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É falso que água do Rio de Janeiro está contaminada por vírus
17.01.2024 - 17h01
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais um vídeo no qual um homem diz que a água do Rio de Janeiro está contaminada. Ele reproduz o áudio de uma mulher que se identifica como esposa de um biólogo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ela afirma que a Fiocruz tem escondido informações sobre supostos perigos na água, como o risco de parada cardíaca em crianças, e faz recomendações à população sobre como utilizar o recurso. É falso
Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
(...) Meu marido é biólogo da Fiocruz. A Fiocruz foi proibida de falar o risco que tá acontecendo na na água do Rio de Janeiro. Os noticiários estão anunciando 30% do risco. É muito mais grave do que a gente pode imaginar, tá bom? Água de filtro não funciona, o vírus passa. Tem que ferver a água. Vai escovar os dentes, escovar com água fervida. Tomar banho, põe algodão nos ouvidos e que seja um banho rápido. Não beba água da torneira. A água está com vírus muito forte e eles tão colocando uma composição que é mais forte que o vírus para matar o vírus e pode dar uma parada cardíaca em qualquer criança ou pessoas que têm arritmia (...)
– Trecho de vídeo compartilhado no WhatsApp
Falso
A Fiocruz esclareceu, em nota enviada à Agência Lupa, que trata-se de um áudio antigo, que não reflete a posição da fundação e que, recentemente, não foi realizada qualquer análise da qualidade da água do Rio de Janeiro.
A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), empresa responsável pela captação e tratamento da água, também emitiu um comunicado desmentindo o conteúdo, assegurando  que a água captada passa por processo rigoroso de controle de qualidade e está dentro dos padrões de potabilidade exigidos pela legislação.
A companhia detalhou que mantém um monitoramento constante da água no Sistema Guandu, que atende cerca de 10 milhões de pessoas no Rio e na Baixada Fluminense.“A Cedae mantém o monitoramento constante da água em mais de 35 pontos, desde o leito do Rio Guandu até a saída da água tratada da estação, a partir de onde passa a ser distribuída pelas concessionárias. Além disso, o laboratório da Estação de Tratamento de Água (ETA) conta com equipamentos de alta tecnologia que permitem a realização de análises em até meia hora”, explicou. 
Em nota, a concessionária Águas do Rio, empresa responsável pela distribuição e comercialização da água no Rio de Janeiro, informou que não há nenhum vírus na água fornecida para a população. A empresa afirma que a água está dentro dos padrões de potabilidade determinados pelo Ministério da Saúde e que realiza periodicamente testes de qualidade nos 27 municípios onde atua.
O áudio em circulação é antigo e já foi desmentido pela Lupa em 2020. Naquele ano, em janeiro, ocorreram problemas com o abastecimento de água no Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense, quando os moradores começaram a relatar que a água das torneiras apresentava odor e sabor desagradáveis. A Cedae, na ocasião, atribuiu o problema à presença de geosmina, um tipo de composto orgânico produzido por microorganismos.
A Fiocruz esteve na Estação de Tratamento de Água do Guandu e constatou que o local enfrentava  “vulnerabilidade decorrente da elevada poluição” do rio Guandu, responsável pelo abastecimento da cidade. No entanto, naquela época, a Fiocruz não mencionou a presença de vírus na água.
Conteúdo semelhante foi verificado por Boatos.org, Fato ou Fake e UOL Confere
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Gabriela Soares
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