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É falso que urnas foram programadas para conceder vitória a Lula nas eleições de 2022
21.02.2024 - 14h10
Rio de Janeiro - RJ
Circula pelas redes sociais um vídeo narrado pelo “sistema”, onde é dito que as urnas eletrônicas de modelos antigos, exceto o modelo de 2020, utilizadas nas eleições presidenciais de 2022, continham um “algoritmo de segurança” que favorecia a vitória do então candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É falso
Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
No último modelo de urna 2020 os votos são reais e dão a vitória ao Bolsonaro (...) Já os demais modelos antigos controlados e com nosso algoritmo de segurança democrática dão a margem necessária ao Lula para virar a eleição. Esquece a probabilidade matemática, as regras racionais de estatística, ninguém da imprensa vai me questionar. Eu sou o sistema (...)
– Trecho de vídeo que circula pelo WhatsApp
Falso
Nas eleições de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) empregou seis modelos de urna eletrônica: UE 2015, UE 2013, UE 2011, UE 2010 e UE 2009, com a novidade para o modelo 2020 (UE 2020), que foi utilizado pela primeira vez no primeiro turno daquele ano. Apesar de apresentarem algumas diferenças entre si, todas as versões da urna utilizam os mesmos programas desenvolvidos pelo TSE.
Dentre as principais mudanças do modelo 2020 estão o processador 18 vezes mais rápido que a antecessora (UE 2015), bateria projetada para durar por toda a vida útil do aparelho, terminal do mesário com tela totalmente gráfica e reforço da cadeia de segurança por um hardware criptográfico. De acordo com o TSE, todas as urnas eletrônicas oficiais da Justiça Eleitoral apresentam os requisitos de segurança e legitimidade para receber e apurar com fidedignidade os votos.
Além disso, antes do início da votação, todas as sessões eleitorais são obrigadas a emitir um relatório, a chamada zerésima. Por esse relatório, é possível atestar que não há votos computados na urna eletrônica. A zerésima de cada urna deve ser assinada pelas autoridades e também pelos fiscais partidários presentes.
Para as eleições municipais de 2024, serão usados os modelos de 2015, 2020 e 2022, visto que as urnas eletrônicas têm vida útil de 10 anos.
Fiscalização e segurança das urnas
As urnas eletrônicas são seguras e passam por etapas de verificação de segurança que atestam sua confiabilidade e imparcialidade no pleito. Todos os modelos de urna eletrônica registram automaticamente todos os votos, e seu sistema não altera, nem adiciona ou subtrai os votos dos eleitores. 
De acordo com o TSE, a urna registra todos os eventos da votação em arquivo de log, que pode ser verificado e comparado com as atas das seções eleitorais. Todo o processo eleitoral é auditável e conta com diversas auditorias antes, durante e depois das eleições, o que garante a confiabilidade dos equipamentos. 
O chamado Teste de Integridade, realizado ao longo do domingo de votação, é uma das principais etapas de auditoria do processo. Trata-se de uma simulação na qual votos em cédulas de papel são manualmente inseridos em urnas sorteadas na véspera da data do pleito. Todo o procedimento é transmitido ao vivo pela internet e acompanhado por empresas de auditoria externa. Ao final do teste, é possível comparar se o resultado das cédulas do papel bate com o consolidado pela urna.
Vale ressaltar que diversas entidades e organizações atestaram a lisura das eleições presidenciais de 2022. Em 9 de novembro de 2022, o Ministério da Defesa publicou o relatório de fiscalização do sistema eletrônico de votação. Em suas conclusões, o documento não aponta a presença de códigos maliciosos prejudicando a segurança do sistema. 
O relatório preliminar da Missão Integrada de Observação Eleitoral da União Interamericana dos Órgãos Eleitorais (Uniore), publicado em 31 de outubro de 2022, também comprovou a segurança do sistema eletrônico de votação. Já o relatório final do Conselho Federal da OAB, divulgado em novembro de 2022, também reforçou que o processo eleitoral foi limpo e seguro. É possível consultar todos os relatórios das missões no site do TSE.
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Nota: Este conteúdo faz parte do projeto Mídia e Democracia, produzido pela Escola de Comunicação, Mídia e Informação da Fundação Getulio Vargas (FGV ECMI) em parceria com Democracy Reporting International e a Lupa. A iniciativa é financiada pela União Europeia.
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