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Líder do sindicato dos agentes penitenciários não disse, em vídeo, que presos têm acordo com Lula
04.03.2024 - 07h00
Rio de Janeiro - RJ
Circula nas redes sociais um vídeo que mostra trecho de uma entrevista feita pela líder do sindicato dos policiais do Rio Grande do Norte, Vilma Batista, sobre a situação do trabalho dos agentes. Segundo a legenda que acompanha o post, ela teria dito que detentos do estado estariam cobrando o cumprimento de um acordo feito entre eles e o presidente Lula (PT). Falso.
Por WhatsApp, leitores sugeriram que o conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
Líder do sindicato dos agentes penitenciários, denuncia que os presos não querem se submeter aos procedimentos dentro das cadeias e estão cobrando que Lula cumpra o acordo feito com eles…. É muito triste é perigoso ver que um governo faz acordos secretos com marginais e criminosos.
Eiiiiiita poooooorrrrraaaa....MILHÕES de APLAUSOS pra essa policial corajosa....é isso que dá votar em CRÁPULAS BANDIDOS e FACCIONADOS...FOOOORA PT...FACÇÃO MISERÁVEL.
VAMOS ESPALHAR COM FORÇA ISSO PRA O BRASIL E O MUUUUUNDO SABER QUE ESSE DESGOVERNO VAGABUNDO DO PARTIDO DAS TREVAS TEM ACORDOS CABULOSOS COM BANDIDOS

– Mensagem que circula nas redes sociais
Falso
A presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Estado do Rio Grande do Norte (Sindppen-RN) não disse, na entrevista mencionada pelo post desinformativo, que os detentos cobraram o cumprimento de um acordo feito entre eles e o presidente Lula (PT). 
No vídeo original, que não é atual, mas uma transmissão feita em 12 de julho de 2023, no canal de YouTube da rádio Portal 96 FM Natal, Vilma Batista fala sobre os problemas encontrados no trabalho dos policiais penais e alega que os detentos dizem aos agentes que esperam a efetivação de um “acordo”. No entanto, ela não menciona o nome de Lula.
“A gente percebeu a necessidade de reativar essa união entre as categorias [da polícia] já que o próprio crime organizado está organizado estrategicamente fazendo várias vítimas de atuação principal paralela no combate às forças policiais e as ações policiais. [...] A gente tem um ditado que diz ‘só temos nós por nós mesmos’ e por isso que nós estamos nos organizando. Ontem nós tivemos um em frente ao Centro Administrativo [e o] MidWay, onde saímos em caminhada até a governadoria, falando com a sociedade entregando esses panfletos aqui que retratam um pouco a nossa realidade hoje vivida pelos policiais penais do sistema prisional. E, também, junto com a Polícia Militar com a Polícia Civil, onde a gente pede para o governo do estado as demais autoridades  que a mesmo articulação que fazem nas redes sociais que ‘vidas importam’ que nós policiais também somos humanos e que vidas policiais também importam”, disse Vilma Batista, durante a entrevista. 
A manifestação citada pela presidente do Sindppen foi noticiada pelo g1 no dia 11 de julho do ano passado. Vilma deu entrevista ao veículo e afirmou que o ato buscava valorizar a categoria que estava sendo, segundo ela, perseguida e acusada “por narrativas do crime organizado" como forma de tentar desestabilizar o sistema prisional.
Na entrevista à rádio Portal 96 FM Natal, Vilma Batista questionou a criação de cargos comissionados para peritos prisionais no Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura (MEPCT) – órgão que o Governo do Estado do Rio Grande do Norte pediu que fosse instalado por meio de um projeto de lei enviado para a Assembleia Legislativa. Citando o voto do ministro Dias Toffoli, ela o parafraseia alegando que cargo comissionado de perito seria uma atividade de alto risco. “Então, essa é a realidade que nós trabalhamos, esse risco iminente que nós, inclusive, conseguimos, aqui no Estado do Rio Grande do Norte, erradicar esse controle do sistema prisional das mãos das facções criminosas”, falou na entrevista. 
Durante a entrevista, a sindicalista enfatizou a disposição dos agentes penais para utilizar câmeras corporais, porém expressou preocupação com a possível utilização unilateral das mesmas pelo governos, visando monitorar as interações entre policiais e detentos. Ela defendeu também a instalação das câmeras em todas as unidades prisionais e em diversas situações, incluindo durante as comunicações da secretária-adjunta com as facções criminosas. Vilma afirmou ainda que os policiais penais estão sendo coagidos. “O sistema prisional é lugar de aplicação de lei e esse é o nosso trabalho e nós estamos sendo, hoje, coagidos. Os policiais penais, hoje, estão tendo que recuar. Os presos não querem mais fazer os procedimentos porque estão cobrando acordo. Nós queremos saber que acordo é esse. Então, nós exigimos que o Ministério Público fiscalize, procure saber que acordo foi esse porque nós não vamos pagar com a nossa vida e nem o controle do sistema prisional a sociedade tem que perder por causa de acordo, não. Então nós queremos saber e nós não vamos pagar por isso. A culpa é de vocês”, declarou. 
Segundo Vilma, o Sinnappen não é contra a criação do mecanismo, mas se contrapõe em relação às condições com que ele foi criado pois, segundo ela, o projeto de lei passou a ganhar força a partir de denuncias de tortura que foramregistradas por puvidorias e entidades que defendem os direitos dos detentos. “A nossa indignação é o governo ouvir essas entidades que vão para dentro das unidades, ouvir as lideranças criminosas, mas em nenhum momento nenhum presente do sindicato foi ouvido, nenhum policial militar foi ouvido, nenhum policial penal foi ouvido”, afirmou.

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