UOL - O melhor conteúdo
Lupa
É falso que as vacinas contra Covid-19 causam efeitos colaterais em todo o organismo
26.02.2024 - 16h55
Rio de Janeiro - RJ
Circula na internet o vídeo de uma conferência realizada por médicos japoneses, que alegam que as vacinas contra Covid-19 são tóxicas e causam danos a “todos os órgãos, sem exceção”.  É falso. 
Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
“Milhares de artigos revelam efeitos colaterais após a vacinação, que afetam todos os órgãos, sem exceção”
– Fala em vídeo que circula nas redes sociais
Falso
Não há evidências de que as vacinas causem efeitos colaterais “que afetam todos os órgãos”. Todos os imunizantes contra a Covid-19 aplicados no Brasil — incluindo os que utilizam a tecnologia de RNA mensageiro —, são comprovadamente seguras e eficazes, conforme esclarece a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
Em nota, a Organização Mundial da Saúde (OMS), que analisou o vídeo, negou os efeitos colaterais apontados na publicação e ressaltou a importância dos imunizantes. “O que as evidências científicas de alta qualidade realmente apontam é que as vacinas treinam o nosso sistema imunológico para criar proteínas que combatem as doenças, conhecidas como ‘anticorpos’”, esclareceu a organização. 
O médico infectologista e professor do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Alexandre Naime Barbosa, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica que, assim como qualquer outro medicamento, as vacinas têm efeitos colaterais, contudo, na grande maioria dos casos esses efeitos são leves — informação também reforçada pelo Ministério da Saúde
Um estudo publicado pela revista científica Vaccine, da Sociedade Japonesa de Vacinologia, em 12 de fevereiro de 2024, citado por Naime em sua explicação, mostra que o risco de eventos adversos de interesse especial — que requerem maior preocupação e análise médica e científica (página 5) —, como miocardite e pericardite, por exemplo, está mais associado à própria infecção por Covid-19 do que com a vacinação. 
“Não faz sentido nenhum você não se vacinar por medo de efeitos adversos, porque a contaminação por Covid-19 traz uma chance muito maior de você ter esse tipo de complicação do que com a vacina”, complementou o infectologista. 
É válido reforçar ainda que os médicos japoneses não esclarecem quais artigos foram usados na análise. No vídeo, mostram apenas que eles foram retirados do site PubMed da Biblioteca Nacional de Medicina do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. Contudo, o órgão não avalia ou endossa os artigos disponíveis na página e nem todos os estudos foram avaliados por pares que assegura maior qualidade às pesquisas. Ou seja, não é possível determinar a qualidade das publicações usadas por eles. 
“A proteína spike [gerada pela vacina] é tóxica. Outro ponto são as nanopartículas lipídicas, que também são tóxicas”
– Texto em vídeo que circula nas redes sociais
Falso
A proteína spike é um fragmento do vírus SARS-CoV-2, responsável pela COVID-19, fabricada pelo organismo a partir dos imunizantes de RNA mensageiro. Enquanto, as nanopartículas compostas por lipídios facilitam o transporte das substâncias da vacina para dentro das células do corpo. Essa ação é pontual, durando entre 15 e 63 horas, conforme mostra o estudo publicado em setembro de 2023 na revista científica Nature. Além disso, um especialista ouvido pela Lupa negou que as substâncias sejam tóxicas.
As vacinas de RNA mensageiro têm o objetivo de “ensinar” o corpo a produzir a proteína do Sars-CoV-2 conhecida como Spike, que é responsável por ligar o vírus da Covid-19 com as nossas células. Após a imunização, ela é identificada pelo sistema imunológico como invasora e o organismo “aprende”, então, a se defender quando entra em contato com o vírus. 
Vale ressaltar que essa proteína também é produzida naturalmente pelo vírus da Covid-19, contudo, em sua versão integral e de maneira descontrolada. “Quem produz a proteína Spike é a própria infecção viral, que vai produzir a spike inteira, então se tem algum problema de toxicidade é muito maior pela infecção pelo vírus, porque ele tem uma produção muito maior de spike, e em sua estrutura completa”, explica o infectologista e professor do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Alexandre Naime Barbosa, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Nesses imunizantes, o RNA mensageiro é recoberto por nanopartículas lipídicas, uma capa de gordura, que o protege da degradação. A molécula não contém qualquer outra informação e não é capaz de realizar tarefas além de produzir a proteína Spike. “E também não penetra no núcleo de nossas células, então não consegue causar a Covid-19 ou qualquer alteração em nosso genoma”, esclarece a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Barbosa também esclareceu que não há nenhuma evidência científica de que essas nanopartículas lipídicas sejam tóxicas. 
Este conteúdo também foi verificado pelo Estadão Verifica

SAIBA MAIS:

Esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.




Editado por
Clique aqui para ver como a Lupa faz suas checagens e acessar a política de transparência
A Lupa faz parte do
The trust project
International Fact-Checking Network
A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos.
A Lupa está infringindo esse código? FALE COM A IFCN
Tipo de Conteúdo: Verificação
Conteúdo de verificação de informações compartilhadas nas redes sociais para mostrar o que é falso.
Copyright Lupa. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.

Leia também


12.04.2024 - 17h28
Eleições
Musk não entregou aos EUA provas de interferência de Moraes nas eleições

Publicação nas redes sociais alega que Elon Musk entregou às autoridades dos Estados Unidos documentos evidenciando a interferência do ministro Alexandre de Moraes, do STF, nas eleições de 2022. É falso. Não há nenhum registro sobre o fato. Além disso, um especialista em Direito Constitucional afirma que tal ação não teria efeito prático no Brasil.

Maiquel Rosauro
12.04.2024 - 17h02
Política
É falso que Elon Musk conseguiu o impeachment de Alexandre de Moraes

Circula nas redes um vídeo do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), que estaria comemorando o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, após o empresário Elon Musk pedir o afastamento do magistrado. É falso. O vídeo mostra Gayer comemorando a aprovação da PEC que limita decisões monocráticas no STF.

Catiane Pereira
12.04.2024 - 16h16
STF
É de 2016 vídeo sobre ação da PF que cita Alexandre de Moraes; caso foi arquivado

Circula nas redes um vídeo que mostra que o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes apareceu em documentos apreendidos pela PF de uma empresa investigada em esquema de fraude. Falta contexto. O vídeo é antigo, de 2016. Pagamentos à firma de Moraes foram para honorários advocatícios. O caso foi arquivado.

Ítalo Rômany
12.04.2024 - 15h13
Política
É falso que Moraes tenha ‘censurado’ o jornalista Augusto Nunes

Circula nas redes sociais um vídeo em que um homem alega que o jornalista Augusto Nunes teria sido censurado pelo Supremo Tribunal Federal em um processo liderado pelo ministro Alexandre de Moraes. É falso. A Suprema Corte negou que exista uma decisão desse gênero em vigor.


Evelyn Fagundes
12.04.2024 - 14h21
Política
É antigo vídeo no qual Cármen Lúcia fala sobre liberdade de expressão

Um vídeo no qual a vice-presidente do TSE, Cármen Lúcia, fala sobre ‘censura’ em uma sessão da corte circula com uma legenda que insinua que ela estaria se posicionando contra o ministro Alexandre de Moraes em sua disputa com o empresário Elon Musk. É falso. O vídeo é de 2022. A sessão do TSE tratou sobre desmonetização de canais no YouTube.

Catiane Pereira
Lupa © 2024 Todos os direitos reservados
Feito por
Dex01
Meza Digital