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Vigilância Sanitária não recomenda colocar cloro com sal em ralos contra a dengue
16.02.2024 - 18h54
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais uma mensagem afirmando que a Vigilância Sanitária pediu para a população colocar, nos ralos residenciais, meio copo de cloro e uma colher de sal a fim de combater focos de dengue. Falso.
Por WhatsApp, leitores sugeriram que o conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
Utilidade pública
Vigilância Sanitária pede, como medida de segurança: 
colocar meio copo de cloro e também uma colher de sal, na 2a. Feira e na 6a. Feira, em todos os ralos que tiver em sua casa 
O problema da dengue está mais sério, em escala de epidemia nacional, 
Por favor repasse para todos os seus contatos !!!

– Legenda da imagem que circula nas redes sociais
Falso
O post não menciona se a “Vigilância Sanitária” que teria feito a suposta recomendação seria de algum município, estado ou a agência nacional que tem essa responsabilidade. Uma busca no Google feita com o mesmo texto da mensagem mostra que ela não foi compartilhada oficialmente por nenhum órgão desse tipo. O post é antigo e circula pelo menos desde 2019 no Facebook.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), negou, em nota encaminhada à Lupa, que tenha feito o comunicado sobre a mistura de cloro e sal para eliminar larvas de mosquito da dengue. Também não há qualquer recomendação do Ministério da Saúde sobre o uso do cloro como forma de combate ao mosquito Aedes aegypti. Por outro lado, a pasta recomenda manter caixas d’água fechadas, limpar as calhas dos telhados e manter os ralos limpos e com aplicação de telas.
O uso do produto em locais com acúmulo de água, como piscinas, pode ser eficiente para impedir que os ovos do mosquito sobrevivam – desde que isso seja feito na proporção correta. Em entrevista à Lupa, o professor do Departamento de Biologia Geral do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, Filipe Abreu, reconheceu a eficácia do uso do cloro em matar as larvas. Ele alertou, no entanto, que desconhece estudos na literatura científica que comprovem a eficácia do uso combinado de sal e cloro.
“Tanto o cloro quanto a água sanitária são materiais tóxicos e que vão matar, dependendo da diluição da concentração, larvas de mosquitos que eventualmente estejam nos criadouros, sejam eles ralos ou outros criadouros”, disse. “O problema dessa técnica é que a concentração pode ficar muito diluída. A gente não sabe quanto de água tem dentro de cada ralo, então pode ser que aquilo fique muito diluído e acabe não surtindo o efeito necessário. Poderia causar uma falsa sensação de segurança”, explica o professor. 
Apesar de o cloro ser eficaz no combate às larvas do mosquito, o produto só mostra benefício quando dissolvido na proporção correta. Para o uso adequado, é necessário que exista controle sobre a relação entre a quantidade de soluto (cloro) e de solvente (água) a serem misturados, situação que não ocorre em ralos residenciais, onde não é possível ter noção sobre a concentração de água existente no local. 
Em relação ao uso do sal para combater as larvas, Abreu defende que, em altas concentrações, o produto poderia causar a mortalidade das larvas. Em um ralo, contudo, é difícil precisar a quantidade de sal necessária. Segundo um estudo asiático publicado em 2010, que expôs larvas de mosquitos em até 120 horas de solução salina, foi possível notar, em alguns casos, a mortalidade dessas larvas. Todavia, vale destacar que o trabalho foi feito em condições controladas, compreendendo a relação adequada entre solvente e soluto. 
Um conteúdo similar foi desmentido pelo Estadão Verifica.

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Ítalo Rômany
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