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É falso que eleitores nordestinos tiveram mais tempo para votar em 2022
04.04.2024 - 14h33
Rio de Janeiro - RJ
Circula pelas redes sociais um vídeo em que um homem aponta falhas supostamente ocorridas no segundo turno das Eleições de 2022. Ele diz, por exemplo, que eleitores na região Nordeste tiveram até as 21h para votar, configurando vantagem em relação ao restante do país, onde as urnas encerraram o funcionamento às 18h. Ele também afirma que mais de 2,8 milhões de votos foram registrados após o horário. É falso.
Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
“[No segundo turno das Eleições 2022] ocorreram votos às 18 horas, 19 horas, 20 horas, 21 horas, 22 horas. Votos nas urnas eletrônicas, no Nordeste. Olha que coisa”
– Trecho de fala em vídeo que circula nas redes sociais e em grupos de WhatsApp
Falso
Segundo o Supremo Tribunal Eleitoral (TSE), em 30 de outubro de 2022 os últimos votos foram registrados às 19h29, horário referente a votação de quem chegou à seção eleitoral e aguardava na fila até o encerramento do pleito — 17 horas. Além disso, o resultado foi anunciado no site oficial da Corte às 20h90, com 98,91% das urnas apuradas. Portanto, não teria como a votação ter acontecido até às 22 horas, como afirmado no vídeo. 
Ao contrário do que o homem diz no vídeo, o horário de votação não encerrou às 18h, mas sim às 17h. Os eleitores que chegaram à seção eleitoral até esse horário, puderam votar normalmente, conforme previsto na Resolução TSE nº 23.669 de 14 de dezembro de 2021, que trata dos procedimentos gerais do processo eleitoral.
Segundo o artigo 136 da Resolução, o recebimento dos votos se encerra às 17 horas, exceto se houver eleitores presentes na fila de votação da seção eleitoral. Nesse caso, o mesário procederá à sua identificação, entregando-lhes senhas para poderem votar. A votação seguirá até que o último eleitor — com senha —, vote. Essas regras estão estabelecidas nos artigos 144 e 153 do Código Eleitoral.
Vele mencionar que, pela primeira vez, todo o Brasil seguiu o horário de Brasília, resultando no encerramento das atividades às 17h (horário de Brasília) em todos os estados. Com isso, estados de fuso horário diferente começaram o pleito mais cedo, a votação no Acre, por exemplo, foi das 6h às 15h (horário local).
No segundo turno das Eleições de 2022  chegou a ser debatida a possibilidade de estender o horário de votação na região Nordeste devido a operações em transporte público de eleitores feitas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Contudo, o STF decidiu manter o horário previsto e a votação foi encerrada às 17 horas. 
“As operações, e foram inúmeras, foram (...) realizadas com base no código de trânsito brasileiro, ou seja, um ônibus com pneu careca, por exemplo, era abordado. Isso retardou a chegada dos eleitores aos seus pontos eleitorais, mas em nenhum caso impediu os eleitores de chegarem aos destinos”, disse o ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE, na ocasião. 
 “Com mais de 2,8 milhões de votos sufragados depois das 18 horas”
– Trecho de fala em vídeo que circula nas redes sociais e em grupos de WhatsApp
Falso
Segundo o TSE,  31.714 eleitores votaram após às 17 horas — horário de encerramento da votação. Portanto, é falso que  2,8 milhões de votos foram computados após às 18 horas, como afirmado no vídeo. 
 Como explicado anteriormente, tais eleitores chegaram às seções eleitorais até o horário previsto e, após recebimento de senhas, puderam votar normalmente.
“E por que o código-fonte nunca foi aberto para as Forças Armadas?”
– Trecho de fala em vídeo que circula nas redes sociais e em grupos de WhatsApp
Falso
Representantes técnicos das Forças Armadas, indicados pelo Ministério da Defesa,  inspecionaram o código-fonte das urnas em 3 de agosto de 2022. Já no dia 12 do mesmo mês, técnicos, também indicados pela Defesa, puderam visualizar detalhadamente a composição física e o funcionamento da urna eletrônica.
Além disso, em 9 de novembro de 2022, o Ministério da Defesa publicou o relatório de fiscalização do sistema eletrônico de votação. Em suas conclusões, o documento não aponta a presença de códigos maliciosos prejudicando a segurança do sistema. 
Vale ressaltar que diversas entidades e organizações, além das Forças Armadas, atestaram a lisura das eleições presidenciais de 2022. O relatório preliminar da Missão Integrada de Observação Eleitoral da União Interamericana dos Órgãos Eleitorais (Uniore), publicado em 31 de outubro de 2022, por exemplo, comprovou a segurança do sistema eletrônico de votação
O relatório final do Conselho Federal da OAB, divulgado em novembro de 2022, também reforçou que o processo eleitoral foi limpo e seguro. É possível consultar todos os relatórios das missões no site do TSE.
“Por que nós temos que ter uma câmara secreta dentro do Tribunal Superior Eleitoral?”
– Trecho de fala em vídeo que circula nas redes sociais e em grupos de WhatsApp
Falso
Não existe uma “câmara secreta” no TSE. A sala de totalização de votos, a qual o homem se refere, fica em um prédio anexo à sede do tribunal, onde técnicos monitoram e corrigem eventuais falhas no sistema durante a totalização dos votos — que é totalmente automática. No dia da votação, a sala se manteve aberta a entidades fiscalizadoras, partidos políticos, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e para o Ministério Público Eleitoral, que puderam acompanhar a totalização dos votos no local. 
O presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, pelo qual Jair Bolsonaro (PL) concorreu à presidência, visitou o local antes do pleite, em 28 de setembro de 2022. Na ocasião ele declarou “não ter mais” sala secreta. 
Conforme explica o TSE, após o encerramento da votação, a urna eletrônica apura automaticamente os resultados e imprime cinco vias do Boletim de Urna (BU), que mostram a quantidade de votos para cada candidato, partido, votos nulos e em branco. Uma via é afixada no local de votação para que o resultado se torne público, enquanto as outras são entregues aos fiscais dos partidos políticos.
A apuração é feita pela urna eletrônica antes da transmissão dos resultados, que ocorre por uma rede de dados criptografados. Ao chegar ao TSE, os dados são verificados para integridade e autenticidade, e a totalização dos resultados de cada urna é feita por um supercomputador no tribunal. O resultado divulgado pelo TSE é a soma dos votos de cada boletim de urna impresso em cada seção eleitoral do país. Ou seja, podem ser consultados e contabilizados. 
Vale mencionar que entidades interessadas em fiscalizar a votação podem verificar os boletins de urna impressos nas seções eleitorais, obter a versão digital por QR Code ou, ainda, terem acesso aos arquivos eletrônicos gerados na eleição para verificações. 

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