.
“Profissionais especializados da agência vão revisar todos os documentos técnicos e regulatórios e verificar os dados de segurança e eficácia, bem como avaliar a qualidade da vacina. O registro, concedido pela Anvisa, é o sinal verde para que a vacina seja comercializada e disponibilizada no país”, explica a agência.

Terapia gênica

Além disso, a Anvisa informa que as vacinas que empregam em sua tecnologia o código genético do vírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, não são produtos de terapia gênica, já que não se utilizam de cópias de genes humanos para tratamentos de doenças. 
"As vacinas elaboradas a partir de código genético do vírus da Covid-19 são usadas em processos de imunização de pessoas saudáveis e não para o tratamento de alterações genéticas ou de doenças relacionadas, por isso não podem ser consideradas terapias gênicas", argumenta a agência.
Conforme normas vigentes da Anvisa, publicadas em 2018, o produto de terapia gênica é um medicamento especial que contém ácido nucleico recombinante (material genético), com o objetivo de regular, reparar, substituir, adicionar ou deletar uma sequência genética e/ou modificar a expressão de um gene humano, com vistas a resultados terapêuticos. Ou seja, a terapia gênica utiliza-se de material genético humano, manipulado em laboratório, para tratamento de doenças genéticas ou relacionadas. 
"Já as vacinas de RNAm, a exemplo da vacina da Pfizer, usam o código genético do vírus da Covid-19 para fabricar de forma sintética o chamado RNA mensageiro (RNAm), para que nossas células produzam a proteína característica do vírus e induzam a resposta imunológica. Nesse caso, não há interação ou interferência com os genes humanos”, informa a Anvisa.
O órgão ressalta ainda que as moléculas de RNA mensageiro são transitórias e acabam sendo rapidamente degradadas nas células após produzirem as proteínas imunizantes.

PNI

Em outubro, o governo federal anunciou que, a partir de 2024, a vacina contra a Covid-19 passará a fazer parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI). A recomendação do Ministério da Saúde é que estados e municípios priorizem crianças de 6 meses a menores de 5 anos e grupos com maior risco de desenvolver formas graves da doença: idosos, imunocomprometidos, gestantes e puérperas, trabalhadores da saúde, pessoas com comorbidades, entre outras populações.
Síndrome de Guillain-Barré está dando demais na população. Muitas pessoas estão com as reações e não estão nem conseguindo o exame necessário”
– Fala dita em vídeo que circula nas redes sociais
Falso
Casos da Síndrome de Guillain-Barré (SGB) após a vacinação contra Covid-19 foram relatados em diversos países, inclusive no Brasil. Porém, são considerados raros.
A Anvisa divulgou um comunicado, em julho de 2021, informando que, até aquele momento, havia recebido 27 notificações de casos suspeitos da síndrome após a imunização com a vacina da AstraZeneca, além de três casos com a vacina da Janssen e outros quatro com a CoronaVac, totalizando 34 registros. Até então, 95,2 milhões de doses haviam sido aplicadas no país.
Boletim Epidemiológico publicado pelo Ministério da Saúde em junho deste ano, que analisa as notificações de Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (Esavi) desde o início da vacinação no Brasil, também reforça que a síndrome é rara entre imunizados. De acordo com o documento, a SGB figurou entre eventos graves supostamente atribuíveis à vacinação apenas entre os imunizados com a Janssen, e em uma taxa baixa: 0,06 caso a cada 1000 doses aplicadas (página 12).
"A maioria das pessoas se recupera totalmente do distúrbio. O principal risco provocado pela síndrome é quando ocorre o acometimento dos músculos respiratórios. Nesse último caso, a SGB pode levar à morte, caso não sejam adotadas as medidas adequadas”, informou a agência em 2021. O órgão, contudo, destacou que continuava mantendo a recomendação pela vacinação contra a Covid-19, já que os benefícios da imunização superavam seus riscos.
A SGB é um distúrbio autoimune, ou seja, o sistema imunológico do próprio corpo ataca parte do sistema nervoso, que são os nervos que conectam o cérebro com outras partes do corpo. É geralmente provocada por um processo infeccioso anterior e manifesta fraqueza muscular, com redução ou ausência de reflexos.
Diante dos relatos de eventos adversos raros pós-vacinação, a agência solicitou, ainda em 2021, que as vacinas AstraZeneca (página 5), Janssen (página 3) e CoronaVac (página 6) incluíssem nas bulas informações sobre o possível risco de SGB. 

Nota: Este conteúdo foi produzido pela Lupa com apoio do Instituto Todos pela Saúde (ITpS)

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Gabriela Soares
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