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É falso que vacina da Covid-19 foi produzida para ‘reduzir a população’
17.01.2024 - 14h10
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais um vídeo do ex-vice presidente da Pfizer, Michael Yeadon, afirmando, em tom conspiratório, que os efeitos colaterais da vacina contra a Covid-19 não são acidentais e que ela teria sido produzida para “reduzir a população”. É falso
Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
Ex-vice-presidente e cientista-chefe da Pfizer, Dr. Mike Yeadon, finalmente jogou tudo no ventilador, ele expôs todo o crime que fizeram, e que as vacinas não foram feitas para causar danos por acidente, foram intencionais para reduzir a população [...]
– Legenda de vídeo compartilhado no WhatsApp
Falso
Pesquisas científicas demonstram que as vacinas contra a Covid-19 ajudaram a preservar vidas, e não o contrário. Todos os imunizantes ofertados no Brasil tiveram a eficácia e a segurança comprovadas e validadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e seguem orientações do Ministério da Saúde para aplicação.
Diversas pesquisas buscaram mensurar o efeito da imunização na diminuição das mortes por Covid-19. Um artigo publicado no periódico The Lancet Infectious Diseases em junho de 2022, por exemplo, estimou que o primeiro ano de vacinação, entre 8 de dezembro de 2020 e 8 de dezembro de 2021, evitou a morte de 19,8 milhões de pessoas por Covid-19 em todo o mundo. O estudo de modelagem matemática analisou taxas de vacinação, mortes por Covid e excesso de registro de óbitos.
Outro estudo, publicado no The Lancet Regional Health Americas em novembro de 2022, estimou que 58 mil pessoas com mais de 60 anos de idade foram salvas no Brasil nos primeiros sete meses de imunização.
Em 17 de janeiro de 2021, a primeira vacina contra a Covid-19 foi aplicada no país. A partir do mês de abril daquele ano, houve queda no número de mortes por Covid-19 no Brasil, o que demonstrou a efetividade da vacina em grupos que já estavam imunizados, como idosos.
Desde então, a proteção conferida pelas vacinas tem sido observada em todo o cenário nacional. Em 2022, ainda que o vírus estivesse circulando, a taxa de morte caiu no país — 83,2% no primeiro semestre em comparação ao mesmo período de 2021 —, e as medidas de prevenção, como o uso de máscaras, deixaram de ser obrigatórias
Michael Yeadon
Michael Yeadon diz que trabalhou na Pfizer de 1995 a 2011, de acordo com seu perfil no Linkedin (arquivado aqui). Ele teria ocupado o cargo de vice-presidente da área de pesquisa sobre alergias e respiração na Pfizer de 2005 a 2011.
Em nota, a Pfizer informou que não compartilha registros de empregados. A empresa também ressaltou, em relação aos apontamentos sobre a segurança das vacinas contra a Covid-19, que os imunizantes mostraram ser seguros e eficazes em ensaios clínicos e foram aprovados por agências regulatórias pelo mundo.
Vale ressaltar que a partir de 2020, Michael Yeadon, que não era mais ligado à Pfizer, se tornou um difusor de teorias pseudocientíficas sobre a pandemia e as vacinas. Seu nome aparece em diversos conteúdos de veículos de checagem pelo mundo como Reuters, USA Today e Snopes
A Lupa já verificou publicações que teriam sido escritas pelo ex-cientista da Pfizer. Uma delas falsamente afirmava que a vacina de Covid-19 poderia causar infertilidade em mulheres; outra apontava que as vacinas não seriam necessárias para controlar pandemias
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Gabriela Soares
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