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É falso que Bolsonaro se hospedou em embaixada da Hungria para se proteger de atentado
28.03.2024 - 16h37
João Pessoa - PB
Circula nas redes sociais post afirmando que o real motivo de Jair Bolsonaro (PL) ter se hospedado por dois dias na embaixada da Hungria, em Brasília, é que o serviço secreto húngaro descobriu uma ameaça de atentado contra o ex-presidente. Ainda segundo a publicação, na resposta ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa de Bolsonaro apresentaria provas sobre a tentativa de assassinato. É falso.
Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
Bolsonaro foi chamado à embaixada da Hungria, porque o serviço secreto e de inteligência daquele pais detectou um assassino profissional para matá-lo. O assassino, ou assassinos, foram contratados pela esquerda criminosa, junto à Venezuela de Maduro.
O premier húngaro Peter Medgyessy, que foi da contra inteligência daquele país por mais de 20 anos, que viveu o comunismo na pele, e hoje é um conservador anti NOM, aliado de Bolsonaro, recebeu a informação- PORQUE OS SERVIÇOS DE INTELIGÊNCIA DO BRASIL SÃO UMA MERDA, CHEIOS DE MELANCIAS E DE ESQUERDISTAS CONCURSADOS - e sentiu -se na obrigação de avisar e proteger seu aliado Bolsonaro.
[...]
Depois que a ameaça foi neutralizada, Bolsonaro foi-se embora [...]
[...]
O advogado de Bolsonaro, como resposta ao bandido de toga cabeça de piroca do PCC, vai dar como resposta as provas do serviço secreto da Hungria, se continuarem com a sanha de prender Bolsonaro e seu auxiliares, a Hungria vai mostrar ao mundo a conspiração brasileira contra Bolsonaro.
Os húngaros só estão esperando o advogado de Bolsonaro dar a resposta pro STF, para horas depois apresentar também as provas, tanto para os bandidos de toga, como para o mundo. [...]
– Legenda de post que circula no WhatsApp
Falso
No retorno dado pela defesa de Jair Bolsonaro ao ministro Alexandre de Moraes, na quarta-feira (27), não há menção a ameaças de morte ou suspeita de atentado como justificativa do ex-presidente ter se hospedado na embaixada da Hungria no Brasil. Tampouco há qualquer registro na imprensa que mostre o suposto fato.
Segundo a justificativa enviada ao STF, a defesa de Bolsonaro afirmou que o ex-presidente mantém agenda política com diversas autoridades, incluindo o governo da Hungria, para tratar de "assuntos estratégicos de política internacional de interesse do setor conservador". 
"O ex-Presidente Jair Bolsonaro, ora Peticionário — como é de conhecimento público —, tem uma agenda de compromissos políticos, nacional e internacional, que, a despeito de não mais ser detentor de mandato, continua extremamente ativa, inclusive em relação a lideranças estrangeiras alinhadas com o perfil conservador. [...] São, portanto, equivocadas quaisquer conclusões decorrentes da matéria veiculada pelo jornal norte-americano, no sentido de que o ex-Presidente tinha interesse em alguma espécie de asilo diplomático", diz trecho do texto da defesa enviado ao STF.
 A resposta da defesa de Bolsonaro se deu por causa de uma intimação protocolada pelo ministro Alexandre de Moraes para explicar por que o ex-presidente se hospedou por dois dias na embaixada da Hungria, de 12 a 14 de fevereiro deste ano, quatro dias após ter o seu passaporte retido pela Polícia Federal (PF).
Também em nota publicada no X, no dia que a reportagem do The New York Times foi ao ar, na segunda-feira (25), a defesa de Bolsonaro reforçou que o ex-presidente esteve na embaixada a convite. "Quaisquer outras interpretações que extrapolem as informações aqui repassadas se constituem em evidente obra ficcional, sem relação com a realidade dos fatos e são, na prática, mais um rol de fake news". 
Bolsonaro, em diversas entrevistas dadas, não citou qualquer ameaça de morte ou suspeita de atentado que tenha recebido. Ao se defender das acusações de que tenha buscado refúgio político na embaixada para não ser preso. O ex-presidente declarou apenas que estava sofrendo "perseguição" da imprensa. "É algum crime, porventura, dormir na embaixada e conversar com embaixador? Tenha santa paciência".
No texto apócrifo, também é citado que a informação foi repassada pelo ex-premier húngaro Peter Medgyessy, hoje com 81 anos. Não há qualquer evidência que prove isso. Tampouco há provas que associam Peter Medgyessy a um movimento conservador anti-nova ordem mundial. 
Em uma entrevista dada em julho de 2023, o ex-premier fez diversas críticas ao atual primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, que é próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro. "Ele está a tentar empurrar o país para além do impasse, mas o seu grande pecado é não pensar em termos de perspectivas, apesar de lhe ter sido concedido muito tempo", afirmou.
Péter Medgyessy foi primeiro-ministro da Hungria de 27 de maio de 2002 a 27 de setembro de 2004, quando renunciou ao cargo. O ex-premier venceu a disputa à época contra o conservador Viktor Orban, amplamente derrotado nas eleições legislativas. 

Reportagem do NY Times

A reportagem do New York Times publicada na segunda-feira (25) mostrou que Bolsonaro esteve hospedado na delegação diplomática da Hungria, em Brasília, entre os dias 12 e 14 de fevereiro deste ano. Em 8 de fevereiro, o passaporte do ex-presidente havia sido apreendido pela PF em meio a Operação Tempus Veritatis, que investiga a existência de uma suposta organização criminosa que teria atuado numa tentativa de golpe de Estado.
Ainda na segunda-feira (25), o Itamaraty chamou embaixador Miklos Halmai para dar esclarecimentos sobre a hospedagem a Bolsonaro. O encontro no Ministério das Relações Exteriores ocorreu no fim da tarde e durou cerca de 20 minutos. Segundo informações publicadas pelo UOL, Halmai se manteve em silêncio, sem prestar esclarecimentos. Ele apenas escutou a embaixadora brasileira e, durante a reunião, permaneceu em contato com seus superiores em Budapeste, capital húngara. 

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