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É falso que vacinas da Covid foram destruídas na Rússia e suspensas por 21 países
19.01.2024 - 15h05
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes um vídeo em que um homem afirma que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, teria mandado destruir todas as vacinas contra Covid-19 após o registro de casos de AVC, trombose, derrame e infarto. Além disso, ele alega que mais de 21 países teriam suspendido o uso desses imunizantes, justificando que estariam, supostamente, “dizimando as populações”. É falso. 
Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
“Olha só, presidente Putin ordena destruição de todas as vacinas da Covid”

– Trecho de fala em vídeo que circula nas redes sociais
Falso
Não há nenhum registro na imprensa ou em órgãos oficiais da Rússia sobre a suposta determinação de Putin para destruir todas as doses de vacinas contra a Covid-19 no país. O boato circula nas redes desde março de 2023 e teve início a partir de uma publicação de um site conhecido por disseminar teorias conspiratórias. A história foi desmentida pela Lupa na época
Não foram encontrados anúncios sobre o assunto nos sites do Ministério da Saúde ou da Presidência do país. A pesquisa pelos termos “Putin” e “Covid-19” em buscadores como Google e Bing também não retornou notícias que confirmassem a história. O resultado foi o mesmo em sites de agências internacionais de notícias, como Reuters e BBC.
Além disso, em 26 de dezembro de 2023, as regiões russas iniciaram a compra da vacina Sputnik Light atualizada contra a infecção por coronavírus. A compra foi anunciada pelo ministro da saúde russo, Mikhail Murashko — demonstrando que os imunizantes ainda são aplicados no país. 
“Mais de 21 países do mundo suspenderam [as vacinas de Covid-19], entre eles Alemanha e França, para que seja feito um estudo mais aprofundado, porque está tendo muito efeito colateral. Está dizimando a população”
– Trecho de fala em vídeo que circula nas redes sociais
Falso
Não foi localizada nenhuma notícia que confirma a suspensão das vacinas contra Covid-19 em “mais de 21 países”. Na Alemanha e na França, países citados no vídeo, as vacinas continuam sendo aplicadas.
Buscas no Google, Bing e DuckDuck Go não retornaram nenhuma notícia sobre uma suposta suspeição da vacinação contra Covid-19 em “mais de 21 países” para realização de estudos mais aprofundados. Também não foram identificadas notícias que sustentem a afirmação de que vacinas estariam “dizimando a população”. Pelo contrário, a vacinação contra a doença segue sendo recomendada por agências reguladoras e instituições nacionais e internacionais, entre elas a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Na Alemanha, as vacinas são recomendadas para todos os cidadãos saudáveis com idades entre 18 e 59 anos, segundo informações do Ministério da Saúde. A pasta também destaca que as vacinas contribuíram significativamente para o controle da pandemia no país.
Por sua vez, o Ministério do Trabalho, Saúde e Solidariedade da França informa que todas as pessoas podem ser vacinadas contra a doença a partir dos 5 anos, exceto em casos de contraindicação, como não recomendação médica ou alergia a algum dos componentes dos imunizantes, conforme estabelecido no anexo do decreto n.º 2022–1097 de 30 de julho de 2022
Além disso, pesquisas apontam que a vacinação contribui para a diminuição das mortes por Covid-19. Um artigo publicado no periódico The Lancet Infectious Diseases em junho de 2022, por exemplo, estimou que o primeiro ano de vacinação, entre 8 de dezembro de 2020 e 8 de dezembro de 2021, evitou a morte de 19,8 milhões de pessoas por Covid-19 em todo o mundo. O estudo de modelagem matemática analisou taxas de vacinação, mortes por Covid-19 e excesso de registro de óbitos.
Outro estudo, publicado no The Lancet Regional Health Americas em novembro de 2022, estimou que 58 mil pessoas com mais de 60 anos de idade foram salvas no Brasil nos primeiros sete meses de imunização.
Nota: Este conteúdo faz parte do projeto Mídia e Democracia, produzido pela Escola de Comunicação, Mídia e Informação da Fundação Getulio Vargas (FGV ECMI) em parceria com Democracy Reporting International e a Lupa. A iniciativa é financiada pela União Europeia.

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Gabriela Soares
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